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Sexta-feira, Maio 23, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade escalafobética
23/05/2003 - Edição número 24 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Poesia prá quê?"
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1. Editorial.........................................Rafael Luiz Reinehr

2. ......................................................Daniel Dutra

3. Para Sigrid......................................João Francisco

4. O trem dos loucos...............................Idésio de Oliveira

5. Um novo tempo, e sigo andando............Rafael Luiz Reinehr

6. Essência e seus mistérios..........................Idésio de Oliveira

7. Só tomate........................Eduardo Hostyn Sabbi

8. Guardiões...................................Idésio de Oliveira

9. O A e o Z..................................Rafael Luiz Reinehr

10. Cuidadores..................................Idésio de Oliveira

11. Beijo...............................Eduardo Hostyn Sabbi

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1. Editorial

"Não há, ó gente ó não, luar como esse do sertão..."
Quando conseguimos parar nossas vidas, descer delas, dar uns passos e olhar
para ela, ali, inerte, podemos aprender muito. Podemos aprender que
velocidade em excesso não é bom. A pressa é realmente inimiga da perfeição.
Contemplação é necessária para que possamos perceber que fomos feitos também
para gozar a vida, não somente construir futuros desenfreadamente sem
usufruir.
Volta e meia nos deparamos com problemas em nossa existência. Desde os mais
simples: dívidas a pagar, prazos de entrega ou realização de compromissos,
até mais importantes como casamento, aposentadoria, falecimento de entes
próximos, etc. Nesses momentos, alguns de nós têm a percepção de que estão
em um beco sem saída, encurralados, sem opções. Esse é um momento bom para
parar tudo, dar uns passos atrás (ou ao lado) e observar nossas vidas.
Crises vitais e problemas são, na verdade, grandes aliados: são ferramentas
que nos dão a oportunidade de recomeçar ou incrementar nossas atitudes
positivas frente à vida.
Momentos de amargura e sofrimento são inerentes à condição humana. Não
podemos esquecer disso em nenhum momento. Recarregar as energias é a pedida!
Atravessar precipícios em pinguelas cambaleantes e mergulhar em águas
gélidas faz parte do nosso caminho. Sabemos disso, entretanto queremos negar
tal aspecto da existência. Contos de fadas são contos de fadas. Vidas reais
são as nossas vidas. Objetivos existem e devem ser atingidos, principalmente
quando norteados por princípios éticos e morais bem delimitados. Vamos dar o
tempo que nossos atos precisam para colher os frutos.

Rafael Luiz Reinehr


A tristeza é só um esquecimento.
Você esqueceu que foi criado pela luz e para a luz,
Mas agora está no escuro,
Que é só o meio do caminho

Cleber Saffi - 29/04/03

PSIU: O site do Simplicíssimo já está no ar! Ainda em construção, mas nosso
domínio já está
garantido: www.simplicissimo.com.br . Já dá pra ter uma idéia do design (por
cima...) Vai lá!!!

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2.
Daniel Dutra*

Sei que o tempo vai passar
e as flores passarão despercebidas
Meu sangue correrá sem que eu perceba
Minha vida perderá o significado
Meus dias não terão sentido
Mas o tempo vai passar
e a saudade não perdoará aqueles que não aprenderam a amar
E acabará o sonho daqueles
que esperam ser felizes
Meus olhos estáticos choram o muito da vida não vivida
do abraço não dado
e das palavras de amor que não foram ditas
Se há vida não a vejo
mas espero que ela exista para que cesse a minha dor
a dor das flores
e daqueles que só esperam a sua morte...

* Meu nome é Daniel Dutra e sou estudante de Psicologia da UFSM.
O primeiro texto que mando para o jornal é primeiro poema que escrevi
quando tinha dezessete anos. Mando este poema porque o que mais gosto nele é
que mesmo passado três anos e minha visão de mundo ter mudado quase que
completamente nesse tempo algumas coisas nesse pequeno poema ainda continuam
fazendo sentido para mim. É um poema que não dei nome ao escrevê-lo e não me
atreverei a fazê-lo agora.

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3. Para Sigrid
João Francisco, maio 2003

O dia nasceu lindo

Sol resplandecente, outono surgindo

Mas nada se compara

Ao brilho dos olhos da minha amada

Luz polarizada, nem a lua se equipara

Que influencia o ciclo das marés e dos amantes

E eles, assim como eu, mergulham no olhar do seu amor

Para sentir a liberdade dos anjos, a alma, o calor.

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4. O trem dos loucos
Idésio de Oliveira

"Mestiços não adaptáveis" nomeavam as pessoas portadoras de doença mental,
na sua maioria negros, mulatos, índios etc, que eram trazidos de trem uma
vez por semana de Uruguaiana. Familiares os entregavam nas beiras de linha e
os depositavam nos vagões com destino à Porto Alegre. Foi nesta ocasião que
centenas de doentes viram pela última vez seus familiares. Isso ajudou a
construir a história do Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre".
(1ª Jornada de Psiquiatria do HCPA. "A Humanidade do Cuidado no Novo
Milênio".)

O trem dos loucos

De quando em vez, e agora, mais periodicamente, ele apita e me acena com sua
chaminé fumegante.

Não voltou mais pra Uruguaiana e vaga pelas ruas deste Porto.
Eu, "mestiço não adaptável", me agito todo quando o vejo a esconder-se entre
os edifícios.

Onde se esconde este trem que não encontro?

Às vezes é só o trepidar balançando sinaleiras e eu me levando afoito.
Doutras, num curto espaço de tempo, como um raio, um vagão passa só, e
janelas gradeadas e gritos vêm e vão como na chegada ao São Pedro.

Olho pra tantos que me olham e não encontro colo algum que me console da
falta de conversas dos meus pela casa.

Assim fico olhando os edifícios e esbarrando em gente que não me vê nem
ouve.
Vamos e voltamos atrás de coisas que nos fazem parecerem importantes.
Na verdade, o que queremos é o nosso trem nos pegando sem bagagens, a
qualquer hora, a nos levar de volta de onde viemos estâncias afora.


PoA, 24.06.99.

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5. Um novo tempo, e sigo andando
Rafael Luiz Reinehr


Delicadas mãos que correm pelo meu corpo
A anunciar a chegada de um tempo
Que há muito eu esperava

Já não sentia mais o mesmo pulsar
Que era habitual do meu ser
Até você chegar, até te conhecer

Continuo sem fazer promessas
Pois não é só seu o meu viver
Também é meu,
E da minha própria vontade eu preciso

Um toque e a lembrança
De bons momentos já vividos
Sentimentos já sentidos
Que agora quero repetir

Nada mais é escuro
Tudo agora tem novas cores
E brilhos, e luzes

Agora já respiro tranqüilo,
Caminho paciente, sereno
Meu caminho é brando

Pequenas coisas retomam seu valor
Flores e vaga-lumes voltam a ter sentido
Enfeitam minha nova trilha
Que já não é mais só minha.

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6. Essência e seus mistérios
Idésio de Oliveira

Contra os dissabores das horas deste tempo turbulento,
eu cuidarei de ti.
Deitarei teu rosto contra o peito meu
e te darei o reparo de um sono bom.
Não terei afazeres além do ofício de cuidar de ti.
Não terei ponteiros demarcando o atropelo de horas.
Estarei aqui noite a fio ...
Serei teu oásis dentro deste mar de rostos
com que esbarras na solidão de ruas.
Não te direi nada, não saberás quem sou,
tampouco saberei quem és.
Apenas cuidarei de ti ...
Te olharei nos olhos e saberei onde guardas a tua dor sentida.
Terei teu rosto no encosto do meu corpo e não guardarei desconforto se tua
lágrima marcar minha camisa.
Irei compor uma cantiga nova e cantarei envolto em cuidados na calma do teu
riso bom.
Não terás (depois do canto) feridas,
Porque o corpo que te guarda é santo e diante dele eu me prostro ao som de
sacros cantos.
É teu corpo que me diz o que sossega ou tange a tua alma aflita.
É teu corpo o guardião dos teus mistérios, e entre o teu,
o meu e o grão de pólen que germina os campos,
Mora a crença deste elo que falta e
atende por cuidado e que eu te proporciono para nos tornarmos construtores
deste universo santo em que seguimos desvendando a vida.


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7. Só tomate
Eduardo Hostyn Sabbi


Tomates maduros e verdes
Tomates verdes fritos
Tomates no ponto

Tomates secos e molhados
Molho de tomates secos
Tomates úmidos

Tomates frutas e legumes
Tomates de pele e sementes
Tomates quase gente

Tomates do pé ao prato
Tomates da mão à cara
Coisa rara, pára!

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8. Guardiões
Idésio de Oliveira

Onde pulsa um coração há vida.
O cuidado com a preservação desta vida exige maestria.
Não deve importar a nós de onde vêm as vidas ou para onde elas irão.
O que importa é como deveremos agir para preservá-las.
Esse dom não pode ser tolhido, pois, antes de tudo, é profissão.

No mundo institucionalizado, onde as vidas são nomeadas como "clientes",
"pacientes" ou outros artifícios que objetivam a "atender bem", sabe-se que
o dom de cuidar de seres humanos só é destinado a seres humanos.

Quem fica vigiando vidas, quem exerce este cuidado é tão profissional
quanto outro e carece de ser assistido quando fragilizado.

Não poderemos assistir vidas por tanto tempo, se não possuirmos a nossa na
sua integridade.

Não poderemos atender dignamente, se não recebermos condições humanitárias
voltadas ao exercício do dom.

O trabalho enquanto dom, ao ser exercitado, imbui-se de uma sacralidade
tão ímpar que exclui retóricas.

Que possamos ter acesso facilitado ao exercermos os dons!

Que possamos nos dar condições de sermos também assistidos!
Que estejamos nutridos o suficiente!
Que nossa jornada de trabalho não seja a que as leis amparam, mas a
que possamos suportar nos ombros!
Que tenhamos a dignidade de um bom descanso e que nos sobre tempo para
brincar com os filhos ao acordar dentro do dia!
É-nos claro o cuidado que devemos ter com a vida.
É-nos clara a fórmula para nos cuidarmos mutuamente.
Sabemos que a preservação da vida não ocorre quando nos dicotomizamos.

Em sua ingenuidade de união, cupins nos custam mansões.
Que possamos ser elos como em correntes construindo vidas!
Que possamos estar sempre ali vigiando-as, e certamente estaremos, enquanto
houver condições dignas para preservarmos toda a espécie de vida que perdura
enquanto bate um coração!

Canoas, 02 de dezembro de 1995

15:00


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9. O A e o Z
Rafael Luiz Reinehr


Antes de mais nada

Bem eu quero fazer

Como se só disso eu vivesse

Disso me nutrisse

Envolto em uma névoa

Fogueira de ilusões

Ganho a rua de um salto

Homem feito, já nada temo

Incorro em erros, sim, ainda

Já não minto mais

Lindas tardes eu passei

Memórias coloridas me acariciam

Não fogem, não voam

Ouriçam meus sentidos

Protegem meu coração

Que quer ainda mais saber

Renovar as experiências

Sentir as fragrâncias

Todas envolvendo meu corpo

Unidas, me entorpecendo

Viagem sem fim ao paraíso

Xadrez do bem e do mal

Zênite da felicidade

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10. Cuidadores
Idésio de Oliveira

Emprestas a tua mão e te vejo a cuidar do meu corpo enfermo.
Que profissão é essa que sabe onde moram as feridas que oculto sob a pele?
Que sabe onde a dor pulsa mais forte,
mesmo ante a tantos bálsamos que me afortunam?
Ontem, enquanto eu dormia a sono solto, emprestaste teu sono e ficaste em
vigília pra
que eu não sucumbisse às sombras e pudesse despertar com o sol.
Ontem, enquanto eu tinha a certeza de que provava o último sopro de vida,
tua
presença concreta me trouxe de novo à luz.
Que jornada é a tua que tomas para ti e silencias horas a fio, enquanto eu
grito e firo
os teus ouvidos?
Que jornada é essa a que te expões enquanto te agrido os sentidos com odores
incontinentes, e tu, mesmo assim, me sorris na intenção de me pôr à vontade.
Pra tua lida não há paga, e quem dela necessita alenta-se com os teus bons
cuidados.
Emprestas as tuas mãos e não cede ao peso do meu fardo.
Hoje, eu queria a certeza de que estás bem cuidado pra que exerças com
liberdade o
Dom que em especial te foi confiado.

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11. Beijo
Eduardo Hostyn Sabbi

Hmmm adoro beijo

Beijo ao acordar, bom dia será.

Beijo refeição, ai que tesão.

Beijo ao dormir é beijo Morpheu.

Mas quero mesmo é um beijo TEU!

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CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

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Rafael Reinehr 9:18 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade
16/05/2003 - Edição número 23 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Febre de rachar a boca!"
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1. Editorial...................................................Rafael Luiz
Reinehr

2. Determinismo e liberdade: vocabulário.......................César
Schirmer dos Santos

3. A Cozinha Maravilhosa do Mestle Kuh-Kah! - Almôndegas
Alemãs......................Mestle
Kuh-Kah!

4. "A realidade é para aqueles que não podem suportar o
sonho"*...........Carolina Schumacher

5. Escrever por Escrever XIX
(excertos)................................................Rafael Luiz
Reinehr

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1. Editorial

Uma das coisas que mais tenho apreço é ao conhecimento. Ao lado das
formas mais variadas de expressão artística, o conhecimento tem cadeira
cativa no rol de preferências da minha vida. De tal forma, qualquer pessoa
que possa me trazer conhecimento (quer seja técnico ou mesmo humano) pode
ter certo que terá meu respeito.
Não tenho vergonha em me espelhar em pessoas a minha volta e mesmo dizer
isso para elas. Sou propagandista número 1 daqueles que me ensinam coisas.
Agora mesmo, aprendendo a lidar com o Dreamweaver e programação HTML: esse é
um conhecimento que nunca vai me deixar, e graças ao meu grande amigo
Eduardo Sabbi, vou levar comigo um conhecimento que pode abrir várias
portas. Posso finalmente trazer para um público maior o Simplicíssimo.
Posso... Putz, que febre do cão! Deixei para fazer essa "segunda parte" do
editorial agora
pela manhã e nunca vi como uma febrezinha à toa consegue me derrubar. Dor no
corpo
todo, desânimo total...
Paracetamol... Estava guardando a letra abaixo para quando estivesse sem
criatividade
nenhuma; esse momento chegou!
Até semana que vem. Lembrem-se, a edição número 24 é uma especial
somente com
poesias! Ainda tem espacinho para mais algumas!

Rafael Luiz Reinehr

At Your Side (The Corrs)

When the daylight's gone and you're on your own
And you need a friend just to be around
I will comfort you, I will take your hand
And I'll pull you through, I will understand

And you know that
I'll be at your side, there's no need to worry
Together we'll survive through the haste and hurry
I'll be at your side
If you feel like you're alone, and you've nowhere to turn
I'll be at your side

If life's standing still and your soul's confused
And you cannot find what road to choose
If you make mistakes (make mistakes)
You can't let me down (let me down)
I will still believe (still believe)
I will turn around

And you know that
I'll be at your side, there's no need to worry
Together we'll survive through the haste and hurry
I'll be at your side
If you feel like you're alone, and you've nowhere to turn
I'll be at your side

I'll be at your side
I'll be at your side

You know that
I'll be at your side, there's no need to worry
Together we'll survive through the haste and hurry
I'll be at your side
If you feel like you're alone, you've got somewhere to go,
Cuz I'm right there
I'll be at your side, I'll be right there for you
(Together we'll survive) through the haste and hurry
I'll be at your side
If you feel like you're alone, you've got somewhere to go
Cuz I'm at your side

I'll be right there for you
I'll be right there for you, yeah
I'm right at your side

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2. Determinismo e liberdade: vocabulário
César Schirmer dos Santos
cesarschirmer@yahoo.com.br

27 de abril de 2003

CAUSA 1/ Conjunto de coisas que precede o efeito. 2/ Circunstância causal.
3/ Condição causalmente suficiente.
COMPATIBILISMO 1/ Defesa da tese que o determinismo é logicamente compatível
ou consistente com um tipo de liberdade fundamental para a defesa da
responsabilidade moral, a voluntariedade. 2/ O compatibilismo não afirma a
verdade do determinismo, mas sim a compatibilidade do mesmo com a
responsabilidade moral.
DETERMINISMO 1/ Usado para descrever escolhas e ações humanas como
consequências causais, questionando a liberdade de tais escolhas e ações.
DETERMINISMO BRANDO 1/ Toma o determinismo por verdadeiro e a liberdade
humana apenas pelo que é consistente com este, a voluntariedade.
DETERMINISMO DURO 1/ Toma o determinismo por verdadeiro e a liberdade, seja
esta voluntariedade ou originação, por algo incompatível com este.
INCOMPATIBILISMO 1/ Defesa da tese que o determinismo é logicamente
incompatível ou inconsistente seja com a originação, seja com a
voluntariedade. 2/ Por si só não defende nem a verdade do determinismo, nem
a verdade de algum tipo de liberdade. 3/ Incompatibilistas que tomam o
determinismo por verdadeiro e a liberdade por falsa são deterministas. 4/
Incompatibilistas que tomam a liberdade por verdadeira e o determinismo por
falso são libertários.
INDETERMINISMO 1/ Refere-se a escolhas e ações humanas para negar que estas
sejam efeitos.
LIBERDADE 1/ Gênero ao qual pertence várias espécies, inclusive o
livre-arbítrio e a voluntariedade.
LIBERTARIANISMO 1/ Defesa de algum tipo de liberdade contra algum tipo de
determinismo.
LIVRE-ARBÍTRIO 1/ O mesmo que originação. 2/ Uma das espécies de liberdade.
ORIGINAÇÃO 1/ O indeterminismo é insuficiente para haver liberdade, é
preciso que o humano em questão seja a origem da escolha ou ação em questão.
VOLUNTARIEDADE 1/ O tipo de liberdade que é ao menos ausência de compulsão
ou constrangimento. 2/ Tipo de liberdade fundamental para a defesa da
responsabilidade moral do agente.

Referência

HONDERICH, T. Determinism and freedom philosophy: its terminology.
http://www.ucl.ac.uk/~uctytho/dfwTerminology.html, 27/4/2003.

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3. A Cozinha Maravilhosa do Mestle Kuh-Kah! - Almôndegas Alemãs
Mestle Kuh-Kah!

Ingredientes:

400g de carne de gado moída
200g de lombo de porco moído
50g de bacon picado
1 cebola picada
1 dente de alho picado
1 ovo
3 colheres de sopa de salsinha
2 colheres de sopa de cebolinha
4 fatias de pão de centeio
1 xícara de água
1 colher de sopa de vinagre
sal e pimenta do reino
óleo para fritura

Modo de preparo:

Coloque o bacon em uma frigideira e leve ao fogo baixo até o bacon estar
crocante. Acrescente a cebola e o alho bem picados e refogue até a cebola
estar macia. Retire do fogo, escorra o excesso de gordura e deixe esfriar.
Coloque em uma tigela o vinagre e a água, acrescentando as fatias de pão. Em
uma tigela, misture os dois tipos de carne, a cebola e o bacon refogados, a
salsinha, o ovo levemente batido e misture bem, acrescentando sal e pimenta
do reino. Escorra as fatias de pão e esprema bem, misturando à massa de
carne e amasse até obter uma mistura bem homogênea. Faça bolinhas do tamanho
de ping pong e frite em óleo quente abundante. Escorra em papel absorvente e
sirva com salada de batatas e mostarda ou com arroz branco.
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4. "A realidade é para aqueles que não podem suportar o sonho" *
Carolina Schumacher

O sonho terá sempre um componente que o propulsione, que o desencadeie, que
para Freud é um desejo inconsciente de natureza sexual do sonhador. Além de
desejos sexuais inconscientes proposto por Freud, temos a concepção de Lacan
que dirá que todo desejo é um desejo do Outro. Não obstante, sabemos que o
desejo que desencadeia o sonho tem sua raiz numa realidade traumática
vivenciada pelo sonhador. Desse modo, considerando a realidade traumática
que retorna no conteúdo inconsciente dos sonhos, continuar dormindo e
sonhando parece ser uma tarefa difícil.
Freud ao explicar o conteúdo dos desejos inconscientes presentes nos sonhos
valeu-se de um sonho seu que não apresentava nada aparentemente sexual: o
sonho da injeção de Irma. Nesse sonho, Freud via a garganta infeccionada (em
carne viva e rubra) de Irma, uma paciente histérica, que ele tratava sem
obter sucesso. Ao ver essa cena horrível, Freud segue seu sonho de forma a
se transformar em comédia com três médicos enumerando num ridículo jargão
pseudoprofissional, as múltiplas e contraditórias razões para tal infecção
de modo a não culpar ninguém pelo fracasso do tratamento. Assim, o desejo
sexual inconsciente parece não ser desencadeante do sonho, mas antes um
desejo de Freud de não culpar aquele que ele responsabilizava, seu amigo e
também médico Fliess. Nesse sentido, o sonho de Freud veio a realizar um
desejo do grande Outro (Fliess) de não ser culpado e esse é ponto
importante: o desejo é o desejo do Outro. O Outro para Lacan é aquele que em
algum sentido "deve saber", é o sujeito que tem o "poder". Essa figura do
grande Outro pode ser representada na idéia de Deus. Lacan dirá que "Deus é
inconsciente" e é natural que acreditemos nele, sendo a crença
consubstancial à subjetividade humana. Desse modo, aquele que não crê em
Deus, não admite o grande Outro, e vive num mundo essencialmente
materialista - um mundo sem limites.
Sabendo dos desejos sexuais inconscientes e reprimidos presentes nos sonhos,
e considerando a sociedade capitalista materialista em que vivemos, podemos
inferir que também são "produzidos" desejos à medida em que criam-se
necessidades de consumo. A sociedade em que vivemos, produz um viés perverso
quando coloca o sexo como material de consumo. São produzidos acessórios,
instrumentos, e tantos outros suplementos que emprestam um viés perverso
excessivo ao sexo. Cria-se, desta maneira, a estrutura libidinal de consumo
que produz as necessidades que pretende satisfazer com seus produtos.
É nesse espaço do vale-tudo, onde criam-se e satisfazem-se desejos
produzidos pelo capitalismo, que vivenciamos tudo aquilo que não seria
suportável em nossos contatos intersubjetivos. A realidade do dia-a-dia
parece mais fácil de se suportar porque podemos "brincar" de criar e
satisfazer necessidades em forma de desejos que buscamos realizar
consumindo. È somente quando nos defrontamos com nossa realidade psíquica
sem censura, quando nos defrontamos com nossos sonhos, que percebemos a
dimensão da realidade que escondemos atrás da repressão. Os sonhos nesse
sentido são mais "cruéis" à medida que nos mostram nossa realidade encoberta
pelo recalque de desejos insatisfeitos e, por isso, afirma-se que a
realidade é para aqueles que não podem suportar os sonhos.

* Trabalho realizado para a disciplina de metapsicologia freudiana baseado
no texto "A fuga para a realidade" de Slavoj Zizek.

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5. Escrever por Escrever XIX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{04/06/2001 - Segunda-feira - 23:27}

R$ 1043,20. Esse é o valor líquido que recebo todos os meses como bolsa de
residência médica. Mesmo valor que um residente recebia há 7 anos atrás.
Defasagem pela inflação superior a 125% (oficialmente, mas certamente
superior a 200% se extra-oficialmente). Vive-se adequadamente, mas não sobra
nada. Como vivem com R$ 180,00 ou menos por mês? Aluguel, luz, água, comida,
vestimenta, lazer, educação e saúde??? O quê? Isso é sub-humano! Isso é
crueldade! Isso é motivo para mandar encarcerar toda essa corja que
administra nosso país e suga toda a energia que nosso povo precisa. Se estou
feliz com meu "salário"? Sim e não. Relativamente ao que ganha 90% da
população brasileira: satisfeitíssimo. Relativamente ao que ganham os
abastados e aproveitadores salafrários burocratas e gerentes do capitalismo:
de forma alguma. Absolutamente: não. Mereço mais pelo trabalho que faço. Não
mereço mais dinheiro. Mereço mais consideração, mais espaço, mais lazer e
cultura. Estou cansado. Mereço descansar. Descansar mais para trabalhar
melhor. Eu quero descansar e não posso. Não me deixam. Eu não me deixo.
Estou cansado. Vou dormir... {04/06/2001 - Segunda-feira - 23:36}

{06/06/2001 - Quarta-feira - 14:09}

Aspectos Essenciais da Medicina de Família
(retirado de palestra dada pelo Dr. Garth Manning, do Royal School of
General Medicine, London, no HCPA, hoje pela manhã)

1. "O Cuidar" : não necessariamente só diagnosticar e tratar, mas também dar
atenção ao lado psicossocial.
2. "Competência Clínica": dar o "conselho" adequado, ter a capacidade
técnica de acertadamente orientar o paciente. Provém de um treinamento
médico adequado.
3. Continuidade do Tratamento: conhecer o paciente e este nos conhecer. É
diferente do tratamento intermitente oferecido pelo especialista.
4. "Cuidado Abrangente": tratamento do indivíduo e sua família em aspectos.
Atenção na prevenção.
5. Custo-efetividade: o médico de família, do ponto de vista do paciente e
da comunidade, com altos índices de aceitação e satisfação, além de menores
custos. Controle dos crescentes custos oferecidos pela "tecnologização" da
medicina.
6. Coordenação do Cuidado: ter um sisma de "gerenciamento" para determinar o
que é necessário para o tratamento do paciente como um todo. O médico de
família deve se responsabilizar por decidir quando é necessário o
encaminhamento do paciente para o especialista.
7. Experiência/Capacidade em Tratar/Manejar Problemas Comuns: médicos devem
ser treinados para reconhecer o normal e o comum, o mais prevalente, e
capacidade de excluir enfermidades sérias.
8. Cuidados e Pesquisa Embasados na Comunidade: cuidar uma camada fixa da
população, que ele passa a conhecer.
9. Capacidade de Comunicação e Aconselhamento: não somente com pacientes mas
também com colegas e com o sistema de saúde {interrompido mais ou menos às
14:30 e reiniciado às 16:31} . Incluir o paciente no processo de decisão;
tentar sair do sistema "médico-orientado". Tornar-se o "drug-doctor":
aquele que age como uma droga, como o medicamento em si.
10. Educação Médica Continuada: humanizar, fazer entender que problemas
médicos não são somente aqueles que necessitam internação hospitalar.

Conforme Dr. Manning, de cada 1000 pacientes de uma comunidade, 750 referem
algum sintoma clínico quando inquiridos diretamente. Destes, somente 250
procurarão ajuda de um médico. Destes, 25 necessitarão de auxílio do sistema
de saúde secundário (exame especializado, especialista, procedimento
hospitalar). Destes por sua vez, 9 necessitarão de hospitalização e somente
1 deles que precisará realmente de auxílio em nível terciário em hospital
universitário, por exemplo.
Não esquecer:
- Não usar tecnologia para substituir a relação médico-paciente
- Saber trabalhar em times, em equipes.
"As pessoas têm o direito e o dever de participar individual e coletivamente
no planejamento e implementação do seu cuidado de saúde" (Declaração de Alma
Ata, 1978)

Isso me lembra de, um dia, escrever sobre "A Ditadura do Controle Remoto e
do Vidro Elétrico". Sim, porque com toda tecnologia que invade nosso
dia-a-dia, tornando-nos cada vez mais sedentários, daqui a pouco tornar-se-á
impossível não ser gordo. Sei que estamos longe de um mundo onde robôs e
andróides farão todo trabalho braçal, sobrando para nós, humanos (?), o
trabalho intelectual e o lazer.

Os Crescimentos Atriais
a - Crescimento do átrio direito
Ocorrendo um crescimento do átrio direito, o vetor médio de AD vai aumentar
em amplitude, deslocando-se mais para a frente e para a direita. O vetor
médio de P (resultante entre o de AD e o de AE) se orientará também mais
para a frente e menos para a esquerda do que o habitual. {06/06/2001 -
Quarta-feira - 16:58}

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...VIRTUAL" COMO OUSARAM DIZER UNS E OUTROS... PENSE NESTE E-ZINE COMO UM
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crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
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livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
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composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
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Rafael Reinehr 9:17 PM

Segunda-feira, Maio 12, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade "a cada 10.080 horas, mais
ou menos"
09/05/2003 - Edição número 22 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Patrulhando o espaço, ninguém viu, ninguém vê..."
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1.
Editorial...................................................................
.........Rafael Luiz Reinehr

2. " ... e bush bombardeou os céus, pois Deus abrigou os terroristas ...
"....................Eduardo Hostyn Sabbi

3. Meditação na cura de doenças
psíquicas.......................................Daiana da Silva

4. Falando sobre Medicina tentando não ser chato......................Pedro
Schestatsky

5. Por Incrível Que Pareça!...............................Edi Ouro

6. Escrever por
Escrever............................................................Rafael
Luiz Reinehr

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1. Editorial

Fuga de idéias.
Chongas.
Choninhas (procure no Houaiss...).
Locupletando.
Propranolol. Sulfametoxazol Trimetoprim.
Ah, se eu te amasse tanto assim...
Na gaveta, ali ó...
Seu Ubiraí!

Hoje realmente foi um dia curioso. Trabalhei com calma, beeeeem na
lenta. Dei uma "baixada" no ritmo... ...e me senti muito bem!
À noitinha estava, em um momento de folga, assistindo à TV, quando a
"auxiliar de serviços gerais" do local, com seus 40 e poucos anos me disse o
seguinte, logo após tido a cumprimentado efusivamente, como é de meu
costume:
"- Doutor, esse primeiro de maio foi meu primeiro em que passei
trabalhando. Muito bom isso né?"
Vi aquele sorriso sincero em seu rosto, cheio de felicidade que só
alguém que tem seu trabalho e o sustento da família (temporariamente)
garantidos pode exibir.
Concordei com ela e a parabenizei. Disse-lhe que, sendo ela uma ótima
funcionária, agora seu emprego estaria garantido. Reforcei seu otimismo, sua
esperança e sua alegria. Disse isso mesmo sabendo que, muitas vezes, a
lógica da empresa não é a lógica do justo, ou a lógica do merecimento. Que o
diga o seu Hamilton dos Santos (aquele singular funcionário que se recusou a
demolir a casa que estava construída em terreno alheio)!
Muitas vezes reclamamos porque trabalhamos demais. Não nos damos conta
que, em boa parte dessas vezes, essa opção é nossa. TEMOS trabalho! Vamos
fazer! Gostamos do que fazemos? Em frente! Não gostamos? O que nos cerca?
Temos saída imediata? A curto prazo? A médio prazo? Péra lá! Claro que
podemos crescer!
Certamente eu nunca ganharia dinheiro escrevendo. Ainda mais de forma
confusa como acima...

A falta de assunto já foi meu tema anteriormente (e de tantos cronistas
gaúchos) por isso, não vou falar sobre isso.

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Quem não conhece, tem que conhecer: www.spamzine.net e
www.capsulazine.kit.net . Sobre o www.argumento.net já falei, mas não custa
repetir: é muito legal e, além de tudo, tem sempre uma promoção te levando
ao cinema "de grátis"! Logo logo, a página do Simplicíssimo estará no ar! Lá
muitos links para os melhores e-zines, blogs e páginas do mercado.

É, não adianta mesmo! Semana que vem talvez tenhamos um editorial com
conteúdo "lível". Se alguém se candidatar, pode tomar as rédeas, por favor!
Até lá, fiquem com seus ideais!

Rafael Luiz Reinehr (recuperando-se de estresse pós-traumático por
acontecimento ontem no 8 e 1/2 Bar, em Porto Alegre)

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2. " ... e bush bombardeou os céus, pois Deus abrigou os terroristas ... "
Eduardo Hostyn Sabbi

E de repente veio a guerra e com ela os corpos. Muitas batalhas, infinitos
mortos.
Deus, de braços abertos, perdoou todos os seus. Mesmo terrorristas, crentes
e ateus.
A notícia se espalhou, como voa um boato. Muitos questionaram, a verdade do
fato.
Bush não pensou 2x, nunca fez diferente (nem com suas fezes, havendo ou não
patente).
Abriu logo fogo aos céus, usou tecnologia. E sua falta de tutano, custou-lhe
a porcaria.
Em sua última tolice, esqueceu da natureza. Tudo que vem tem volta, já dizia
a certeza.
Ou o que sobe, desce. Simples profecia. Cada bomba no céu sumida, do céu
reaparecia.
E não sobrou ninguém, tampouco a superfície. Nem esse pequeno poema, grande
idiotice!

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3. Meditação na cura de doenças psíquicas
Daiana da Silva

Cada vez mais técnicas alternativas para manter a saúde psíquica e ter
uma vida melhor estão sendo procuradas. A saúde está diretamente ligada ao
bem estar do corpo e da mente. Para isso, o Centro de Meditação e Terapia
Bio Zen busca mostrar o caminho para o equilíbrio entre corpo, mente e
espírito. O Centro fica na rua Borges de Medeiros, 429 - 2º piso, sala 3
Para ter uma vida tranqüila e harmônica deve-se trabalhar com calma e
entusiasmo as tensões do corpo e da mente. As repressões, os traumas,
angústias e alegrias são reprimidos pelas próprias pessoas. A meditação é
uma técnica para abrir este caminho. Ela vai liberar toda a energia que está
reprimida, e que, desta forma, não pode se manifestar.
No Centro de Meditação e Terapia, são utilizadas várias técnicas na
procura do equilíbrio energético. Iniciação à Respiração e Meditação,
Renascimento, Terapia Corporal e Reiki. Segundo o coordenador do Centro,
Nataniel Piva Rocha, "a primeira parte do trabalho é feita com o corpo, para
torná-lo mais vivo e flexível. É um trabalho que começa com a terapia e
termina com o silêncio". Durante os anos, acumulamos tensões que mais tarde
vão desencadear em problemas físicos e psíquicos. Depois de liberto o corpo,
vem o trabalho com a mente.
A meditação existe há cerca de 7 mil anos. Iniciada na Índia, era usada
na busca para transender o sofrimento. No Brasil, ela iniciou em meados
dos anos 60, iniciando com os yogues, que começaram a sentir coisas
diferentes em seu di-a-dia. Mais tarde, ela começou a ser usada na busca de
paz interior.
A respiração é outro ponto trabalhado no Centro. Uma respiração natural,
longa e profunda, vai deixar o corpo mais vital e enérgico. Conforme o
coordenador, "a respiração curta vai levar pouco oxigêncio ao cérebro e vai
fazer com que os órgãos fiquem menos irrigados e menos vivos". A meditação
pode utilizar a respiração para revitalizar certos pontos, como a irigida
para a barriga, onde está localizado o centro de vitalidade e poder. A
respiraçãp pelo coração vai abrir a afetividade, fazendo com que as pessoas
fiquem mais próximas dos outros e de si mesmas.
A técnica de exercícios corporais estão baseados na construção do
homem total, que é composto por cinco linhas: a vitalidade, afetividade,
amorosidade, criatividade e espiritualidade. A felicidade só será encontrada
quando todas estas linhas estiverem andando juntas harmoniosamente. Através
dos exercícios, que fazem com que a energia circule de um modo mais amplo
dentro do corpo, a mente, conseqüentemente, terá um resultado positivo.
As técnicas se preocupam em trabalhar todos os segmentos do corpo.
Começa no primeiro centro vital, primeiro chacra, referente à segurança,
passando para o segundo, o da sexualidade, para o terceiro, da confiança e
poder, quarto, amorosidade, quinto, criatividade e o sexto chacra, refente à
intuição. "Os centros estão interligados, sendo que a harmonia deve ser em
todos eles", afirma Nataniel.
Como a energia é uma só, ela apenas se canalisa para alguns pontos. A
energia psíquica é ligada à energia sexual, que é a energia básica. Se esta
não fluir para a mente e para o coração, haverá uma energia estagnada, é a
chamada energia negativa. Corpo, mente e espírito são energias. Porém, a
energia mais condensada, corpo. A mente é uma energia menos condensada e o
espírito é uma energia mais sutil. Todas as atitudes com o corpo vão
refletir na mente e no espírito e vice-versa.
Para ter uma saúde melhor, Nataniel recomenda, além de trabalhos
corporais, esportes, caminhadas para tornar o corpo mais leve e preparado
para seguir adiante no trabalho mental e espiritual. A alimentação também é
fundamental, sendo que a mais saudável é a natural.
O espírito é uma energia que está sempre alegre, viva. O que realmente
afeta o bem estar do indivíduo, são os problemas do corpo e da mente. "A
mente e o corpo são janelas para o espírito. Quando a mente e o corpo estão
limpos, é possível ver o espírito brilhando", diz Nataniel.

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4. Falando sobre Medicina tentando não ser chato
Pedro Schestatsky - R4 Neuro

Adoro os pacientes. Sério. Amo a sua simplicidade e até a sua falta de
adesão. Para mim são como se fossem criancinhas ingênuas que sempre nos
fazem sentir seus pais. Parece que forçam a barra para serem advertidos. São
malandros, é claro e o fato de o serviço de saúde ser gratuito infelizmente
colabora para isto. "Se bem que não é bem assim". Tem muito pastor,
empresário, jornalista, catedrático e tudo mais, que mal consegue tomar um
macrolídeo por 3 dias. Bom, "paciente-médico", então, esse nem se fala...
Esses dias fui chamado às 16h, quando estava prestes a dormir um pouco:
Lubilinski (nome fictício) estava morto. Não esperava tão cedo. Era de certa
maneira surpreendente. De manhã estava pulando e agora completamente inerte.
Claro, fizemos tudo que podíamos, mas ele provavelmente havia sangrado lá em
cima, na cabeça. Apesar de sua obsessividade compulsiva gostava muito de
Lubilinski, ao contrário do resto da equipe que não simpatizava com ele só
por causa do episódio em que ele pediu para a atraente residente-chefe
passar creme Lanette em suas costas. E daí? penso eu. Não custava nada
tentar. Estava no direito dele, de cidadão masculino, independentemente da
sua condição de saúde.
Mas nada melhor do que um paciente com Distúrbio-obsessivo-compulsivo,
como ele era, para tratar seu SIADH (síndrome da secreção inapropriada do
hormônio antidiurético, uma situação secundária a algumas neoplasias, em que
o paciente se vê obrigado a restringir qualquer tipo de líquido por causa do
sódio baixo). Olha, foi recompensador. Ele anotava tudo o que prescrevíamos
e bebia exatamente o que lhe era imposto - 750ml/dia! O paciente dos sonhos
de qualquer médico. E não foi para menos, Lubilinski morrera com um sódio
NORMAL de 131 meQ/l (que chegou a ser 116 cinco dias antes - muito baixo).
Ótimo, pelo menos nisso demos um jeito, TRATAMOS SEU EXAME. Às vezes é a
única coisa que podemos oferecer, tratar o exame, não o paciente.
Cheguei no quarto para atestar o óbito e lá estavam os familiares ao
redor, putos-da-cara. Tudo bem, não vamos nem discutir isto. Estavam recém
"elaborando" (adoro este termo, emprestado da psiquiatria) a perda de seu
ente querido e podiam ter reações bastante imprevisíveis, até bizarras, como
gargalhadas, vômitos ou pseudo-convulsões. Fiquem à vontade, desde não nos
agridam fisicamente. Nestas ocasiões é "permitido" até nos xingar, ou a
nossos parentes. Costumamos entender. Pois sua filha veio então ao nosso
encontro:
"Para quê, hein? Para que, vocês, MÉDICOS DE MERDA, engomados até o pescoço,
estudam tanto?", chorava bastante. Fez-se um silêncio constrangedor e ela
mesmo respondeu, com os dentes semi-cerrados: "PARA NADA!!! O dia que eu
descobrir o MEU CÂNCER, vou dar um tiro na própria cabeça!", finalizou
abraçada ao corpo desabado de Lubilinski.
"Deus", pensei. Aquela mulher não estava tão errada assim, embora não
entendesse que para o médico, o alívio é em geral tão mais importante do que
a cura. No entanto, eu não me lembrava da "carinha" dela durante a
internação de Lubilinski em nenhum momento. Onde estava ela enquanto
aguentávamos a birra e a doença terminal de seu pai? Ou quando trazíamos
notícias trágicas a cada novo exame? Provavelmente em casa. Até certo ponto
preocupada, mas em casa. O sentimento de culpa da família costuma ser o
grande responsável pela maioria dos conflitos entre médico e familiares.
Contra isso, o melhor remédio é um relacionamento franco e aberto desde o
início do atendimento, sem ser muito seco. Eis uma das maiores dificuldades
do médico moderno - não basta assinar 27 revistas médicas ou decorar 329
enzimas!
Seguimos então ouvindo a mais e mais críticas e observações dos
familiares, em um silêncio compreensivo. Um silêncio diferente, sutil. Não
aquele "silêncio da confissão", como se culpa fosse sua. Procuramos evitar
confrontações ou puxar a brasa para nosso lado. Nestas horas, não banque o
"detentor absoluto do conhecimento das doenças". A não ser que tenha tido um
DIA muito ruim, ou uma VIDA muito ruim. O paciente e seus familiares nada
têm a ver com as suas amarguras pessoais, e nem têm a obrigação de
engolí-las.
"O tempo passa mais rápido quando se espera um elevador, impressionante.
É por isso que chego atrasado aos rounds da onco. E também porque eu costumo
amarrar os cadarços dos meus sapatos. Nunca amarre seus sapatos quando
passar pela onco.

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5. "Por Incrível que Pareça"
Edi Ouro

"Uma grande parte das mulheres inglesas de quarenta anos ou mais tem
joanetes."

"Ana Bolena, segunda esposa de Henrique VIII, passou a véspera de sua
execução na mesma sala da Torre de Londres que havia ocupado na véspera de
sua coroação."

"Os ratos podem viver mais tempo sem água que os camelos."

"Quem primeiro adotou o uso de óculos escuros foram as estrelas de cinema.
Não para parecerem misteriosas, mas para protegerem os olhos contra o clarão
estonteante dos reflexos usados antigamente nos estúdios."

"Um litro de vinagre é mais pesado no inverno que no verão."

"Em 1925, o inverno foi tão rigoroso no Canadá que as cataratas do Niágara
ficaram completamente congeladas."

"A carne do canguru não contém colesterol."

"Os tamancos holandeses são entalhados num único bloco de madeira
(amieiro)."

"O número de telegramas expedidos anualmente na União Soviética é dez vezes
maior que nos Estados Unidos."

"Os binóculos modernos são mais potentes que o telescópio de Galileu."

"Ao contrário das outras substâncias, o magnésio ganha peso quando queimado:
suas cinzas pesam mais que o pedaço original do metal."

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6. Escrever por Escrever
Rafael Luiz Reinehr

{29/05/2001 - Terça-feira - 21:37}

Hoje tive uma idéia para mais um trabalho em Antropologia, na aula de
Antropologia do Corpo e da Saúde: fazer um trabalho sobre "Comida de Doente"
. É isso aí: "comida de doente"! Vou entrevistar pacientes acerca das dietas
que recebem enquanto estão internados, os médicos que prescrevem essas
dietas e os nutricionistas que avaliam e acompanham o seguimento, adequação
e aceitação das dietas. Também pretendo fotografar alguns pratos oferecidos
aos pacientes e, disso tudo, fazer meu trabalho de conclusão da cadeira. Vai
ser interessante!
(((...)))

PS: quando eu comprar meu computador novo, com scanner e web camera com
camera fotográfica digital, irei digitalizar algumas fotos e colocar no meio
do texto para dar uma idéia sobre coisas e pessoas sobre as quais escrevo
(ou não!)

Casseta & Planeta rules, assim como Piores Clipes do Mundo! {29/05/2001 -
Terça-feira - 22:08}

{02/06/2001 - Sábado - 21:46}

Quero aqui deixar expressa minha profunda indignação em relação ao
desprrrrezível cereal Arroz, essa entidade que vive "grudado" e
atormentando nossas namoradas, se fazendo de "amiguinho", só esperando,
pacientemente, a melhor hora para dar o bote.

Fluxo de idéias. Intelectualismo hipomorfo, insosso. Antropofagia
construtiva. Pleomorfismo hidrofóbico. Cacofonia dialética. Imediatismo
acintoso! Dúvida cruel. Penélope Charmosa. Cuzcuz de agrião. Sentimentalismo
afônico, métrico. Heráldica inconstitucional. Justaposição seqüencial. Ranço
defectivo. Safadeza compulsiva! Mas como é que pode?...
Sacro-ileíte crônica agudizada. Vasculite intracerebral??? Será?
Feijões nos dentes... Mentes dementes, departamentos de médicos
residentes... Homens que plantam sementes... Gente que nem a gente,
principalmente!

Quando a falta de criatividade invade meu corpo... Ah! Preciso de
estímulos... Que nem eu tive hoje, no curso de Relação Médico-Paciente lá no
Clínicas. Foi muito estimulante. Durante as palestras, fui tendo várias
idéias, que infelizmente não anotei e agora, tentando me lembrar, não
consigo. As pessoas dizem que se não nos lembramos de alguma coisa é porque
esta coisa não vale a pena. Eu não concordo. Acho que estou doente. Ou pelo
menos insuficiente. Isso é uma coisa que já tenho notado há algum tempo:
minha memória não é suficiente para as minhas necessidades. Acho que vou
parar de beber totalmente por alguns meses para ver se isso melhora. Mas o
que eu acho mesmo que preciso é de um bom e longo descanso... Vou ler um
pouquinho e dormir... Sem comentários sobre meus últimos dias...

(((...)))

{03/06/2001 - Domingo - 15:20}

Aí seguem alguns apontamentos que fiz no curso "Relação Médico-Paciente e
Humanização na Prática Médica":

"A Medicina é uma ferramenta para ajudar os seres humanos a alcançar a
felicidade" (idéia para um texto)

"A Faculdade de Medicina: Uma Biópsia da Sociedade" - Analisamos os reflexos
de nosa sociedade em uma parte dela - os estudantes de Medicina - que
reflete as virtudes e vicissitudes da mesma e as mantém em forma latente.

"Nem por você nem por ninguém
Eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus
Vinte e poucos anos..." (Fábio Júnior)

"Uma Verdadeira Medicina Social - a que Distância Estamos?"

"Síndrome de Fantástico": Paciente chega no consultório na Segunda-feira
perguntando sobre aquele novo tratamento para aquela doença que ele viu no
Fantástico no dia anterior.

"Um dos problemas da raça humana é a eterna busca da superioridade. Não nos
contentamos em poder conversar (e nos relacionar) no mesmo nível dos nossos
interlocutores. Abençoados aqueles que conseguem alcançar um determinado
patamar, pelos seus esforços, e, pela sua vontade, conseguem "descer" ao
nível daqueles que pelos mais diversos motivos ainda não chegaram lá, e
compartilhar com estes experiências e conhecimento" {03/06/201 - Domingo -
15:38}

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Rafael Reinehr 12:05 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade sssssssssssemanalllllllllll
02/05/2003 - Edição número 21 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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" Gimme the night, e-zine o escambau!"
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Heidegger: o §45 de Ser e
Tempo....................................................César Schirmer dos
Santos

3. Eram os deuses astronautas?.......................Evelise Birck Rodrigues

4. Espaço místico - A psicologia do esotérico
(Osho)................encaminhado por Daiana da Silva

5. Errar ainda é Humano - Considerações psicológicas e espirituais acerca do
sentimento de culpa..............Adriano Oliveira

6. A Cartilha do Simplicíssimo (em 16 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

7. Escrever por Escrever XVII
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Às vezes me pego a pensar: porque tudo isto? Porque essa necessidade de
comunicação, de criação literária que me incita a juntar combinações de
palavras e deixá-las registradas no que eu chamo de Éter Universal? Em
tempos tão fugidios, onde o contato pessoal acaba ficando um pouco "de lado"
em relação a contatos "virtuais". Essa ânsia de escrever, já reparei, não é
só minha. Proliferam-se centenas de centenas de e-zines, blogs e outras
formas de expressão literária (ou visual) na Internet (que tornou essa forma
de expressão acessível a qualquer um que tenha próximo de si um computador
conectado à Grande Teia). Pessoas com desejo de expressar seus sentimentos e
opiniões, os "Críticos da Ordem Vigente" são milhões. Alguns com maior
outros com menor qualidade, todos com o mesmo intuito: serem ouvidos. Também
é por isso que existe o Simplicíssimo. Ninguém brada somente para restar o
alcance da voz. Quer que sua voz seja efetivamente avaliada e correspondida.
Também, essa proliferação de vozes que presenciamos deve-se, neste
começo de século a algo que vimos surgir progressivamente na história
moderna e que agora atinge seu ápice com a globalização: um processo
contínuo de individualização ocorrido no século XX, que levou à formação de
sociedades marcadas por ausência de vínculos tradicionais, afins ao espírito
individualista da concorrência empresarial (como bem descreve Verlaine
Freitas, em Adorno & a Arte Contemporânea, Ed. Jorge Zahar). Tal processo de
individualização levou a arte a extremos como a pintura abstrata, a criação
da música atonal e a negação de um narrador onisciente na literatura. Também
levou, nos dias de hoje à verborréia desenfreada e desvinculada
necessariamente com qualquer tipo de organização estreita, ao "jornalismo
gonzo", "cardososonline" e outras formas de "anarquismo literário", como
este e-zine que agora inunda sua retina e massa encefálica.
Essas expressões artísticas, denotam individualmente e em grupo, um
certo inconformismo com o "estado atual das coisas". Sugerem um "grito
surdo, ensurdecedor" que quer se libertar e fazer acontecer algo novo, algo
diferente. Novos materias, novos meios, novos ambientes, relações e
conclusões, enfim, novos fins.
Parafraseando ainda Verlane Freitas, " a rede de conceitos e
preconceitos que usamos para entender a realidade nos desacostuma de admirar
o que é diferente; a arte procura, desesperada e fugidiamente, reparar
isso."; ou seja, ao contrário da racionalidade pura, que busca separar o
sujeito do objeto, fazendo com que o primeiro domine o segundo, a arte, por
sua vez, tenta trazer ao sujeito sua dimensão natural, corporal, desejante,
não caindo na magia e na superstição mas sim na estruturação radical da
obra, que é o que vemos em nossos dias com os exemplos acima.
Como disse Michael Moore em seu discurso ao receber o Oscar por melhor
documentário de longa-metragem na cerimônia do Oscar deste ano: "Vivemos
tempos fictícios, de eleições fictícias, guerras por motivos fictícios...".
É isso mesmo: vivemos em tal estado de consumismo e materialismo que
deixamos de ser nós mesmos em prol de um "status" que nos é imputado
diariamente pelos meios de comunicação em massa. Essas pequenas resistências
podem não estar demonstrando ainda seu poder, mas o tempo dirá se todo esse
trabalho artístico-cultural que vemos explodindo em todos cantos foi em vão.
Ou não.

Rafael Luiz Reinehr

"Não sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas
as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa a
dizer".
Gilles Deleuze, filósofo

PS: depois da panfletagem de "divulgação do Simplicíssimo" no Jardim
Elétrico, durante o aniversário do colaborador César e da assinante Lia,
comunicamos sua eficácia na aquisição de novos leitores: Zero!

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2. Heidegger: o §45 de Ser e Tempo
César Schirmer dos Santos
cesarschirmer@yahoo.com.br

18 de abril de 2003

O homem, ser-aí, é um ser-no-mundo, e como tal está sob o estado de cuidado,
preocupação. Sua essência é sua existência, e o ente que o ser-aí é o que
sou, em cada caso, eu mesmo. Cada um de nós, pessoas existentes no mundo,
tem sua própria existência, e assim sua própria essência.

Tentar compreender o ser faz parte da constituição do ser-aí.

Existência é poder ser. Tudo o que o ser-aí pode ser se dá na sua
cotidianidade, entre seu nascimento e sua morte. A morte é sempre algo que
pode ser para o ser-aí, uma possibilidade sempre presente no horizonte da
vida de cada um, mas que, em cada caso, não é ainda. O ser de cada um de nós
resiste à nossa própria tentativa de apreendê-lo como um todo. Sempre que
tentamos compreender nosso ser, nossa existência, o fazemos como uma das
nossas maneiras de ser no mundo, e este nunca nos é dado completamente.

A compreensão total do ser-aí exige que sua existência, seu poder ser total
seja tomada até o fim, ou seja, até a morte.

A existencialidade do ser-aí fundamenta-se ontologicamente na temporalidade.
A vida cotidiana é um modo desta.

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3. Eram os deuses astronautas?
Evelise B. Rodrigues

É um clássico ímpar que descreve com minúcias provas de que a vida
inteligente na terra iniciou após a vinda de seres extra-terrenos ao nosso
útero azulado. Mas o mais interessante é que o livro não é encaixado na
seção Ficção Científica, pois o autor, Erick von Daniken, mostra fotos e
mais fotos, números, cálculos e obras de proporções nababescas que não
poderiam ter sido construidas por simples homens sem qualquer tecnologia
superior. São imensas estruturas de pedra, pistas para aero ou espaçonaves e
centenas de gravuras espalhadas por todo globo que surpreendem pela
semelhança que expoem, e mais, pela semelhança que todas tem com homens com
roupas e capacetes espaciais. O texto beira a loucura e é ótimo para quem
vive só pensando em coisas e problemas mundanos e pequenos. Aconselho
fortemente.

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4. A psicologia do esotérico - Osho
(enviado por Daiana da Silva)

- O processo evolucionário requer o desenvolvimento da consciência. A
matéria é totalmente inconsciente. Mas esta evolução consciente somente
começa se deixarmos que ela comece.
- Vida significa movimento. É impossível permenecer aonde estamos. Ou
evoluímos ou regredimos.
- Para se chegar a um estado búdico devemos aceitar o homem em sua
totalidade. "A mente deve ser treinada de forma racional, lógica, mas deve
simultaneamente ser treinada de uma forma irracional. Não se pode crescer a
não ser que se creça totalmente.
- A evolução consciente começa com o homem. A evolução inconsciente
ocorre naturalmente. Quando esta satisfaz seu propósito, a evolução pára.
Então chega-se à consciência. Agora o homem pode decidir se evolui ou não.
A evolução inconsciente é coletiva. Quando esta torna-se consciente,
passa a ser individual.
- Há um grande medo da liberdade. Pois quando somos escravos, a
responsabilidade nunca é nossa. Quando somos livres, temos de tomar
decisões. A evolução somente acontece com a responsabilidade individual.
"Se vc se torna iluminado sem seu próprio esforço individual, esta
iluminação não vale a pena."
- É através do isolamento interior que o ego se desmancha. O ego é como
uma semente: deve-se destruir a si mesmo para que a planta germine. Somente
através do isolamento acontece a unicidade interior total, e isto somente
acontece quando o ego está ausente.
- Meditação significa viver sem palavras. É a cuminação do amor: amor
pela existência total.
- A constante transformação das coisas em palavras é um obstáculo à
mente meditativa. A meditação é o relacionamento vivo com as coisas que o
cercam. "A sociedade precisa da linguagem, mas a existência não. Meditação
significa tornar-se um mestre do mecanismo da mente. Quando a existência e a
consciência tornam-se uma, quando elas estão em comunhão, aí está a
meditação.
- Mediante a linguagem, vc foge da existência , vc foge da vida, porque
a linguagem é morta.
Deve-se deixar que os momentos existam sem que as palavras existam.
Consciência não tem nada a ver com palavras, é um ato existencial, não
tem a ver com a linguagem, não é um ato mental.
- Estar consciente nos transforma em testemunhas capazes de perceber os
vazios entre a experiência e as palavras. O vazio que há entre duas
palavras, entre duas notas musicais, só pode ser percebido através da
consciência. Quanto mais conscienta vc se torna, mais lenta sua mente se
torna, e vice-versa.
Se vc se tornar consciente do seu estar só, então vc se torna consciente
do estar só dos outros. Aí vc sabe que tentar possuir o outro faz sofrer. Se
vc é corajoso para viver com os fatos como eles são, vc torna-se inocente.
Seja inocente e tudo de bom fluirá até vc. A inocência é religiosidade, é o
pico da verdadeira realização.

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5. Errar ainda é Humano - Considerações psicológicas e espirituais acerca do
sentimento de culpa.
Adriano Oliveira*

A atitude do ser humano de censurar severamente a si mesmo ocorre há
séculos. Basta um só erro ou atitude da qual nos arrependamos para que
venhamos a nos autopunir ou esperar algum tipo de castigo divino. Desta
forma, acabamos por acumular em nosso íntimo angústias e pesares
desnecessários, frutos de experiências mal sucedidas que não foram vistas
como aprendizado.
A longa faixa de anos obscuros pelos quais passamos na Idade Média - período
em que a Igreja pregava o temor a Deus e a punição severa de hereges nas
fogueiras e de pecadores nos fogos do inferno -, acabou por fixar no
inconsciente das pessoas a idéia de que todo erro deve ser punido. Esta
espécie de "mandato" parece nos acompanhar até os dias de hoje. São
igrejas,templos e consultórios psicológicos repletos de pessoas buscando
alívio para um sentimento de culpa que insiste em buscar punição. Muitas
pessoas, ao fazerem um exame de sua educação na infância, poderiam verificar
que esse desejo de castigo foi oriundo de uma educação rígida e inflexível,
a qual repreendia severamente qualquer atitude considerada errada por parte
da criança. Para outras, porém, essa mesma idéia pode não ter sido moldada
na vida presente, mas em um passado próximo ou remoto, no qual fomos
consolidando a intransigência com nós mesmos. Então nos perguntamos: como
superar o sentimento de culpa quando erramos? Como assimilar nossos erros
sem buscarmos a autopunição como remédio?
Para Hammed, um benfeitor espiritual e estudioso do psiquismo humano, quando
sempre esperamos perfeição em tudo e confrontamos o lado inadequado de nossa
natureza humana, nos sentiremos fatalmente diminuídos e envolvidos por uma
aura de fracasso. Dessa forma, aceitarmos nossa falibilidade perante a vida
constitui-se uma tarefa inadiável. Como diz, ainda, o benfeitor árabe,
"somos propensos a cometer erros de cálculo...enganos são inerentes à
condição humana".Tal consciência e aceitação de nossa imperfeição somente
ocorrerão, entretanto, no momento em que reconhecermos nosso lado inadequado
aqueles comportamentos e idéias os quais não admitimos em nós, mas que ainda
fazem parte de nosso ser, embora disfarçados. Ao fazermos essa opção,
passaremos a uma existência íntima de tranqüilidade perante nossos erros, de
maneira a compreendê-los e não mais transformá-los em um calvário de dores e
lágrimas, mas em um jardim florido, na qual cada flor representará um
aprendizado colhido.
Ainda há muito a se fazer para que superemos esse hábito tão arraigado em
nossas mentes. Portanto, da próxima vez que você perceber-se com sentimentos
de culpa, diga a si mesmo:
"- Não sou uma calculadora.... sou um ser humano!"

*Acadêmico de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria e
trabalhador da Sociedade Espírita Amor a Jesus.

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6. A Cartilha do Simplicíssimo (em 16 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 16 - Última lição

O Cruzeiro do Sul tem cinco estrêlas!
Clara não sabia nada sôbre sua pátria.
Ela queria estudar.
Ela pediu à sua professôra que a ajudasse.
Sua professôra mostrou-lhe o mapa.
- Aqui está o Brasil, disse a professora.
Brasília é a capital do Brasil.
- Agora sei alguma coisa sôbre o Brasil, disse Clara.
Sei que Brasília é a capital da minha pátria.

Feliz é o homem que ajuda os outros.

É melhor dar do que receber.

A bandeira do Brasil é verde, amarela, azul e branca.
Aparte azul é redonda.
Sôbre o azul aparecem estrêlas brancas.
Numa faixa branca sôbre o azul está escrito:
ORDEM E PROGRESSO.

Em nosso país o povo não gosta de guerra.
O nosso país goza paz.

Roberto está no exército.
É soldado exemplar.
Seu sargento é muito exigente.

Carolino é sargento do exército.
Êle exige exercícios bem feitos.
Carolino é sargento exemplar.
Êle examina os seus soldados diàriamente.

exército exposto fixo peixe
exemplar extraiu táxi caixa
exigente explicou caixote
exame extração

Gabriel tem uma loja.
Os seus tecidos tem côres fixas.
Êle os vende a preço fixo.

Otávio estava com dor de dente.
O dente estava com o nervo exposto.
O dentista extraiu-lhe o dente.
Explicou-lhe como lavar a bôca, depois da extração.

O táxi é carro de aluguel.
Em São Paulo há muitos táxis.
Quem tem pressa, toma táxi.

Na peixaria do senhor Maximiliano há muito peixe fresco.
Os peixes chegaram em caixas e caixotes.
Há peixes expostos no balcão.
Êle vende o peixe a preço fixo.
Maximiliano fica com expressão muito alegre, quando vende todo o peixe.

Os jarros não são caros.
Os jarros são feitos de bom barro.
Ana comprou quase uma dúzia.
Ela os escolheu com cuidado.
Agora já faz dois meses.
Nenhum dos jarros está quebrado.

Quando o senhor viu o Cláudio, êle tinha quatro anos.
Êle nasceu em dezembro.
Agora êle deve ter sete anos.

Às vezes José tem dor de cabeça.
Êle explicou isso ao médico.
O médico o examinou.
O médico disse que êle precisa descansar.
José tem um mês de férias.
Êle está alegre, porque pode descansar durante as férias.

FIM!

Os digníssimos leitores que tiveram a paciência de deixar-se envolver pelas
brumas da Cartilha, certamente podem considerar-se, a partir de hoje,
pessoas melhores. Evoluíram junto com o conhecimento que lhes foi ofertado.
Aprenderam, humildemente, a galgar os degraus que os trouxeram até aqui.
Para aqueles que cabularam alguma das aulas, sugiro que voltem ao início e
estudem tudinho, tintim por tintim, pois, de agora em diante, nosso
Simplicíssimo vai picar um pouquinho mais complicado; para que ele continue
inteligível, sigam meu conselho: estudem com afinco a Cartilha. Ela é sua
chave para desvendar os segredos da Última Flor do Lácio, a Língua
Portuguesa.

Agradeço pessoalmente à Cartilha pois foi ela quem inicialmente ensinou
minha tia Solange, que por sua vez foi quem me ensinou a ler, com 3 anos de
idade. Desde então, sou leitor contumaz. Graças à leitura, nos é
possibilitado o acesso a estímulos valiosos que nos tornam o que somos (ou
deixamos de ser). Estímulos poderosamente mais ricos que os conseguidos
assistindo à televisão, por exemplo.

Obrigado àqueles (poucos) que acompanharam a leitura desta obra, mesmo sem
entender direito o que ela significava, ou achando graça na acentuação
incorreta que remonta aos idos anos 60-70. Grande abraço e segue o baile!...

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7. Escrever por Escrever XVII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{23/05/2001 - Quarta-feira - 01:20}

Que dias! Segunda trabalhei normalmente, depois fui para a faculdade, saí um
pouquinho antes, vim para casa me arrumar, me vesti à la anos 70 e me mandei
para um "nhoque" na casa do Sérgio Loss, o Loss. Lá conheci Marillion e Limp
Bizkit. O pessoal gostou da minha roupa! Tinha que ter tirado uma foto! O
nhoque tava bom (para mim que não gosto...). Depois fui para o Garagem
Hermética. Vi o show dos Arnaldos e do Frank Jorge. Tava bem legal.
Encontrei 2 ex-colegas meus da Filosofia, um deles o Pedro, ainda vai ser
escritor... (((...)))
Acordei, fui atrasado para o Hospital (cheguei às 9:00), trabalhei, almocei
e fui fazer as medidas hemodinâmicas da tarde. (((...)))
PS: sabe de uma: abrir um agenciamento de familiares: "Você é só? Não tem
filhos? Gostaria de ter um filho ou filha por um dia? E que tal os dois? Ou
você não tem os pais que sonhou? Quer fazer uma experiência com pais novos?
Qual a solução? Ligue já para XXXX-XXXX e solicite uma avaliação do seu
perfil de familiar ideal. Não perca tempo! Se você achava que não podia
escolher seus familiares, agora pode! Junte-se a nós!" {23/05/2001 -
Quarta-feira - 01:50}

{24/05/2001 - Quinta-feira - 16:10}

Na Hora Cultural da África... ...o Ritual do Tamanduá Africano!

0 - 4 - 5 - 9 - 2 - 6 - 7 !

"Demorei mas encontrei você
Que é sincera e agora
Já não quero mais
Essa longa espera, porquê...

Você é meu amorzinho
Você é meu amorzão
Você é o tijolinho
Que faltava na minha construção"

(música tema da Campanha em prol do Hospital da Criança com Diabetes
Conceição)

Festa na casa do Guilherme. Bom. Bem bom! Fui a rigor... Depois, Acústico
(ou era Music Hall?), também bom... Nada de excepcional...
Dormi cedo, mais ou menos 4 horas...
Agora vou arrumar um pouquinho o quarto, depois tocar e então tomar meu
banho. Si falemo! {24/05/20001 - Quinta-feira - 16:31}

{26/05/2001 - Sábado - 21:42}

Sexta: plantão no Conceição... Pizza de calabresa, pedacinho de marguerita,
medidas hemodinâmicas, sepse, vasculite, necrose, tromboangeíte,
trombocitopenia, coagulação intravascular disseminada, síndrome
hemolítico-urêmica, João Marcelo, Hervê e Pérsio, Conde von Schupenpausen
Doucusowski, coisas do gênero...
Sábado: plantão na MAE Emergências Médicas... Média de idade dos
atendimentos: 80 anos... Angina, Crise Hipertensiva, Pneumonia, Ataque
Isquêmico Transitório, Convulsão e Período Pós-Ictal, pão-de-ló, Fruki e
churrasco e, para terminar, Street Fighter no Playstation...
Agora: sono, cansaço, fadiga, desânimo, irritabilidade fácil, inanição...
Amanhã: almoço fora, visita da Juliana, (((...))), plantão em Novo Hamburgo.

- "Faca na bota, ela é faca na bota..."
- "Pois é, eu nem acreditei..."
- "Mas você viu o que ela fez?"
- "Nossa cara, inacreditável!"
- "Inacreditável? Impossível, isso sim!"
- "Impossível, impossível!..."
- "Olha, ainda não estou acreditando..."
- "Acredite, é verdade!"
- "Será? Será mesmo?"
- "Podes crer!"
- "Então tá! Acredito em você!"
- "Podes crer, podes crer!"

Lolita, Doritos, Paquita, Normita, que habita, gosto de caldo de cana,
profana, que abana, em Havana, sem pestnejar, à beira do mar, à luz do luar,
me fazendo sorrir e em seguida chorar... {26/05/2001 - Sábado - 22:02}

{28/05/2001 - Segunda-feira - 22:58}

(((...)))
Domingo dormi até 10 pra uma, fui almoçar com a mãe e a vó no "Sujinho"
(Churrascaria Princesa Isabel), depois fui com a Juliana, minha prima no
Brique, aí deixei a Ju em casa, arrumei as coisas para o plantão (((...))).
Ontem de madrugada, lá pela uma hora, publiquei minha página na Internet.
Olha só o endereço: http://simplicissimo.tripod.com.br. Trata de assuntos
dos mais variados. De tudo, enfim... Sem restrições. Tenho que melhorar, mas
já é um começo. Revolução...
"Toquem o meu coração
Façam a revolução
Está no ar
Nas ondas do rádio
No submundo
Repousa o repúdio
Que vai nos libertar uou!" {28/05/2001 - Segunda-feira - 23:09}

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EDIÇÕES ANTERIORES: www.tudoestaimpressonoeteruniversal.blogspot.com

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LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
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científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
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composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

Atualmente o Simplicíssimo conta com [111] assinantes + [15] leitores
convidados

Rafael Reinehr 12:04 PM

Sexta-feira, Abril 25, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade "a cada 168 horas", mais ou
menos
25/04/2003 - Edição número 20 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Atchim! Saúde, né!?"
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. O pronome *eu* e a atribuição de atitudes proposicionais ..........César
Schirmer dos Santos

3. Espaço místico - Astrologia: o autoconhecimento através do estudo dos
astros......................Daiana da Silva

4. As casas coloridas de Porto...............................Juliana Robin

5. A Cartilha do Simplicíssimo (em 16 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

6. Escrever por Escrever XVI
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

7. Kritik und Kommentar

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1. Editorial

Pneumonia asiática (ou canadense) batendo à nossa porta (ou entrando
pela nossa janela) e o mundo segue a girar... Elocubrando: será que esse
vírus não foi manipulado e criado em um laboratório norte-americano e
lançado lá na China (perto da Coréia do Norte, sabe...) durante a guerra (ou
um pouquinho antes) enquanto as atenções estavam voltadas para o Iraque,
para, ao invés de enfrentar o furacão atômico vermelho em outra guerra, o
tal vírus fizesse o trabalho? (é incrível como escrevo frases longas sem
ponto final...; tenho que melhorar isso!) O tal vírus poderia ter sido
inoculado lá por um agente da CIA disfarçado... É abominável pensar isso!
Seguindo o raciocínio, porque não existem casos nos EUA? Talvez porque
casualmente, ainda não tenham chegado lá... Mas também, se vierem a chegar,
a vacina (ou o antídoto já são conhecidos) e só vão ser expostos quando a
população americana estiver em grande risco (ou quando o objetivo de
eliminar parte da população amarela (especialmente norte-coreana) estiver
cumprido. Mas, devaneios a parte, isso daria um bom filme de ação...

Faz algum tempo que não consigo ir ao Sarau Elétrico... Tenho um curso
nas terças até às 22 horas até fim de maio... Para quem não sabe, o Sarau
Elétrico é um dos eventos mais interessantes da noite portoalegrense (é
junto que se escreve?). Lá o Luis Augusto Fischer, a Kátia Suman e o Frank
Jorge, com participação especial do Cláudio Moreno fazem uma das mais
interessantes atividades literárias que se tem conhecimento: leitura de
textos, em prosa e poesia, sempre com um tema interessante, seguido de uma
apresentação musical. Acontece no Ocidente, ali na Oswaldo Aranha, em frente
ao Araújo Vianna, sempre lá pelas 21:00 (nas terças!). Vale a pena conferir.
E não chegue atrasado senão não conseguirás lugar para sentar! A propósito:
tenho que conseguir o e-mail do Frank Jorge para incluí-lo como assinante do
Simplicíssimo. Essa figura é ímpar! O Fischer já incluí. Quem não o conhece,
conhece mas talvez não ligue o nome à pessoa: autor do Dicionário Impreciso
de Porto-Alegrês (que quem ainda não possui, deve ir correndo adquirir!),
entre milhares de outras atividades...

Chegamos à edição de número 20, em exato meio ano de vida! Momento de
comemoração, ainda mais que ultrapassamos a "barreira psicológica" (termo
tão em voga na economia hoje em dia) dos 100 assinantes. Nessa edição,
passamos a contar com exatos 101 leitores (entre ocasionais, assíduos e
"sabe lá há quanto tempo não abriram a caixa de e-mail"). Muito nos honra
esse aumento lento mas gradual do número de bravos resistentes. Em breve,
estaremos ampliando esse número, já que, até julho deste ano, o
Simplicíssimo também terá sua página exclusiva na Internet, após tratativas
com João Francisco C. de Oliveira, consultor e designer gráfico de páginas
de Internet (entre outras funções). Com a página, a interatividade
leitores-jornal e mesmo leitores-leitores será muito maior proporcionando
deleite a prazer aumentados na degustação mental dos artigos publicados.

Nessa edição contamos com uma nova seção inconstante - Kritik und
Kommentar - onde nossos leitores enviam críticas e comentários acerca dos
artigos, ensaios ou textos enviados por outros colaboradores/leitores. Mais
uma vez, "você dono de um jornal"! Sinta-se livre para participar! A
propósito: A Cartilha do Simplicíssimo já está terminando na próxima edição!
Aguardem um substituto à altura!

A Psicodelia Infinita Impressa No Éter Universal está apenas começando!
A jornada é sinuosa e circular ao mesmo tempo... Vamos juntos nessa que quem
tá na chuva é pra se molhar (ou coisa assim...)!

Rafael Luiz Reinehr

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2. O pronome *eu* e a atribuição de atitudes proposicionais
César Schirmer dos Santos
UFRGS

11 de abril de 2003

Lois Lane conhece o Super-Homem e conhece Clark Kent, mas não sabe que os
dois são a mesma pessoa. Ela acredita que o Super-Homem é mais forte do que
Clark
Kent. Isto quer dizer que ela acredita que esta pessoa é mais forte do que
ela mesma?

Suponhamos que Lois Lane seja uma pessoa racional, e que não exista nenhum
problema afetando suas faculdades mentais. Nestas condições, podemos supor
que uma pessoa não acreditaria que alguma coisa ou pessoa é mais forte do
que é,
ou mais pesado ou mais rico do que é etc. De tal tipo de pessoa poderíamos
esperar a crença que algo é tão forte, pesado ou rico (etc.) quanto é.

Se perguntamos a Lois Lane, ela responde que o Super-Homem é tão forte
quanto ele mesmo é, e que Clark Kent é tão forte quanto ele mesmo é. Mas,
como eu
já disse, ela acredita que o Super-Homem é mais forte do que Clark Kent.
Como
resolver o problema da atribuição destas crenças a Lois Lane sem
considerá-la irracional (como eu já disse, essa hipótese deve ser
descartada)?

Comecemos, em primeiro lugar, pela informação disponível a Lois Lane. O
Super-Homem e Clark Kent se apresentam de maneira bastante diferente a ela.
Assim, seu desconhecimento da identidade secreta do Super-Homem não a
constrange, a priori, a suspeitar que a mesma é Clark Kent.

Do ponto de vista dela, sua crença que o Super-Homem é mais forte do que
Clark Kent está plenamente justificada. Ela não comete nenhuma
irracionalidade do
tipo acreditar que exista algum x tal que 'x != x', isto é, ela tem esta
crença apesar de não acreditar que alguma coisa é mais forte do que é.

As dificuldades se apresentam na terceira pessoa, do ponto de vista da
pessoa que atribui crenças a Lois Lane. Do ponto de vista do Super-Homem ( =
Clark
Kent), por exemplo. Digamos que ela expresse a ele esta sua crença, isto é:
que ela diga ao (pessoa que se apresenta a ela como) Super-Homem que o
considera
mais forte do que Clark Kent, ou que diga ao (pessoa que se apresenta a ela
como) Clark Kent que o considera mais fraco do que o Super-Homem. O
Super-Homem / Clark Kent estaria plenamente autorizado a atribuir a Lois
Lane a seguinte
crença: "Lois Lane acredita que eu sou mais forte do que eu mesmo". Ora, ao
mesmo tempo uma tal crença é irracional e corretamente atribuída. Aqui está
o nó deste quebra-cabeças.

A questão dura, do ponto de vista da terceira pessoa, é saber se Lois Lane,
apesar de acreditar, para qualquer x, que 'x = x', acredita que há um x tal
que 'x != x'. Esta questão é importante porque boa parte da comunicação (e
consequentemente da própria racionalidade) humana apóia-se na atribuição de
crenças e outras atitudes proposicionais (como desejo, conhecimento etc.) a
terceiros.

Entendemos, seguindo N. Soames (em "Reflexivity"), que Lois Lane tem *as
duas* crenças. Ela crê (segundo seu próprio ponto de vista) que Super-Homem
é mais
forte do que Clark Kent, apesar de não acreditar que exista algum x tal que
'x != x', e também (segundo o ponto de vista da terceira pessoa) que
Super-Homem é mais forte que Super-Homem, ou que Clark Kent é mais forte do
que Clark Kent
(isto é evidenciado quando Super-Homem / Clark Kent usa o pronome *eu*, como
em "Lois Lane crê que eu sou mais forte do que eu"). De fato
(empiricamente),
sem irracionalidade, Lois Lane crê que não há nenhum x tal que 'x != x', e
também que há um x tal que 'x != x'.

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3. Astrologia: o autoconhecimento através do estudo dos astros
Daiana da Silva

Através do mapa astrológico é possível descobrir os caminhos que cada pessoa
tem de passar

Mesmo de uma forma rudimentar, a astrologia já era praticada na Mesopotâmia,
em torno de cinco mil anos antes de Cristo. Com o passar dos tempos, o
estudo dos astros e sua ligação com a humanidade, foi mudando seu foco e sua
direção. A partir daí surgiram vários ramos que podem ser observados até os
dias de hoje. Conversei com a astróloga e psicóloga santa-cruzense Isabel
Müller, que contou um pouco mais do que vem a ser esta forma de
autoconhecimento.

Foi na Grécia que a Astrologia se estabilizou. Os primeiros grandes
filósofos afirmaram a interdependência do homem com o universo. Desta forma,
desenvolveu-se a Astrologia Pessoal. As informações sobre o coletivo abriram
espaço para o individual. Segundo Isabel Müller, que há dez anos trabalha
com Astrologia para jornais e pessoas de todo o Brasil, as pessoas estão se
dando conta da ligação entre o que acontece na terra e o que está sendo
sinalizado no céu. "As pessoas não procuram mais a Astrologia com o sentido
de uma previsão ou de uma superstição. É muito mais no sentido do
auto-conhecimento, prá entender o que elas vieram fazer aqui, quais as
potencialidades que elas tem", relata a astróloga.

Para fazer esta análise, a profissional desenvolve o mapa astral. Ele é
baseado na data, local e horário de nascimento. "O mapa é um retrato do céu
no momento em que a pessoa nasceu", diz Isabel. Assim, cada indivíduo possui
o seu mapa personalizado. O posicionamento dos planetas naquele instante
será o responsável pelas características particulares de cada um. "Muitas
pessoas tem uma idéia errada da Astrologia, como sendo unicamente o signo.
Na verdade, é um estudo bem complexo que envolve vários posicionamentos
astrológicos", afirma.

Os movimentos planetários sinalizam os acontecimentos na terra. Como este
movimento é constante, cada momento muda conforme a posição que os planetas
assumem. Conforme Isabel, até mesmo a física está revelando o fato de que
tudo é energia e de que existe uma interconexão entre todos os fenômenos. "A
idéia da Astrologia é: assim na terra como no céu, mas mais no sentido de
uma correspondência, porque na verdade tudo está ligado, é só a gente
prestar um pouco mais de atenção", ressalta a astróloga.

Para simplificar os planetas mais importantes do mapa astral, Isabel resume
o sol, ou o signo de cada um, como o presente, o objetivo de cada pessoa
estar viva. A lua significa o passado, a infância e o comportamento ditado
por um condicionamento familiar, biológico ou social. O ascendente
representa a impressão que as pessoas tem daquela pessoa. É a imagem do
futuro do indivíduo. Isabel Müller atende individualmente através do site
www.astroarte.com.br ou pelo telefone (51) 3515 3374.

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4. As casas coloridas de Porto:
Juliana Robin*

Casa Rosa: Na real, o nome é Pink Délik...mas a galera chama de "casa rosa"
mesmo. Fica ali na esquina da Cristóvão Colombo com a Garibadi. Quase toda
sexta (ou sábado-às vezes) rola show por lá, bandas aqui de Porto mesmo,
novas ou clássicas sempre tem um som legal rolando. Graças aos vizinhos
amados, a entrada é itinerante. Às vezes na Garibaldi às vezes na
Cristóvão...mas ultimamente tem sido na Garibaldi. É claro, não pretenda ir
ao banheiro da Casa Rosa (é pra isso q existe o
bambus...hehehe-brincadeirinha). Mas o pessoal eh muito bacana. Parece um
túnel do tempo. Retrô total!
Lembrou-me bastante o antigo Garagem por dentro (algumas partes.) o q me fez
gostar da casa rosa logo de cara! Geralmente a função começa à 1:00 ou 2:00
horas. E são cinco reais para entrar, mas a primeira vez que eu fui, paguei
três reais e um bubaloo (aquele chiclete gosmento..). Enfim, sempre rola do
pessoal ir, ou passar por lá no meio de uma banda, vale a pena.

Casa Amarela: Bom, veja bem, ainda não fui lá. Mas parece legal (pra fazer
aquela média com um parceiro que trabalha lá)...hehehe. Passei pela frente e
estava cheio... tocando uma banda de rock n roll psicodélico daqui de Porto,
bem legal! Para a minha enorme surpresa, a casa amarela é realmente
amarela!! (sinceramente eu não esperava por isso)...hehehe. Bom, essas são
todas as informações que eu posso dar...seria uma boa se vocês pudessem ir

e conferir para dar umas dicas para esse ser aqui!! (isso, vamos trocar
figurihas..que bonitinho!!) Mas eu prometo que vou lá logo, logo. E nas
próximas edições já terá alguma coisa sobre a Casa Amarela aqui, ok?

Revolver: um lugar muito legal! Bah, por falar nisso estou devendo uma
Barbie pro pessoal colocar na porta de um dos banheiros.sim, porque um dos
três nao
tem porta...o clássico banheiro sem porta do revolver...heheh.Tem também um
estúdio muito bom lá: ar condicionado, bom espaço e som legal! Quando rola
banda, o pessoal fica tocando no estúdio e o show é transmitido (arram,
igual a doença) para uma televisão no andar de cima (acho que tem três
andares...). O espaço é bem legal e a decoração já vale a "ida"! Reza a
lenda que tem também uma pizzaria lá (mas eu nunca vi...nem sob efeito de
nenhuma
droga). Tem uma mesa de sinuca no andar bem de baixo (bah, quanto coisa
nesse Revolver, heim!?)...hehehe. Talvez tem mais várias coisas lá q a minha

filosofia não consegue alcançar, mas tu só vai descobrindo quando vai
vencendo as fases e mudando de nível (ih.tri "video game" ou não...). Bah...

Bambus: se você está por essas bandas é certo que você vai dar uma
passadinha no Bambus, seja para ir no banhiero, comprar uma bebida ou
cigarro ou para tentar levar uma garrafada na cabeça mesmo...hehehe
(brincadeirinha. Se não vocês não vão!...heheh). Sexta-feira é quando o
pessoal aparece em peso, é praticamente impossível não encontrar alguém
conhecido por lá (a não ser que você seja um ermitão ou realmente
anti-social). E mesmo que não conheça, vai conhecer certo...(a não ser que
você seja reeeealmente anti-social. Bah!) heheh. Vai lá e confere, é um
barzinho legal p encontrar a galera. Beber algo ou até mesmo comer alguma
coisinha(se pintar aqueeeeela larica. Heheh),é o tipo do lugar que TEM que
ir e ver qual é.

Especial!!! Em primeira primeiríssima mão(ou nem tanto): "adivinhem se a
'metida mor' aqui já não meteu o nariz no NOVO GARAGEM HERMÉTICA?!?!?!
Reformado, pintado e de sofá novo!!! Sim, sofá novo (aquele antigo foi para
a Fun House. Mas quem não suportar a ausência do "fofinho" pode ir na casa
dos
guris matar as saudades.).
Depois de muito trabalho e muito suor do Fernando e do Ademir (parceria que
me permitiu a emocionante entrada ao saudoso Garagem durante uma noite de
quarta feira... e que merece até umas boas linhas à parte aqui no
Siplicíssimo, o cara realmente ajudou e agitou para que o Garagem voltasse
às suas atividades.) o "barulho" mais confirmado das noites de Porto prepara
os últimos detalhes para uma super volta! Mais espaçoso, na sua nova versão
em que o camarim desapareceu e o palco trocou de lugar com o bar, o Garagem
tem agora um "altar" especial para aqueeeela porta da entrada (entre a
entrada e o antigo "hall") que tem muita história pra contar-muitas
assinaturas e inclusive uma faixa de "interditado".
Arte é o que não falta pelas paredes internas. E no gancho "Casas Coloridas
de Porto" fiquei sabendo que o antigo laranja da fachada logo será
substituído por uma cor nova e inusitada (ai ai ai, o que nos espera?!?!?).
Independente da cor, ou da "disposição dos móveis" vou seeeempre me sentir
em casa (olha o texto umbigal aí!!). Agora sou a filha que se sente segura
novamente por ter sempre um porto seguro para ancorar quando a noite estiver
me sugando as últimas energias e eu estiver fugindo de um lugar chato, som
ruim ou até mesmo do conselho tutelar (eh phoda, pirralha é assim mesmo.)!

*Esta é uma pequena e singelinha apresentação do ser que vos escreve, ser
que
apesar de dormir abraçado com uma joaninha de pelúcia gigante, é gente boa.e
tem o maior prazer e honra de escrever para o Simplicíssimo.
É mesmo de se estranhar que uma guriazinha metida que anda de preto e ainda
por cima tem de fugir do conselho tutelar, escreva algo sobre as "casas
noturnas" de Porto. Mas eu juro que GOSTO disso e me "puxo" para dar um
informação descontraída e completa..e me diga: existe algo melhor do que
fazer o que se gosta?(Se existe, por favor me diga..mesmo..hehehe). A minha
boa vontade está a disposição do zine e dos seus leitores(sim, vocês!!) que
podem(e devem!!) dar suas dicas e meter suas respectivas
colheres..aliás(sempre que digo ou escrevo "aliás" imagino várias
"elefantas" de circo passando na minha frente..porquê?! Não sei.), meu
e-mail é jugothic@hotmail.com está aberto para receber o seu "oi", sua
sugestão ou o seu xingamento(ai, coitadinha de mim.sou tão sensível.se
xingar xinga de leve, tá?!).Espero que gostem, se divirtam ou pelo menos não
sintam vontade de se matar após ler meus textinhos!
Beijos Ju

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5. A Cartilha do Simplicíssimo (em 16 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 15

O môço de blusa azul é Cláudio.
Êle ensina em nossa classe noturna.
A classe noturna é para os trabalhadores.
A classe está estudando geografia.
Ontem Cláudio nos mostrou um globo.
O globo parece uma bola.
Êle disse que o globo representa o mundo.
Ensinou que o mundo não é plano.
É redondo como uma bola.
No globo há o mapa do Brasil.
O Brasil é a nossa pátria.

pla cla glo flo blu
plano classe globo flor blusa
planta Cláudio

- Você sabe tocar flauta?
- Não, eu não sei tocar flauta.
- Mas eu gosto de tocar guitarra.
E meu primo toca clarineta.
- Que é clarineta?
- É um instrumento de sôpro como a flauta.
- Você conhece muitos instrumentos?
- Conheço flauta, guitarra, clarineta e gaita.

gaita clarineta

guitarra gui

i ê é
gui gue gue

João sabe guiar bem.
Êle tem carteira de motorista.
Êle pode guiar jipe.
Êle pode guiar caminhão.

Guiomar queria um emprêgo doméstico.
Ela arranjou emprêgo na casa de dona Guida.
Mas não sabia ir até lá.
Uma criança guiou-a até à casa de dona Guida.
No dia seguinte Guiomar começou a trabalhar.

Júlio queria procurar emprêgo em Brasília.
Não tinha carteira de motorista.
Não tinha caminhão.
Arranjou caminhão para levar a família.
O motorista queria ir no dia seguinte.
No dia seguinte êles viajaram.

gui gui gue
guiar seguir guerra
guiando seguinte

quatro qua

desce esce

Mário tem quatro anos.
Êle começou a descer a escada e quase caiu.
Mário deve descer a escada com cuidado.
O irmão de Mário nasceu em dezembro.
Êle tem quatro meses.
Êle não pode descer a escada.

ô a ó ê i é
quo qua quo asce asci asce

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6. Escrever por Escrever XVI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{15/05/2001 - Terça-feira - 22:42}

Aqui estou, vendo Casseta & Planeta, comendo Cheetos original e matutando...
Bem, estamos sem ensaiar com a The Brains há mais de 6 meses, acho...
Gostaria de reativá-la e gravar logo um CD com as nossas músicas... Tem
algumas bem legais, que o público iria gostar. Dava até para tocar por aí...
"Porto Alegre é tão pequena, e tão ingênua
Estamos longe demais das capitais..."

Porto Alegre é mesmo pequena. É incrível como eu encontro pessoas conhecidas
em qualquer lugar que eu vá! Não consigo me esconder de ninguém se quiser.
Isso é preocupante quando não se quer encontrar determinadas pessoas.
Tive uma idéia esses dias: fazer uma espécie de "Árvore Genealógica" ou
"Árvore Amigológica", onde vou colocar os nomes e relações com meus
principais amigos e conhecidos, e aproximadamente quando e onde nos
conhecemos. Depois de pronto, vai ser bem interessante! Posso fazer algo
também como uma "Linha da Vida", colocando de forma cronológica as pessoas à
medida que as fui conhecendo! Cool!
Certamente deixarei muitas pessoas de fora, mas o objetivo não é fazer um
resgate histórico completo, mas deixar registradas minhas amizades a partir
de agora...
Dia 24 de maio vai ter paralização nacional dos médicos residentes
novamente, para pedir reajuste dos 7 anos sem aumento da bolsa de
residência. Que vergonha! Olha, eu fico muito indignado com isso. Poderia
ter uma qualidade de vida muito melhor e não precisaria estar fazendo esses
"bicos" por aí para complementar a renda. Espero que dessa vez tenhamos
retorno do governo federal. Duvido muito, mas... dizem que a Esperança é a
última que morre...
Banda Larga. {15/05/2001 - Terça-feira - 23:08}

{19/05/2001 - Sábado - 20:59}

Tãmus aí pru qui dé i vié morô!?
Tô aqui com a Carol, que está em PoA desde ontem. Ontem ela passou parte da
manhã comigo lá no HNSC, depois fomos comer pizza na Cia. Das Pizzas, aí
viemos para casa, fomos "um pouquinho" para embaixo das cobertas e, bem,
realmente não consegui ir para minha aula de Antropologia Visual. Sem
condições!... À noite fomos na janta de reencontro da minha turma da
faculdade; um churras lá na sede da AMRIGS. Bem bom rever aquelas caras
todas! Devia ter uns 30 ou 40 colegas. Cada um lembra uma história! Viemos
para casa cedo, cerca de meia-noite e meia...
Hoje acordamos quase ao meio-dia, fomos almoçar no chinês, encontramos a
Sabrina, lá de Agudo, depois fomos no Brechó By Lu, ali na Oswaldo Aranha,
onde me diverti pra caramba e acbei comprando R$ 531,00 em roupas usadas. Du
caramba. Muito legal. Comprei 2 ternos, uma calça, dois casacos de peles, um
casaco de couro, várias gravatas, um óculos, um boné que nem o do Chaves e
uma espécie de manta, que tem um nome específico mas que não me vem a cabeça
agora. Ah! Também comprei três camisas muitcho loucas! Daqui a pouco vou
abrir meu próprio Brechó!
Depois, fomos no Cinemark para assistir Miss Simpatia, com a Sandra Bullock.
Vale a pena! Bem divertido. Dá para rir de montão! Além do que, aquela
mulher é um tesão!!! Que deusa!!!

Agora eu e a Carol vamos jantar com o Basso e a Dani e o Ghisolfi e a
Vanessa, a nova "namo" dele, lá no Marcellu's, na Protásio Alves (rodízio de
filés!). Depois acho que vamos sair. Que frio! Amanhã a Carol já vai embora.
Amanhã também vem minha vó. Vozinha Helga! À noite trabalharei em NH
novamente. Bem, escrevo lá denovo. Hugs... {19/05/2001 - Sábado - 21:12}

{20/05/2001 - Domingo - 22:22}

"Minha filha pelo amor de Deus, não vá pra Oswaldo Aranha..."

Carolina, Cíntia, Clarissa, Débora, Evelise, Juliana, Juliana, Karla,
Luciana, Maria Cláudia, Mari, Michele, Michele, Michele, Michele, Weruska,
nomes e pessoas, significados e significâncias, significantes e pouco
significantes, coisas e loisas, coisa e tal...
Tantos nomes, tantas pessoas, paradas na esquina, assistindo a cena, tantos
problemas, ecos na esquina, lendo jornais e além do mais não querem nem
saber, só sabem escrever quando não lêem o que escrevem, escrevem sem
querer, ser o que não são, não é a solução, é o respeito por aquilo que é
feito, sem jeito, mas... ...que jeito!
Não me decido. E sei que tenho. Sei que devo. Não é certo fazer o que estou
fazendo. Não é ilegal, mas não é legal... Ficar com as pessoas e lhes dar a
falsa sensação de que são as únicas em minha vida. Sensação essa que eu
gostaria que fosse verdade, ou seja: gostaria de estar realmente apaixonado
por uma pessoa só, amando e sendo amado, sem ao menos ter vontade de olhar
para o lado. Mas não estou assim. Talvez eu seja assim, mas não estou
assim...
Hershey's chocolates...
Vou dar uma lida em alguns textos agora. Tenho que fazer uma espécie de
"dicionário" de termos políticos. Vai ser interessante. Ainda tenho que
escrever meu texto: "A Queda da Bastilha e a Queda de Brasília". Vai ficar
para outra hora.
Vamos criar o NEAA: Núcleo de Estudos Aleatórios Avançados. Terá vários
departamentos: de Ufologia, de "Estratégias Alimentares", de Medicina, de
Filosofia, e assim por diante. Esperemos. Funcionará? {20/05/2001 -
Domingo - 22:38}

{20/05/2001 - Domingo - 22:57}
Agora há pouco tive uma idéia: mudar meu sobrenome. É: mudar meu sobrenome!
É ele quem identifica minha prole, minha família. Gostaria de ser o
patriarca de uma nova família. É uma idéia que tenho que maturar. Enquanto
isso, vou pensando em alguns sobrenomes interessantes, como Mc
Losereinehrkann ou coisas do gênero... {20/05/2001 - Domingo - 23:00}

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7. Kritik und Kommentar

Olá César,
Aqui é o Eduardo, um amigo do Rafael e um recente contribuinte do
Simplicíssimo. Escrevo porque achei bem interessante seu texto (parabéns) e
porque ele coincidiu com algumas de minhas reflexões. Aliás, vejo com
esperança o fato de muita gente ter se voltado para o tema ultimamente.
Graças a Deus, a Bush ou a ambos (note que, diferentemente do que este
último pensa, não são, definitivamente, a mesma pessoa). Ocorre que, por
ocasião da derrubada dos inúmeros monumentos e estátuas de Saddam, senti um
grande vazio e mesmo um sentimento de desolação. Não era nada parecido com o
momento da derrubada do muro de Berlim (Alemanha - daí o link com seu
artigo), onde o mundo vibrava e entoava em coro todo e qualquer hino de
liberdade. Uma manifestação notoriamente genuína e global, sem nenhuma
contestação da sua legitimidade. O discurso de Bush bem que tentou, mas de
início sua cara forçada de "santo do pau oco" já nos fez descrer do conteúdo
de suas palavras. Talvez se todos nós tivéssemos o Q.I. que ele tem, seria
diferente. Bush adentrou o país para libertar o povo iraquiano, mesmo que
isso fosse entendido como a oportunidade de suas almas deixarem seus corpos
secos. E em meio a desorganizadas manifestações de diferentes grupos de
guerrilhas, população saqueando a si mesmo e outros absurdos humanos, os
E.U.A. partem para o país vizinho. Deve ter um grande tabuleiro do jogo WAR
no salão principal da Casabranca. Fico imaginando toda a cúpula do país
(para eles a cúpula do mundo ou quem sabe até mesmo da via láctea) entertida
em seu passatempo preferido. E a tática dos então auto-entitulados "senhora
do universo" é aquela tipicamente usada pela criança mal-educada (de falta
de educação mesmo, ausência de tão saudáveis e maduros limites): "eu quero,
eu quero e eu quero!". A mãe ONU bem que tenta, mas a criança, dotada de
todo poderio bélico e tecnológico, parte para a ação: "ou dá ou desce". Que
espetáculo estamos assisitindo. Um "toma lá dá cá" sem fim. No fatídico 11
de setembro, assisita as cenas dantescas que a mídia nos oferecia em tempo
real e aliava-me aos nova-iorquinos em seu sofrimento, quando o prefeito da
cidade interompe as imagens entonando uma grande besteira, mais ou menos
assim: "vejam como a população está empenhada na busca de sobrevivientes e
auxílio aos feridos. Por isso somos o melhor povo do mundo!". Desliguei a TV
e vi meus mais recentes sentimentos voltarem-se contra o povo americano por
força do próprio povo americano. Mas ao longo do tempo, a história tem nos
mostrado que toda civilização com tal ânsia de conquista acaba por ter um
fim medíocre. E por vezes me pergunto se a nós so resta esperar ...

Um abraço e obrigado por cutucar meus neurônios.

Eduardo Hostyn Sabbi

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O "Simplicíssimo" É UM ESPAÇO ABERTO, É REALMENTE "VOCÊ DONO DE UM JORNAL...
...VIRTUAL" COMO OUSARAM DIZER UNS E OUTROS... PENSE NESTE E-ZINE COMO UM
BOM PEDAÇO DE ARGILA QUE PODES MOLDAR AO SEU BEL PRAZER. ENTÃO VENHA: META A
MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS
CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

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Rafael Reinehr 12:03 AM

Sexta-feira, Abril 18, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semanal
18/04/2003 - Edição número 19 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Peixe e Chocolate, Mistura-fina!"
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. 10 Dicas para quem quer encarar o "Faça você mesmo!"
...........................Eduardo Hostyn Sabbi

3. Günter Grass e os bombardeios americanos...........................César
Schirmer dos Santos

4. Ela................................................Quéli C. Giuriatti

5. A Cartilha do Simplicíssimo (em 17 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

6. Escrever por Escrever XV
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Mais um editorial com "trilha sonora". Começa com "Não se reprima" -
Menudos. Essa semana tive uma boa notícia: uma figura muito louca, através
do intermédio de uma leitora e, em breve, colaboradora, propôs o patrocínio
para a impressão e distribuição local do Simplicíssimo! ("Dá pra mim" -
Polegar) Tudo bem, não era esse o objetio inicial do "e-zine", ou seja,
transformar-se em mídia impressa. Mas a idéia me atraiu. Afinal, do jeito
que a coisa vai, chegaremos aos 1000 leitores lá pela edição 327... Noto
que, enquanto muitas pessoas não estão nem aí com a "tiragem" ou o alcance
do jornalzinho, muitas outras estão, e não estão afim de gastar saliva (ou
células mortas da cútis dos dedos e um pouco de trifosfato de adenosina
cerebral) ("Senegal" - Reflexus) com parcos 98 mentes receptoras. Então, a
impressão e distribuição do jornal pode ser um estímulo para mais seres
pensantes registrarem suas idéias e apontamentos...
("Johnny be good" - Chuck Berry) Vamos ver se a idéia sai do papel nos
próximos meses... Chuva gostosa... ("Palpite" - Adriana Calcanhoto)
Essa edição conta com um artigo a mais do que o costume, já que as
colaborações andam a mil! Então galera que enviou artigos ou afins, não se
apoquentem! Tudo vai ser publicado na devida ordem de chegada! Se alguém
quiser seu artigo publicado com prioridade, levante o dedo que o "corpo
editorial" do Simplicíssimo entrará em sessão extraordinária para julgar o
mérito da questão! ("Otherside" - Red Hot Chilli Peppers).
Os três patinhos... Disco amarelo... ("Vale Tudo" - Tim Maia)
Superpateta... Disco azul...
Tinha tanta coisa para escrever... De repente sumiu... ("Amante
Profissional" - Herva Doce)
Essa semana saí da rotina chega em casa morto de cansado , janta e vai
dormir... Na quarta fui com meu amigo Eduardo, a Juliana e seu namorado no
Ocidente ver o Júpiter Apple. Bacana o instrumental da banda. Fazia tempo
que eu não ia ao show do cara. O vocal ficou devendo um pouquinho mas a
zoeira tava muito louca! Muito legal uma música nova, "O Retirante", um tipo
de psicodelia do agreste. O batera matava a pau (literalmente), assim como a
tecladista e o Astronauta nos mini-moogs ("Don´t let me be misunderstood" -
Santa Esmeralda). Ontem fui com minha namorada, Carol, o Eduardo (denovo!) e
uma amiga dele no Vermelho 23 ver os Arnaldos. A articipação do público
deixou a desejar, talvez por ser véspera de feriado. Pôxa, os Arnaldos são
uma das melhores bandas de Porto Alegre! Tava tocando uma banda que eu não
conhecia no som da casa: Suco Elétrico. Muito legal! ("Melô da Popozuda" -
De Falla)
Hoje, plena sexta-feira santa, vai ser pizza e cinema. Carandiru.
("Rádio Pirata" - RPM)
Acho que é isso. "No underground repousa o repúdio que deve
despertar..." Afudê!
("Back to the chain gang" - The Pretenders) Bela música para acabar este
editorial, desejando-vos uma Feliz Páscoa, signifique o que significar para
os não cristãos (olha só a música que entrou agora no Winamp: "Chocolate" -
Tim Maia!!!) , o desejo é mesmo de um bom tempo, um bom dia e uma boa vida a
todos! Que a absurdidade e ignorância históricas que estão a ocorrer a
milhares de quilômetros daqui dissipe-se, temos que ficar firmes na nossa
trajetória, que é a do bem, da verdade e da justiça. Não canso de repetir, é
isso que temos que buscar no nosso dia-a-dia, em cada ação, em cada
pensamento...

Rafael Luiz Reinehr

"Se nos fosse dado viver eternamente,
se o orvalho de Adashino nunca secasse,
se a fumaça em Toribeyana nunca se dissipasse,
então os homens não sentiriam pena das coisas.
Na verdade, a beleza da vida é a sua incerteza."
Yoshida Kenko

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2. 10 Dicas para quem quer encarar o "Faça você mesmo!"
Eduardo Hostyn Sabbi

1. Em primeiro lugar, "Faça você mesmo" não é igual a "é moleza". Não sabe
ler?

2. Olhe bem o produto. Tem manual de instruções? Leia-o com atenção. É um
saco, mas pode ajudar. Se não tiver (eles geralmente acham que quem faz tudo
também sabe tudo), crie umas "você mesmo".

3. Nunca comece no dia em que combinou algo com alguém para depois. Sempre
demora mais do que você pensa e sempre dá alguma coisa errada, de forma que
chegará atrasado e brabo ao compromisso. Uma boa música vai ajudar a
esquecer que o tempo está passando e que você continua sem saber se isso
realmente vai dar certo.

4. Se for usar alguma tecnologia elétrica, tipo furadeira ou coisa parecida,
lembre-se que tudo que for ligado na tomada, inclusive ela própria, pode dar
choque. Por conseqüência, o que não estiver ligado na tomada não causa
choque (mais ou menos). Se você for bem chato e resolver testar até o fim
esta dica, descobrirá também a concretude do ditado "até explicar que
focinho de porco não é tomada", mas terá que comprar um porco antes.

5. Medidas preventivas tais como desligar a chave geral, fechar o registro d
'água, ter uma lanterna e uma farmacinha bem equipada são sempre úteis. Vá
atrás também daquele cartãozinho do cara "faz tudo" (geralmente eles fizeram
algum curso técnico de "fazendo você mesmo"). Você jogou em algum canto da
casa sem dar bola nenhuma, lembra? Mas vai precisar usar no caso de se
irritar e querer quebrar tudo que estiver pela frente (preserve, obviamente,
o cartão "do cara").

6. Atenção para o horário! Vizinhos em geral adoram que você comece a bater
pregos e furar paredes depois das 22 ou antes das 8 da manhã. (se alguém
afirmar que eu disse isso eu nego!).

7. Também atente para os horários em que exista uma ferragem aberta. Sempre
falta alguma coisa besta que trava tudo. Se você já tem algum problema de
coluna, é batata que terá que ir num pronto-socorro depois e já pode
aproveitar para ter um atestado pela falta ao trabalho, escola ou
assemelhados. (não dei idéia nenhuma!)

8. Pintar em dias úmidos é bem bom pra demorar a secar e o cheiro ficar
insuportável. Mas se ainda assim é o que você quer (chato você hein?), avise
um amigo que precisará dormir na casa dele aquela noite (chatíssimo).

9. Se existe alguma expectativa de sujeira, use um pano velho ou jornal para
cobrir o piso antes de começar a função. Aquela velha dica chata da mamãe
faz sentido. Se você acha que não haverá sujeira, use um pano velho ou
jornal para cobrir o piso, pois certamente haverá sujeira!

10. Em geral, coisas do tipo "faça você mesmo" existem aos pampas, mas não
se repetem ou passa muito tempo e você esquece como era. Agora, se você for
o campeão dos chatos, irá se meter nas idéias dos amigos (que geralmente se
transformam em ex-amigos). Assim, a última dica é: sempre antes de começar
um "faça você mesmo", leia estas dicas escritas por "eu mesmo"!

Caso estas dicas lhe foram úteis e você "fez você mesmo", não me importarei
de receber apenas 50% do que economizou, desde que "você mesmo faça" o
depósito!

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3. Günter Grass e os bombardeios americanos
César Schirmer dos Santos
cesarschirmer@yahoo.com.br

8 de abril de 2003

Ao mesmo tempo que assistimos à dor do povo iraquiano causada pela agressão
angloamericana, é lançado nos EUA o último livro de Günter Grass, sobre o
sofrimento do povo alemão na Segunda Guerra ("Crabwalk", Harcourt).

O tema é pouco explorado e é mal documentado. Segundo o autor, muitos
alemães o agradeceram por ter conseguido expressar em palavras seus próprios
sentimentos.
Mas não se trata, especificamente, de um livro que interessa apenas àqueles
que viveram o horror dos bombardeios americanos durante a Segunda Guerra. Os
jovens alemães receberam bem a obra. Isso fez o autor dar uma interpretação
no
mínimo original para alguns protestos que estão ocorrendo na Alemanha. Na
visão do
escritor os protestos dos jovens alemães contra a invasão do Iraque não são
um movimento pacifista, mas sim a lembrança, passada a uma geração
posterior,
do medo e terror dos ataques aéreos dos aliados na Segunda Guerra. Para ele
os
bombardeios às cidades alemãs, na Segunda Guerra, foram criminosos, pois não
tinham nenhum objetivo militar. Ele os compara à agressão contra a cidade
espanhola de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola, representada por
Picasso (cujos 30 anos de morte se completam hoje).

Günter Grass recebeu o Prêmio Nobel de literatura em 1999, e podemos
considerar oportuno o lançamento de tal obra nos EUA, neste momento. Não que
o livro
possa mudar significativamente alguma coisa no modo americano de ver o outro
como
causa dos seus medos, mas fica registrado na língua deles que o outro sofre.
Resta saber se este registro pode ser compreendido pelos americanos, pois
para eles o outro é sempre o agente do Mal, e como tal desprovido de razões
e de
sentimentos humanos. Ou, ao menos, sua própria ação é incondicionalmente o
Bem, e seus fins justificam seus meios.

De qualquer forma, a obra pode ajudar a moldar o imaginário coletivo dos que
reconhecem no outro humanidade. Ainda que os americanos em geral sejam,
talvez, um caso perdido, e que devamos esperar que mais povos (talvez nós
mesmos)
sejamos agredidos por eles, a obra é mais um elemento na composição de um
outro olhar, diferente do olhar antidialético do americano médio.
(Imaginemos o
cenário da dialética do senhor e do escravo de Hegel com um americano
anabolizado vencedor e um iraquiano maltrapilho vencido. Simplesmente não
haveria dialética, pois o americano não veria diante de si um outro, veria
apenas a causa dos seus medos a ser eliminada. Não se trata nem mesmo de
egocentrismo. É autismo.)

Referência

RIDING, Alan. "Günter Grass worries about the effects of war, then and now."
_The New York Times_.
,
8/4/2003.

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4. Ela
Quéli C. Giuriatti

...
Ela...
...
Ler ao som de "I Miss You", Björk...
...
Ela é inteligente e interessante. Bonita e atraente. Otimista e atualizada.
Por vezes, aparenta ter tantos predicados que chega a ser difícil que
algumas pessoas incautas entendam porquê (ainda ?) está sozinha. Sem
namorado, onde já se viu? Sem marido, mas como? Ela cursa uma faculdade, o
meio de locomoção é próprio, possui dinheiro suficiente para viver e se
divertir na conta corrente e tanto o bumbum quanto os seios continuam firmes
em suas posições de ataque. O corpo ainda não sofreu com as leis da
gravidade. Porém, ela sente-se consumida por uma enorme solidão. No seu
quarto, quem dorme só e chora baixinho é ela. Ninguém percebe. Ninguém ouve.
Ninguém vê. E quando, num ato de coragem, desabafa e diz: - Sinto falta de
carinho!, muitos de surpreendem, pois, logo ela, que aparenta tanta
segurança em si mesma, se dói com a falta de amor....
Ela simplesmente está cansada de ser a mulher do meio do caminho. Ela está
cansada de receber elogios de homens que apenas se divertem na sua
companhia. Ela está cansada de seu um passatempo no jogo dos indecisos e dos
desencontrados. Ela está cansada de não ser prioridade na vida de alguém.
Ela está cansada de dar espaço para quem logo vai embora, deixando um vazio
sequer preenchido por palavras educadas ou de consideração. Ela está cansada
de entregar amor e receber apenas sexo em troca. ...
Em resposta a sua incompreendida estafa, ela pergunta aos duvidosos: - Quem
não conhece um homem que ainda não está preparado para um relacionamento? -
Que não sabe ao certo o que quer? - Que, quem sabe amanhã, esteja a fim de
ficar a fim de alguém, mas que hoje não, nem pensar, não dá? - Que tem outra
na cabeça, que não sai de jeito maneira, que prefere pensar nela do que
esquecê-la, é mais fácil assim, não é? - Que tem uma aliança no dedo e um
filho para criar? - Que tem uma lista dentro da agenda com os números que
totalizam as fodas com as mulheres que ficaram pelo meio do caminho? - Que
tem um botão que liga e/ou desliga o módulo "envolver-se'' e "não se
envolver''?...
Por favor, não chamem esta mulher de amargurada. Ela apenas está cansada.
...
O mesmo mundo moderno que a libertou de uma escravidão social secular serve
de prisão. Os grilhões são outros. Os algozes, diferentes. Ela já pode
expressar seus desejos. Ela já declara que está a fim de alguém, assim, na
lata. Ela já não pensa no que os outros vão pensar. Ela já sabe o que
quer...Mas não encontra. ...
Não digam que é má vontade ou excesso de exigência da parte dela. Na real,
ela assusta. Mesmo sem querer. E sofre do mal do medo de nunca encontrar um
outro alguém.

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5. A Cartilha do Simplicíssimo (em 17 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 14

Em nossa cidade há um homem bom e trabalhador.
Êle é operário honrado.
À tardinha êle volta para casa.
Encontra tudo em ordem.
Sua espôsa cuida muito bem da casa.
Êste homem é muito feliz.
Tudo em casa tem horário.
A comida está na mesa sempre à hora certa.
O homem é calmo e está sempre bem-humorado.
Êle é hospitaleiro.
Êle recebe seus amigos em sua casa bem-arrumada.

O operário ficou doente.
Ficará nove dias no hospital.
Ainda está doente no hospital.
Êle é bem-humorado.
O hospital tem horário certo.
A comida vem bem na hora.
No hospital usa-se de muita higiene.

Juvenal é lavrador.
Seu filho lhe deu um livro que ensina a lavrar.
Êle o comprou na livraria de Paulo.
Juvenal gosta de trabalhar ao ar livre.

livro vro

O bom livro é amigo do homem.
É amigo que ensina livremente.
Nas grandes livrarias há livros de todo tipo.
Há livrinhos de histórias para crianças.
Livrinhos são também chamados livretes.
O livreiro vende livros.
Livreco é o livro sem valor.

u ê ô i é ó a
vru vre vro vri vre vro vra

Clara ganhou uma xícara.
A xícara é azul e dourada.
A xícara está sobre a mesa.

xícara xi Xi

Noêmia tem um guarda-chuva.
O guarda-chuva de Noêmia é azul.
Noêmia ganhou seu guarda-chuva da Zélia.

Um dia Clara usou o guarda-chuva da Noêmia.
Soprou um vento muito forte.
O vento quebrou o guarda-chuva.
Noêmia não usa mais o guarda-chuva.

guarda-chuva guar

a ó ô i u ê é
gua
xa xo xo xi xu xe xe

planta plan

O tempo era bom para o plantio.
Paulo foi plantar flôres no seu jardim.
Êle levou o cachorro.
O cachorro não ajudou a plantar flôres.
Correu pelo jardim.
Estragou as plantas.
Pôs as patas na blusa de Paulo.
Sujou a blusa de Paulo.
Paulo ficou zangado e prendeu o cachorro.

flor

blusa blu

a u ê é i ô ó
pla plu ple ple pli plo plo
fla flu fle fle fli flo flo
bla blu ble ble bli blo blo

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6. Escrever por Escrever
Rafael Luiz Reinehr

{13/05/2001 - Domingo - 21:12}

Ahã-ahã... Tã-nã-nã-nã-nã... Ahã-ahã...

Que loucura! Na quinta não teve aula (ela quarta vez!) de Filosofia da
Ciência. Me ligou a Michele, de Seberi, que conheci no DCE em Santa Maria e
com quem ficava no começo do ano passado. Ela faz Engenharia Química na
UFSM. Muito bonita, querida e carinhosa. Tava mesmo com saudades. Que bom
que ela ligou! Agora vamos manter contato com mais freqüência. Prometo
ligar!
Fui com a Jana e a Cris no Jekyll. No brechó que tinha lá dentro acabei
comprando duas camisas, duas calças boca-de-sino, dois casacos de inverno,
um terno e dois óculos muito malucos! Por tudo paguei R$190,00!
No Jekyll encontrei o Diego, meu ex-colega da Filosofia, que largou e agora
quer fazer Medicina, a Lu, a sempre Lu "Senhorita Morte" da Biblioteconomia,
minha amigona, e a Evelise, minha também superamiga que não via há tempos,
com seu novo namorado, a irmã e o namorado.
A festa tava com cara de que ia ficar fraca. Acabamos indo para o Elo
Perdido: muuuuuito afudê! Tinha um show da "Os The Dharma Lóvers" que foi
uma coisa muito Zen,
esotérico-oriental-alternativo-humanista-ecológico-conscientizador-energétic
o... Ou algo assim... sabe?
Tava lá a irmã da Jana, a Gisele, com duas amigas, a Clarissa e a Camila.
(((...))) Todas do sétimo semestre de Medicina da UFRGS. Fomos para o andar
de cima para dançar. Dancei um monte, me diverti, joguei fora uns
papos-furados, (((...)))
Sexta trabalhei normal, não saí, dormi. (((...)))
Sábado plantão de 24 horas na UTI do Conceição. Foi bem bom. Durante o dia
fiquei com o Roberto Fasolo na área 2. Cuidei de 6 pacientes. Na noite
fiquei com o Dr. Pérsio, cuidando os mesmos seis pacientes. O dia foi
corrido, com pacientes sépticas e hipotensas, mas tudo revertido a contento.
Acho que tenho um certo "feeling" para intensivismo. Me daria bem... À
noite, terminamos tudo à meia-noite e meia e fomos dormir. Dormi direto até
às 8:00! Sem intercorrências!
Hoje tomei banho no hospital, fui pra casa, no caminho comprei flores para
minha mãe (Gérberas), chegando em casa a felicitei pelo Dia das Mães. Fui
tocar. Toquei um pouquinho. Fomos almoçar em um restaurante perto de casa:
horrível, não recomendo!
(((...)))
Sabe de uma coisa que eu me dei conta agora: eu estou carente... Preciso de
alguém para me amar, alguém que eu ame com todas minhas forças. Mais que uma
namorada, uma amiga, uma companheira, uma cúmplice. Que goste das mesmas
coisas que eu, que pense na mesma frequência, na mesma sintonia, que aceite
o meu ritmo, que me faça aceitar o seu, que queira amor, que queira
tranqüilidade, que queira sexo, que queira calor e humor, que se deleite na
dor e chore pela flor, que ache essa minha rima um horror e mesmo assim
sorria com fervor...
Ah! Eu sei o que vocês fizeram no verão passado! Que pavor! O que será que
foi?

"O problema filosófico é uma consciência da desordem em nossos conceitos, e
pode ser resolvido ordenando-os" Ludwig Wittgenstein
Sabe que o que esse carinha falou faz sentido para mim? Isso é o que eu
tento fazer todos os dias: encontrar o sentido certo, a verdadeira definição
das coisas. Porque, oras, se não sabemos o que uma coisa é, como podemos
realmente usá-la, usufruir dela, modificá-la ou fazer o que quer que seja
com ela. Nossa vida, por exemplo: do que ela se trata? Para que serve? O que
é a felicidade? É ela que realmente buscamos? E o prazer? E o poder? E o
viver? Vou buscar uma coca (cola!) e um iogurte Danette/Chandelle Sensação.
O meu problema (e também a solução para os problemas que me surgem) é que
justamente eu tenho consciência que as definições das "coisas" do mundo
estão erradas. E as pessoas vivem uma vida cega, uma verdadeira ilusão
basada no prazer físico, econômico-consumista, e pseudo-espiritual, sem um
aparato filosófico mínimo que lhes permita descortinar, ou tirar o vidro da
janela que lhes oculta a verdadeira verdade (estão a fim de saber, a
verdadeira verdade, estão a fim de saber, a fim de saber...), que traria de
forma mais plena a felicidade que tanto buscamos, a harmonia e a paz que
tanto sonhamos. Só para deixar claro: não me excluo dessas "pessoas"
supra-citadas.
Nossos conceitos errôneos como ponto de partida de todas nossas pretensas e
realmente realizadas realizações, acabam por nos levar a caminhos escuros,
ou tortuosos, ou pedregosos, ou espinhosos, ou dificultosos - errados, vá
lá!... - levando à sensação muitas vezes de uma vida sem sentido. Nos
agarramos ao número de telefone de uma pessoa como a um galho em um
precipício - para evitar a queda, quando na verdade às vezes seria muito
melhor se deixar cair e fazer aquele "Puf!" que o Coiote Coió (aquele do
Road Runner, o Beep!Beep!) faz quando cai no deserto muuuuitos metros abaixo
do precipício. Afinal de contas, se ele sobrevive a uma queda tão grande,
sendo só um desenho animado, porque nós não sobreviveríamos?
Chega de divagar... {13/05/2001 - Domingo - 22:12}

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cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
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ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
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TERÁ)

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Rafael Reinehr 6:58 PM

Sexta-feira, Abril 11, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semicatorzenal
11/04/2003 - Edição número 18 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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Sessenta e quatro casas e trinta e duas peças
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Ontologia: Descartes e Pascal....................César Schirmer dos
Santos

3. Por quê escrever..........................Eduardo Hostyn Sabbi

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 18 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever XIV
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

O jogo de xadrez sempre me encantou. Desde pequeno. Quando ganhei meu
primeiro tabuleiro, lá pelos 9 anos, do meu ex-padrasto, fiquei maravilhado.
Passei a jogar com freqüência por muito tempo. Passei a ensinar quem não
sabia para que pudessem jogar comigo. Só que logo me apercebi que isso não
dava certo: a pessoa, recém-ensinada, precisava de um tempo para desenvolver
suas habilidades. Resumo da história: ganhava sempre dos meus aprendizes.
Mas não foi sempre assim; encontrei oponentes à altura e senti, finalmente
(e felizmente) o amargo gosto da derrota. Amargo e reedificante: a mim, a
derrota faz levantar mais forte, com mais vontade de aprender e crescer.
Mas não era sobre isso que eu ia escrever hoje. Acho que ia falar sobre
o fim da guerra, mas esse é, na verdade, só o começo...
Está acontecendo um evento no Gasômetro: "Corpo, Arte e Clínica". Acaba
hoje. Fui lá buscar minha namorada, que está a participar do referido
evento. Esperando por esperar, acabei comprando alguns livros (por ordem de
escolha):
- A arte de transformar tempo fútil em tempo útil - Yoshida Kenko - Editora
Landy
- Os direitos humanos - Antologia de textos históricos - Adelino Brandão -
Editora Landy
- A arte do bonsai - Peter D. Adams - Editora Martins Fontes
- GOZA! Capitalismo, Globalização e Psicanálise - Ricardo Goldenberg
(org.) - Editora Ágalma
- A revolução sexual - Wilhelm Reich - Zahar Editores
- A ordem do discurso - Michel Foulcault
- Arte e psicanálise - Adorno (esses dois últimos estão no carro e não sei a
editora e o título exatos)
Livros para a prateleira se deliciar, enquanto a endocrinologia ainda
consome grande parte da minha energia vital...

"Nada de grande no mundo é feito sem paixão" Hegel

"A semente que plantais, outro colhe;
A riqueza que encontrais, a outro pertence;
Os vestidos que costurais, outro veste;
As armas que forjais, outro utiliza.
Plante a semente, mas não deixe que nenhum tirano a colha;
Encontre a riqueza, mas não deixe nenhum impostor te roubar;
Teça os vestidos, mas não deixe que os ociosos os usem;
Forjai as armas, mas as use em vossa defesa." Percy Shelley, 1819

Façamos somente jogadas válidas!

Rafael Luiz Reinehr

PS: valeu pela força em relação à viagem de minha vó! E obrigado pelos
artigos que foram encaminhados de montão! Serão todos publicados nas
próximas edições!
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2. Ontologia: Descartes e Pascal
César Schirmer dos Santos
UFRGS

7 de abril de 2003

Apresento, a seguir, uma breve comparação entre os principais elementos das
ontologias de Descartes e de Pascal.

No século XVII Descartes apresenta, para substituir elementos aristotélicos
e
cristãos da filosofia que impediam a plena aceitação da ciência
quantitativa,
tal como a conhecemos antes, uma ontologia onde existem apenas três tipos de
seres: a substância pensante infinita, a substância pensante finita e a
substância corpórea.

A substância pensante infinita é Deus (donde se segue que as tentativas de
se
fazer uma leitura materialista da obra cartesiana são equivocadas). Cada
mente
humana individual é uma substância pensante finita (o que não quer dizer que
ela seja mortal), e a extensão tomada como um todo é a substância
não-pensante
extensa (isto não impede, contudo, que um corpo tomado individualmente seja
considerado como uma substância extensa).

Em Descartes há uma hierarquia entre estes três tipos de substância segundo
o grau de perfeição de cada uma. "Grau de perfeição", em ontologias (ou
filosofias da participação) como as de Platão, Plotino, Agostinho e
Descartes,
quer dizer maior perfeição no ser, consequentemente menor participação no
nada.
Isto quer dizer que, para estes filósofos, as coisas em primeiro lugar são
ou não são, mas, em segundo lugar, as coisas que são ou existem são ou
existem
com maior ou menor perfeição. As coisas podem participar com maior ou menor
intensão do ser, sendo ou existindo mais ou menos plenamente, com maior ou
menor perfeição.

Tal tipo de ontologia não é adotada por nós, pessoas brancas da classe média
brasileira, embora possa ser encontrada no candomblé da Bahia, segundo
estudo
do sociólogo Roger Bastide. Nossa ontologia segue, ao menos implicitamente,
as
críticas lógico-gramaticais de Immanuel Kant ao uso feito pelos filósofos da
participação no ser do verbo "ser". Segundo Kant, "ser" não é um predicado
como
os outros. Quando digo "César é existente" não acrescento nada ao conceito
de
"César" que já não estivesse contido neste conceito, diferentemente do que
ocorre quando digo "César é estudante" (digressão: em uma ontologia como a
de
Leibniz seria diferente, pois todos os predicados de cada coisa devem estar
contidos no conceito completo de cada coisa). A melhor crítica que conheço à
noção de "grau de perfeição" foi feita por S. Kierkegaard nas _Migalhas
Filosóficas_, p. 66 (Petrópolis: Vozes).

Voltando a Descartes, Deus é a substância pensante infinita. Deus inclui em
si
todas as perfeições, sem ter nenhuma imperfeição, ou seja, sem que nada não
seja em si. A noção de imperfeição precisa ser esclarecida: nas filosofias
da
participação, uma imperfeição é igual a nada, ou seja, imperfeições não
existem. Algo é dito imperfeito por não ter uma perfeição (trata-se de
imperfeição negativa se não tem simplesmente uma perfeição, e de imperfeição
privativa quando não tem uma perfeição que deveria ter), sem ser possível
ter
positivamente uma imperfeição. Exemplo: um relógio que marque mal as horas é
dito imperfeito por não ter positivamente precisão, e não por ter
positivamente
imprecisão.

A substância pensante finita, a mente individual de cada ser humano, é menos
perfeito do que Deus e mais perfeita do que a matéria. A comparação entre as
perfeições de Deus e da mente é simples: Deus tem todas as perfeições, e a
mente tem ao menos uma imperfeição, a de não ser Deus. Logo, Deus é mais
perfeito do que a mente de cada um. A comparação entre as perfeições da
mente e
do corpo é feita pelo atributo da infinita divisibilidade do corpo. Como o
corpo é infinitamente divisível, ele é muito imperfeito, por não ter em si
nenhum princípio de unidade. As mentes, os eus, têm em si unidade
individual.
Logo, as mentes são mais perfeitas do que os corpos. (Creio que quanto a
isto
os leitores com formação psicológica e psiquiátrica saberiam formular uma
objeção de caráter filosófico e empírico a Descartes, pois reconhecem na
prática profissional a fragmentação e multiplicidade de cada eu, constatada
em
importantes estudos já datados de cem anos atrás. Um bom livro sobre este
ponto
é _The Engine of the Reason, the Seat of the Soul_, de Paul Churchland;
outro:
Steven Pinker, _Como a Mente Funciona_, São Paulo: Companhia das Letras).

Resumindo, na ontologia de Descartes as coisas existentes (pleonasmo
didático)
são classificadas segundo seu grau de perfeição. A mais perfeita é Deus,
seguindo a mente e o corpo.

Pascal também hierarquisa estes três tipos de entidades, mas seu critério é
outro, diferente da perfeição. De certa forma, o que ele faz é
classificá-las
segundo uma escala de valor.

Imaginemos um mundo onde só existam corpos, sem existir mente alguma
(estamos
pressupondo que a mente não é uma entidade material ou corpórea, ao
contrário
do que se faz hoje; ver os livros citados de P. Churchland e S. Pinker; para
uma posição contrária, "dualista", ver P. Guenancia, _La Inteligence du
Sensible: essai sur le dualisme cartésien_). Neste mundo, segundo Pascal,
haveria existência, mas não haveria conhecimento da existência. Se houvesse
ao
menos uma mente neste mundo, ela poderia saber que o mundo existe e que ela
mesma existe. Nisto consiste sua superioridade em relação à matéria. A mente
pode conhecer, a matéria não. Há, por assim dizer, um degrau entre o corpo e
a
mente, e o corpo não pode, de modo algum, escalar este degrau.

Um degrau semelhante a este também encontramos entre a mente e Deus. A
mente,
que pode conhecer a matéria, não pode compreender Deus, que é puro amor e
nada
mais. Deus é algo que está além do alcance da mente humana, o que significa
que
ele não pode ser estudado pela filosofia, por estar além dos seus limites, e
também que a teologia é superior a esta. Ao ocupar-se de Deus, a filosofia

pode dizer absurdos, mas isto não quer dizer que a teologia seja um absurdo.
Antes, quer dizer que a filosofia deve se limitar àquilo que pode
compreender,
deixando de lado Deus, que está acima dos seus poderes.

Alguns podem achar a posição de Pascal teológica demais, outros teológica de
menos. Os primeiros se irritam por ele ter tirado Deus do escopo de estudo
da
filosofia. Outros, plenamente materialistas, consideram isto o que há de
positivo em Pascal. Ao reconhecer que Deus é um objeto de estudo além dos
poderes da filosofia, ele deixa o campo aberto para que se estude apenas o
que
pode ser compreendido por ela, a matéria e a mente humana. Neste sentido
Pascal
é mais um filósofo finitista.

cesarschirmer@yahoo.com.br

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3. Por quê escrever?
Eduardo Hostyn Sabbi

O registro que temos do passado está no que foi materializado, e inclui o
que foi escrito. Antes, privilégio de poucos e desejo de muitos, agora
muitos e muitos. Por vezes me pergunto se todo esse lixo cibernético que
produzimos diariamente e ainda não aprendemos a reciclar tão bem quanto o
lixo real (mesmo que nem todos o façam), serve de alguma coisa no presente
ou valerá alguma moeda no futuro. Quem sabe nossa rica manifestação do
pluralismo de idéias, liberdade de raciocínio (nem sempre de expressão),
heterogeneidade dos grupos e indivíduos sejam mais importantes do que o
conteúdo de nossas letras e frases combinadas com ou sem métrica e
gramática? E o que não foi escrito, esconderá nossos medos, nosso instinto
competitivo e nosso individualismo contemporâneo que tomou conta desta
batalha viva? Mas encontro nesse momento dois grandes motivos para me
desenrolar feito um tatuzinho de jardim (ou um carangueijo da casca que
talvez fosse melhor para meu eu canceriano) e iniciar essa marcha deixando
algum sinal de qualidade e validade totalmente questionável por quem quiser
ler (enquanto escuto uma canção ou qualquer bobagem). Um deles se chama
Rafael, a quem admiro pela forma que realmente vive os momentos de sua vida.
Ele é o próprio SIMPLICÍSSIMO! O outro se chama Letícia, porque todo chato
que se mete com essas coisas de cultura precisa ter uma musa inspiradora.
Então, my friend, considere este um grito de resposta ao teu indignado
pedido de ajuda e saiba que poderá contar comigo edições que se seguirão.

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 18 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 13

Zélia e Pedro têm filhos gêmeos.
Os gêmeos são engraçados.
Êles fazem muitas artes.
Êles gostam de brincar com os bezerros zebu.

Um dia os gêmeos subiram nos pés de frutas.
Êles comeram frutas frescas.
Neste dia Zélia fêz frango frito.
Mas os gêmeos chegaram sem fome.
Não comeram muito frango frito.
Zélia não ficou zangada.
Ela acha bom comer frutas frescas.

Os gêmeos gostam de contos de gigantes.
Zélia leu para êles o conto de um gigante zangado.
Êles dormiram logo depois.
E sonharam com gigantes zangados.

es as is ez az iz
três malas lapis fêz faz fiz

ferro relógio farta dormir
terra rio dormir ir
ruim porque comprar

Quem pôs o ferro perto do relógio?
Foi a Laura.
Ela pôs o ferro aí e depois foi dormir.

Quero comprar um lenço.
Devo ir logo, porque as lojas fecham cedo.
Fecham logo depois das cinco.

A nossa terra não é ruim.
Ela fica junto ao rio.
A colheita na nossa terra é farta.

poço môça cinco cedo
braço caça cidade cebola
môço lição delícia cenoura

homem ho Ho

Quem é este homem?
Êste homem é o pai da Zélia.
Êle se chama Hilário.

A casa do Hilário fica na cidade.
A casa é pequena mas bonita.

Zélia tem um lençol bonito.
O lençol é azul e bordado a mão.
Zélia pôs o lindo lençol na cama.

lençol çol

ho ha hu he hi
aso asa asu ase asi
ol al ul el il

A filha do Hilário trabalha muito.
Ela cozinha e põe a mesa.
Ela cuida de tôda a roupa da casa.
Lava as camisas e as camisolas.
Lava também o lençol.
Usa sabão e anil.
Ela remenda a roupa.
Usa sempre um dedal.
Ela trabalha o dia todo.

Um dia uma criança brincou com a roupa lavada.
Pôs mais anil nas camisas e camisolas.
Rasgou o lençol.
Foi embora com o dedal.
A filha do Hilário lavou roupa outra vez.
Remendou o lençol.
Não usou o dedal.
Nunca mais o encontrou.

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5. Escrever por Escrever XIV (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{10/05/2001 - Quinta-feira 15:50}

Perguntinha feita pelo professor de Filosofia da Ciência:

Disserte sobre a simetria da confirmação de hipóteses. Comente a esse
propósito as conseqüências para a noção de verdade em ciência.

Em relação à confirmação das hipóteses, a primeira constatação que podemos
fazer é a de que, não importa quantas verificações façamos, não teremos
prova conclusiva de uma dada hipótese, pois o fato de que nosso experimento
resultou em "n" resultados favoráveis à nossa hipótese não significa que na
próxima vez isso vá ocorrer. Para termos essa certeza, somente se
conseguíssemos coletar todos eventos do tipo que estamos estudando que já
ocorreram em todas partes do mundo e todos aqueles que ainda ocorrerão até o
fim dos tempos, o que é impossível.
Mas o que a Ciência se propõe não é isso. Ela se propõe, para confirmar uma
hipótese dada, a coletar as informações relevantes a determinada hipótese.
Para tanto, devem ser criadas hipóteses auxiliares válidas a ponto de serem
adequadas a confirmar a hipótese principal. De nada adianta sairmos a
coletar informações múltiplas sobre um determinado assunto pois não
saberemos como analisá-las a seguir. É necessário testar hipóteses que dêem
uma direção à investigação científica, pois sem essa direção, a distância da
verdade somente tende à aumentar.
Quando usamos a indução, ou seja partimos de algo particular para algo
geral, sempre temos que tomar cuidado, pois como já visto, apesar de
podermos dessa forma formular uma boa hipótese, nunca podemos ter esse
conhecimento com certeza, pois não temos o conhecimento de todos os
particulares. No caso da dedução, ou seja, partindo do geral para o
particular, aí sim podemos realmente confiar naquela conclusão, desde que
estritamente dentro das condições originais do dado experimento ou dedução,
já que se estudadas em locais ou sob diferentes condições estas podem se
apresentar como falsas.
Devemos também salientar que hipóteses a princípio rejeitadas nem sempre
são incorretas, pois muitas vezes não conseguimos identificar, dentro da
investigação científica, as hipóteses auxiliares que nos levariam a
confirmar nossa hipótese principal. Por exemplo: se sugerimos que
determinada doença é causada por dada bactéria e usando a substância "X"
deveremos matar a bactéria e eliminar a doença e, na verdade, a substância
"X" é totalmente inerte em, relação à bactéria, poderemos acabar refutando a
idéia de que a bactéria é a causadora de determinada doença, o que seria, a
princípio um erro (pelo menos baseado nesse experimento).
Assim, a busca da verdade na Ciência é um complexo caminho de idas e
vindas, onde devemos usar o conhecimento atual para produzir novos
conhecimentos, com uma única certeza: de que o que sabemos "com certeza"
agora, amanhã poderá ser somente uma ilusão. Devemos saber usar o novo
conhecimento adquirido para voltar atrás e verificar nossas antigas idéias e
crenças, evitando sempre cair no perigoso Mito do Cientificismo, tão em voga
atualmente e responsável por tantas evoluções mas também por tantas
catástrofes (como a bomba de Hiroshima, por exemplo).
Como dizia um fisiologista no fim do século XIX: "Como eram bobos nossos
antepassados, que acreditavam que o calor do nosso corpo se originava na
alma. Hoje, nós sabemos com certeza que ele vem do atrito do sangue em
nossos vasos". Hoje, 2001, acreditamos que o calor do nosso corpo é regido
por um órgão endócrino e parácrino, o hipotálamo, que rege um sistema
endógeno de regulação de queima de nutrientes e formação de pirógenos
através da ação de hormônios e outras substâncias. O que saberemos amanhã?

Temos ainda na feira de hoje, um comentário sobre o filme "A Obra em Negro",
para Introdução ao Pensamento Sociológico:

No filme assistido, acompanhamos, pouco antes de 1600, as agruras sofridas
por Zénon Ligre, nosso protagonista, médico e autor de "Tratado do Mundo
Físico" e "Prognosticação das Coisas Futuras". No filme presenciamos a
perseguição ferrenha sofrida pelos pensadores em uma época onde a Igreja era
soberana, onde todos que ousassem questionar os dogmas estabelecidos eram
condenados à fogueira, assim como seus livros.
Após o declínio do Império Romano, a Igreja Católica Romana dominou o
pensamento europeu, e a única erudição permitida era estritamente religiosa.
A maioria das pessoas não sabia ler e, apesar de saber da interpretação
oficial das escrituras que regulavam a sua vida, mas não tinham acesso a
elas. Nenhuma divergência era permitida. Muitos livros foram proibidos.
Muitas pessoas, inclusive filósofos, foram realmente queimados na fogueira
até muito antes de 1600. Os europeus tinham muita fé, mas indagavam pouco,
já que, sem o livre pensamento, a filosofia não teológica foi decrescendo
até se interromper. A Igreja Católica Romana exercia tamanho poder que, em
1651 Hobbes a chamou de "o Fantasma do falecido império romano, sentado
coroado sobre o seu túmulo".
Em certo sentido, a Igreja tinha mais poder do que o Império. A pena é
reconhecidamente mais poderosa do que a espada, e o poder das idéias, da
doutrina, tem a vida mais longa do que a autoridade de meros governos. Mesmo
os maiores impérios, que se apóiam no poder da espada, não duram pra sempre.
Poderes epirituais e de idéias são mais fortes a longo prazo. Mas, sob o
jugo da Igreja, a capacidade humana de reflexão e ceticismo foi severamente
restringida e os dogmas eram aceitos sem contestação. A filosofia, por outro
lado, questiona tudo. A dicotomia fundamental entre teologia, que requer a
fé, e a filosofia, que exercita a dúvida, freqüentemente torna os dois
campos incompatíveis, como certamente foram por mais de um milênio, até a
Reforma e o começo da Revolução Científica.
Toda religião tem convicções que são supostamente imutáveis. Na Idade
Média, quando quem mandava era a Igreja Católica, tentou-se conciliar a fé
com a razão grega, principalmente com os ensinamentos de Aristóteles. Até
São Tomás de Aquino, a razão era considerada apenas um auxiliar para a fé,
jamais podendo opor-se a esta e o dogma era a verdade revelada que não podia
moldar-se aos princípios da razão.
Com Tomás de Aquino (1225-1274), isso começou (bem de leve) a mudar. Sua
teologia incorporou a metafísica e a ciência de Arisóteles e sua grande meta
era a reconciliação da fé com a razão. A redescoberta medieval de
Aristóteles no Ocidente contestou a filosofia de Santo Agostinho, que
afirmava que o verdadeiro conhecimento só era possível por intermédio da fé.
Os acadêmicos islamitas como Ibn Rushd (Averróis) recorreram à lógica
aristotélica em apoio às questões teológicas, concluindo que se podia
descobrir a verdade tanto por meio da razão quanto por meio da fé, iniciando
uma crise teológica. Tomás de Aquino declarou que razão e fé são
complementares, e não antagônicas. Na qualidade de lógico, Tomás de Aquino
limitou o poder de Deus, que apesar de "onipotente", era incapaz de
contrariar as leis da lógica e criar um quadrado redondo, por exemplo. A
razão, por sua vez, era incapaz de explicar os milagres, por exemplo, que
somente poderiam ser compreendidos através da fé.
Essa tentativa de Tomás de Aquino de aplicar a razão à fé, que pretendia
fortalecer a doutrina da Igreja, além de rejeitada pela burocracia católica,
ajudou a preparar o ambiente intelectual que contribuiu para a ascensão do
humanismo e das idéias renascentistas.
Um sentimento muito forte que surge quando assistimos ao filme é um
sentimento de grande raiva e indignação frente a burrice, ignorância e
intolerância da Igreja Católica representadas no filme. A Igreja naquele
momento não representava ninguém mais do que a si mesma, esquecendo em
grande parte os ensinamentos de Jesus. É irônico pensar que, no século XVII
Galileu quase foi para a fogueira quando provou que parte da astronomia e da
física de Aristóteles estava errada (afirmando assim, inadvertidamente, que
as doutrinas católicas a elas associadas também estavam completamente
erradas) e hoje em dia essa mesma Igreja Católica, um pouco menos burra
aceita essa nova concepção de mundo. O mesmo vale para "A Origem das
Espécies", de Charles Darwin, antes número 1 no "Índice dos Livros
Proibidos" da Igreja, após o papado de João Paulo II é considerado
"compatível com o Gênese" (imagina sob que interpretação!)
Hoje em dia, ao contrário da irracionalidade cega da fé católica vigente na
época do filme visto, o papa João Paulo II, patriarca maior da Igreja
Católica, convoca, na encíclica Fides et Ratio (Fé ou Razão), todos os
católicos a se concentrarem na filosofia, sendo que esse mesmo para não
admira somente os filósofos ocidentais como também os textos sagrados
indianos, os ensinamentos de Buda e as obras de Confúcio. Como ele mesmo
diz:
"...muitas pessoas tropeçam pela vida até a beira do abismo sem saber aonde
estão indo. Às vezes, isso acontece porque aqueles cuja vocaçào é dar
expressão cultural aos seus pensamentos deixaram de examinar a verdade,
preferindo o sucesso rápido ao esforço da indagação paciente sobre o que
torna a vida digna de ser vivida."


Referências Bibliográficas

1. CHAUI, Marilena. "Um Convite à Filosofia" - 12a edição, 2001 - Ed. Ática
2. ROHMANN, Chris. "O Livro das Idéias - Um dicionário de teorias,
conceitos, crenças e pensadores que formam nossa visão de mundo" - 2a.
edição, 2000 - Ed. Campus
3. MARINOFF, Lou. "Mais Platão Menos Prozac - A Filosofia aplicada ao
cotidiano" - 1a. edição, 2001 - Ed. Record
4. RUSSELL, Bertrand. "História do Pensamento Ocidental - A Aventura da
idéias dos pré-socráticos a Wittgenstein" - 2a. edição, 2001 - Ed. Ediouro


Pois é... Produção Sociólogico-Filosófica rolando solta... Bem que eu
gostaria que a produção Artístico-Musical também estivesse assim...
Agora há pouco ligou a Cris me convidando para ir em uma festa no Dr.Jekyll.
Rock n'Roll! Tô a fim de ir... Hoje também tem Wonkavision e Winston na Casa
de Cultura Redenção. É incrível a diversidade de opções na noite
porto-alegrense! Eu adoro essa cidade! {10/05/01 - Quinta-feira - +-16:10}

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cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
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(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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Rafael Reinehr 12:35 AM

Sexta-feira, Abril 04, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade "toda sexta-feira, faça
chuva ou faça sol"
04/04/2003 - Edição número 17 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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Edição de luto
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. A Ciência como processo de produção do
conhecimento*................Rafael Luiz Reinehr

3. Espaço místico - Sobre vedanta.....................encaminhado por Daiana
da SIlva

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 19 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever XIII
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

O título desta edição não poderia ser outro. Luto pelas dezenas de
famílias que já perderam filhos, cônjuges, pais, primos, tios, avós, netos e
o escambau nessa guerra idiota. Mas, no meu caso, refiro-me ao luto pela
perda de minha avó paterna, hoje à tarde, às 14:10. Meus avós já havia
perdido antes. Meu avô paterno logo após nascer, nem havia completado um ano
de idade. não senti nada, pois nem entendia o mundo ainda. Meu avô materno
perdi com dez anos de idade. Lembro que sofri bastante naquela ocasião, pois
esse meu avô era muito presente para mim. Foi ele quem me deu a primeira
mesada. Era ele quem enxugava minha cabeça delicadamente quando saía do
banho, nas vezes em que a vó não poderia fazer isso. Era ele quem me levava
para a farmácia do Hospital, na qual trabalhava e me dava bloquinhos de
papel que lhe eram dados pelos representantes de laboratório. Era o chefe da
família. Para ele ninguém dizia não... Tudo funcionava direitinho. Foi pego
pelo vício que lhe era essencial: o cigarro. Faleceu de câncer de pulmão,
após muitas tentativas de tratamento e após muito sofrimento.
Agora foi minha avó paterna. Pessoa vivíssima, sempre alegre e bem
disposta. Trabalhava feito uma louca, que era o que lhe dava prazer.
Acordava cedinho, tomava seu café e lá ia ela para a horta cuidar das
verduras e legumes, do milharal e das mandiocas, onde costumávamos nos
esconder e brincar de "Tá" (tipo de um esconde-esconde com tiros "falados"
que inventamos). Após cuidar dos hortifrutigranjeiros ia cuidar de suas
flores, suas rosas, margaridas e tantas outras que nem sei o nome. Além de
ser sua diversão, também era um negócio que lhe rendia uns troquinhos.
Sempre misturando aquele alemão com o "brasileiro", como dizia. Olhinhos
pequenos, agora estão gigantes, vagando na imensidão desse nosso universo,
fazendo parte novamente, em essência desse Todo Único e Indivisível do qual
todos viemos, no qual estamos e para onde iremos. Acho que essa minha visão
um pouco científica, bastante oriental e também um pouco ainda indefinida de
ver o mundo me deixa tranqüilo quanto à inexorabilidade da morte (para
alguns). Vejo a morte não como fim, e sim como uma religação às origens.
Digo isso sinceramente. Não chorei hoje, e não porque não gostava dela ou
porque sou desalmado ou insensível. Não chorei justamente pela minha
compreensão de como as coisas funcionam (ou como penso que as coisas
funcionam aqui neste plano. Essa é minha religião. Um misto de Burt Reynolds
com Antônio Fagundes, diria o Frank Jorge... Garanto a vocês que também não
vou chorar pela minha morte (pelo menos não em vida!). A vida segue. Ritos
são necessários. Ainda fazem parte do cotidiano de todos nós. O rito do
velório e do enterro, a necessidade de alguns de externar o sofrimento...
Particularmente, pretendo ser cremado e ser enterrado em baixo de uma muda
de sequóia, para que, enquanto ela crescer, crescerei dentro dela; quando
ela estiver adulta, verei o mundo lá de cima. Serei o primeiro a avistar o
novo dia de sol e o primeiro a sentir a gota da chuva que chega. Mesmo após
a morte, segue o sonho, segue a seiva pela selva, e a semente se salva e
floresce, como aliterações sem fim, que cessam.
Preciso de pessoas que escrevam para tocar essa joça de Simplicíssimo.
Fiz umas "estatísticas" e confirmei o que na verdade está escancarado: só eu
escrevo! Talvez se eu tivesse uma ajudinha, poderia escrever mais para
jornais virtuais como o ExpressOpinião
(http://www.expressopiniao.hpg.ig.com.br/ ), legal pra caramba. Vale
conferir.
Se alguém quiser, já tá dito e redito: manda ver que não tem censura! Se
conhecer alguém que escreva, manda pra cá! Falei...

Rafael Luiz Reinehr


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2. A Ciência como processo de produção do conhecimento*
Rafael Luiz Reinehr

A ciência, historicamente, desenvolveu-se sob o prisma de três concepções
diversas: o racionalismo, cujo modelo de racionalidade é a matemática; o
empirismo, baseado na observação e experimentação dos fatos; e o
construtivista, que vê a razão como construto de um conhecimento
aproximativo.
A primeira concepção - racionalista - que se estende desde os gregos até o
século XVII, afirma que a ciência é um conhecimento racional dedutivo e
demonstrativo como matemática, capaz de provar, portanto, a verdade
universal e necessária de seus resultados, sem deixar qualquer dúvida
possível. Dessa forma, as experiências científicas são realizadas apenas
para verificar e confirmar as demonstrações teóricas e não para produzir
conhecimento do objeto, pois este é conhecido somente pelo pensamento.
Já na concepção empirista, que vai desde a medicina grega e Aristóteles até
o século XIX, a ciência é uma interpretação dos fatos baseada em observações
e experimentos que permitem estabelecer induções e que, ao serem
completadas, oferecem a definição do objeto, suas propriedades e leis de
funcionamento. A teoria, então, deriva da experiência.
Essas duas concepções possuem o mesmo pressuposto: ambas consideram a
teoria como uma explicação verdadeira da realidade, tal como esta é em si
mesma, sendo a ciência uma espécie de ressonância nuclear magnética da
realidade. Diferem porque a concepção racionalista é hipotético-dedutiva,
isto é, define o objeto e suas leis e disso deduz propriedades, efeitos
posteriores, previsões, ou seja, vai do geral para o particular; enquanto
isso, a concepção empirista é hipotético-indutiva, apresentando suposições
sobre o objeto, realizando experimentos e chegando assim às suas
propriedades e formulando leis, efeitos posteriores e previsões, ou seja,
indo do particular para o geral.
No século passado, temos o início da concepção construtivista, que
considera a ciência como uma construção de modelos explicativos da realidade
e não uma representação da própria realidade. Mistura elementos das duas
concepções anteriores: como o racionalista, exige que o método lhe permita
estabelecer axiomas, postulados, definições e deduções sobre o objeto
científico e, como o empirista, exige que a experimetação guie e modifique
axiomas, postulados, demonstrações e definições. No entanto, como considera
o objeto científico uma construção lógico-intelectual e uma construção
experimental feita "em laboratório", o cientista não espera que seu trabalho
apresente a realidade em si mesma, mas ofereça estruturas e modelos de
funcionamento da realidade, explicando os fenômenos observados. Assim, não
espera apresentar uma verdade absoluta e sim uma verdade aproximada que pode
ser corrigida, modificada e abandonada por outra mais adequada.
Mas, antes do surgimento da ciência como explicação para o mundo como o
conhecemos, temos a crença em algum poder além do mundo que habitamos, que é
tão antiga como a raça humana. Dessa crença surgiu, nas fronteiras do que
era conhecido, o reino obscuro do mito e das lendas. Narrativas de deses e
homens de passados remotos, de heróis terrenos cujas proezas cativaram a
imaginação popular, assim como palavras mágicas e histórias folclóricas que
forma transmitidas de geração em geração. É o mundo da imaginação humana,
inventando contos fantásticos e criando, como que por encanto, símbolos para
representar as verdades fundamentais e os mistérios da vida, apaziguando
assim a angústia do ser humano frente ao desconhecido.
Como sabemos, vários foram os motivos pela substituição gradual da visão
mítica do mundo para uma visão cientificista, dentre elas o ressurgimento da
escrita, o surgimento da moeda, o calendário, as navegações e a formulação
das leis escritas. Essa visão científica primeira, que era tanto empírica
como racional perdurou até o fim da Idade Antiga, quando foi substituída no
mundo ocidental, com o domínio do catolicismo e da Igreja Cristã, por um
conjunto de conhecimentos baseado no princípio da autoridade religiosa, em
que a Bíblia era o texto sagrado, de onde todas as verdades deveriam ser
retiradas, e em que o papa era o supremo contato com Deus, representante
deste na Terra. Foi um período onde o conhecimento científico como hoje
conhecemos foi devidamente esmagado pelo poder da Igreja, já que qualquer
novo conhecimento que divergisse das Sagradas Escrituras era considerado
heresia e levava à pronta punição.
No final da Idade Média, tentou-se conciliar a fé com a razão grega,
principalmente com os ensinamentos de Aristóteles, com o auxílio de São
Tomás de Aquino. Antes dele, a razão era considerada um auxiliar para a fé,
jamais podendo opor-se a esta, sendo o dogma a verdade revelada que não
podia moldar-se aos prinípios da razão. Após Tomás de Aquino, concluiu-se
que era possível descobrir a verdade tanto por meio da razão quanto por meio
da fé, sendo que as mesmas são complementares, não antagônicas (o que criou
uma crise teológica). O poder de Deus foi limitado, porque apesar de
"onipotente" era incapaz de contrariar as leis da lógica e criar um "círculo
quadrado", assim como a razão, por sua vez, era incapaz de explicar os
milagres, que só poderiam ser explicados pela fé.
Esse momento crítico preparava o ambiente intelectual que contribuiu para a
ascensão do humanismo e das idéias renascentistas, que trariam de volta a
ciência e a filosofia como representantes maiores da produção do
conhecimento. Separou-se definitivamente os teólogos que passaram a debater
apenas as verdades ditas religiosas dos filósofos e cientistas, que tentam
compreender o nosso mundo físico, baseando-se na lógica em sua procura de
conhecimento e certeza.
Dessa forma, podemos resumir e exemplificar essa ruptura provocada pela
ciência pelos seguintes aspectos:
1. Ao contrário do cosmo medieval cristão, que não apenas foi criado, mas
era contínua e diretamente criado por um Deus que exercia sua onipotência, o
Universo moderno era um fenômeno impessoal, regido por leis regulares
naturais e compreensíveis em termos exclusivamente físicos e matemáticos.
2. A dualista ênfase cristã na supremacia do espiritual e transcedental
sobre o material e concreto agora se invertia: o mundo físico passa a ser o
foco predominante da atividade humana.
3. A Ciência substitui a Religião como autoridade intelectual proeminente,
sendo agora definidora, juíza e guardião da visão cultural do mundo. A Razão
e a observação empírica substituem a doutrina teológica e a revelação das
Escrituras como principal meio para a compreensão do Universo.
4. Em relação ao panorama da Grécia clássica, o Universo moderno possui uma
ordem intrínseca, embora não emanando de uma inteligência cósmica em que o
espírito humano participasse diretamente, mas sim uma ordem empiricamente
derivada dos padrões materiais da natureza por meio dos próprios recursos da
mente humana.
5. Ao contrário da ênfase grega implícita na diversidade dos métodos de
cognição, a ordem das coisas passou a ser compreensível somente através das
faculdades racionais e empíricas do homem.
6. A cosmologia da era clássica havia sido geocêntrica, finita e
hierárquica; a cosmologia medieval mantivera essa mesma estrutura geral,
reinterpretada segundo o simbolismo cristão; mas a cosmologia pós-científica
moderna postulava uma Terra planetária num espaço neutro infinito,
eliminando totalmente a tradicional dicotomia celestial-terrestre. Os corpos
celestes movimentavam-se agora pelas mesmas forças naturais e mecânicas e se
compunham das mesmas substâncias materiais encontradas na Terra.
7. Com a integração da teoria da evolução (Darwin), agora se compreendia que
a Natureza, a origem do homem e a dinâmica das transformações só poderiam
ser atribuídas a causas naturais e a processos empiricamente observáveis;
agora era menos certo que o homem vinha de Deus do que de formas inferiores
de primatas
8. Finalmente, ao contrário da visão de mundo cristã medieval, a
independência - intelectual, psicológica e espiritual - do homem moderno
estava radicalmente afirmada; o homem passou a ter o direito à autonomia
existencial e expressão individual.
A visão de mundo da Grécia clássica enfatizara o objetivo da atividade
intelectual e espiritual como a essencial unificação do Homem ao Cosmo e sua
inteligência divina; a meta cristã era reunir o Homem e o mundo com Deus -
mas o objetivo da modernidade científica era criar a maior liberdade
possível para o Homem em relação à Natureza, às estruturas opressivas
econômicas, sociais ou políticas, em relação às crenças repressoras
metafísicas ou religiosas, à Igreja, ao Deus judaico-cristão, ao Cosmo
aristotélico-cristão estático e finito, ao escolasticismo medieval, às
antigas autoridades gregas e a todas concepções primitivas do mundo.
Deixando para trás a tradição em favor do poder do intelecto humano
autônomo, e com auxílio da ciência, o Homem moderno pôs-se a caminho por
conta própria, decidido a encontrar os princípios do funcionamento do novo
Universo, a explorar e ampliar suas novas dimensões.
Assim, a busca da verdade na Ciência é um complexo caminho de idas e
vindas, onde devemos usar o conhecimento atual para produzir novos
conhecimentos, com uma única certeza: de que o que sabemos "com certeza"
agora, amanhã poderá ser somente uma ilusão. Devemos saber usar o novo
conhecimento adquirido para voltar atrás e verificar nossas antigas idéias e
crenças, evitando sempre cair no perigoso Mito do Cientificismo.


Referências Bibliográficas

1. CHAUI, Marilena. "Um Convite à Filosofia" - 12a. edição, 2001 - Ed. Ática
2. Reader's Digest - Enciclopédia Ilustrada do Conhecimento Essencial - 1998
3. TARNAS, Richard. "A Epopéia do Pensamento Ocidental - Para compreender as
idéias que moldaram nossa visão de mundo" - 3a. edição, 2000 - Ed. Bertrand
Brasil
4. ROSNAY, Joel de. "O homem: gênio individual, idiota coletivo" In: CASTRO,
G.; CARVALHO E.A.; ALMEIDA M.C. "Ensaios de Complexidade" - 1997, Ed. Sulina
5. REINEHR, R. L. "Questão sobre a simetria da confirmação de hipóteses" -
03/05/2001 (trabalho para Introdução à Filosofia da Ciência - UFRGS)

* (trabalho apresentado em 4 de julho de 2001 na cadeira de Introdução ao
Pensamento Sociológico do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da
UFRGS)

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3. Sobre vedanta
autor não informado, enviado por Daiana da Silva

O viver religioso

Era um moço asseado, de rosto vivo, olhos brilhantes e sorriso fácil.
Estávamos sentados no chão de um pequeno aposento que dava para um pequeno
jardim. Esse jardim era cheio de rosas, das brancas às quase negras.
Pendurado num ramo, um papagaio de cabeça para baixo, com os olhos
brilhantes
e o bico vermelho. Olhava para um outro pássaro muito menor.
O moço falava regularmente o inglês, mas hesitava um pouco no emprego das
palavras, e naquele momento mostrava-se sério. Perguntou: "Que é vida
religiosa?. Já fiz esta pergunta a vários gurus e todos deram a resposta-
padrão, e, se permitis, desejo perguntar-vos a mesma coisa. Eu tinha um bom
emprego, mas, como não era casado, abandonei-o porque, intimamente, me sinto
atraído pela religião e desejo descobrir o que significa viver
religiosamente, num mundo tão irreligioso". Não seria preferível, em vez de
perguntar o que é vida religiosa, indagar o que é viver?

Talvez então compreendamos o que é a verdadeira vida religiosa. Isso que se
chama "vida religiosa" varia de clima para clima, de seita para seita; e o
homem sofre por causa da propaganda das religiões organizadas em defesa de
seus próprios interesses. Se pudéssemos pôr de parte tudo isso - não só
crenças, dogmas e rituais, mas também a respeitabilidade criada pelo cultivo
da religião, talvez então descobríssemos o que é uma vida religiosa, não
contaminada pelo pensamento do homem.

Mas, antes disso, tratemos, como dissemos, de averiguar o que é viver. A
realidade do viver é a fadiga diária, a rotina, com as respectivas lutas e
conflitos; é a dor da solidão, a aflição e esqualor da pobreza e da riqueza,
a ambição, a busca de preenchimento, o êxito e a tristeza - que abarcam toda
a esfera de nossa vida. Eis o que chamamos viver - ganhar e perder batalhas,
e a interminável busca de prazer.

Contrastando com isso ou como seu oposto há o que se chama "viver religioso"
ou "vida espiritual". Mas todo oposto contém de certo a semente de seu
próprio oposto e, por conseguinte, ainda que pareça diferente, na realidade
não o é. Podem se mudar as roupagens externas, mas a essência íntima do que
foi e do que deverá ser é a mesma. Essa dualidade é produto do pensamento e,
portanto, gera mais conflito; esse conflito é uma galeria interminável.
Sabemos de tudo isso; outros no-lo têm dito ou nós mesmos o temos
experimentado. Isto é o que se chama viver.

A vida religiosa não está na outra margem do rio; está neste lado - onde se
acham todas as agonias do homem. É este estado que temos que compreender, e
a
ação da compreensão é o ato religioso - e não o cobrir-se de cinzas, cingir
os quadris com uma tanga ou a cabeça com uma mitra, o ocupar o trono dos
poderosos ou ser transportado no dorso de um elefante.

Ver inteiramente a condição do homem, seus prazeres e aflições, é de
primária
importância, e não o especular sobre o que deveria ser uma vida religiosa.
"O
que deveria ser" é um mito; é a moralidade criada pelo pensamento e a
fantasia, moralidade que devemos rejeitar - social, religiosa,
profissionalmente. Essa rejeição não vem do intelecto mas é, com efeito, um
sereno abandono do padrão dessa imoral moralidade.

Portanto a questão é realmente esta: Temos possibilidade de sair desse
padrão? Foi o pensamento que criou essa medonha desordem e angústia, e ele é
que está impedindo tanto a religião como a vida religiosa. O pensamento se
julga capaz de sair do padrão, mas, se o faz, isso será ainda um ato de
pensamento, porque o pensamento não tem realidade e, por conseguinte, só
pode
criar outra ilusão.

Ultrapassar tal padrão não é um ato do pensamento. Isso precisa ser
compreendido claramente porque, do contrário, vos vereis novamente encerrado
na prisão do pensamento. O "vós", afinal de contas, é um feixe de memórias,
de tradição e do conhecimento acumulado em milhares de dias passados. Assim,
só com a terminação do sofrimento - pois o sofrimento é o resultado do
pensamento - pode-se sair do mundo da guerra, do ódio e da violência. Esse
ato de sair é a vida religiosa. Essa vida religiosa não tem crença nenhuma,
porque não tem amanhã.

"Não estais exigindo o impossível, senhor? Não estais querendo um milagre?
Como posso sair de tudo isso sem o pensamento? O pensamento é o meu próprio
ser!"

Exatamente! Esse "vosso próprio ser", que é pensamento, tem de acabar. Esse
egocentrismo com todas as suas atividades tem de morrer, sem esforço,
naturalmente. Só nessa morte se encontra o começo da vida religiosa.

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 19 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 12

Júlio teve um sonho muito ruim.
Sonhou que estava no meio de um jardim.
Viu uma jibóia e um jacaré no jardim.
Júlio acordou e correu para fechar a janela.
Êle ficou com mêdo do jacaré e da jibóia.
Julieta está sentada junto à janela.
Ela está bordando um lenço.
Está bordando com linha amarela.
A unha de Julieta é comprida.
A linha pega na unha de Julieta,
e Julieta acha ruim.
É cedo para o jantar.
Mamãe está preparando um pudim de cenoura.
O pudim é uma delícia.

nha nho ji ja jar jun
unha sonho jibóia jacaré jardim junto

pedra dra

A pedra está no chão.
A pedra é bonita.
A criança pega a pedra.

criança cri

O grilo é um bichinho.
O grilo estraga tudo.
As crianças matam grilos.

grilo gri

Esta criança é filha do Tito.
Ela é boa criança.
É uma criança esperta.

ê u é ô ó i a
dre dru dre dro dro dri dra
gre gru gre gro gro gri gra
cre cru cre cro cro cri cra

Pedrinho ouve o grilo:
Cri... Cri... Cri...
Pedrinho pergunta:
- Que é isso, mamãe?
- É um grilo, meu filho.
- O grilo come criança?
- Não, meu filho. O grilo não come criança.
Êle é muito pequeno.
Pergunta Pedrinho:
- Como pode um bicho pequeno gritar tanto?
Pedrinho é filho de Pedro.
Pedro é pedreiro.
Êle trabalha de madrugada.
Êle trabalha na igreja grande.
A irmã de Pedrinho está doente.
Êle compra drogas na drogaria.
Ela não come nada cru.

grilo criança pedra droga
gritar cri pedreiro drogaria
grande cru Pedro
igreja Pedrinho
madrugada

gêmeos gê

As crianças são gêmeas.
Os gêmeos são engraçados.
Os gêmeos são espertos.
Êles se chamam Paulo e Paulina.

O zebu é da fazenda do Vovô.
O zebu é gado bom.
O fazendeiro tem muito zebu.

As frutas da fazenda são boas.
As frutas são boas para a saúde.
Como as crianças gostam de fruta!

zebu ze Ze

fruta fru

ê é a i ô ó u
ge ge - gi - - -
fre fre fra fri fro fro fru
ze ze za zi zo zo zu

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5. Escrever por Escrever XIII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{06/05/2001 - Domingo - 22:57}

Achei o artigo do Heller. Já fiz 5 das 6 perguntas. A sexta, "Estado: visão
liberal e visão marxista" vou entregar na próxima aula. Não achei
bibliografia adequada. Tinha que ler ressucitação cardíaca para amanhã. Não
estou com saco. Trabalhei o dia inteiro, li as 30 páginas da Teoria do
Estado e agora estou cansado. Queria dormir e só acordar amanhã na hora de
ir para o Hospital. Isso é difícil em um plantão com esse tempo. Agora mesmo
atendi uma criança de 3 anos e meio com asma. Nessa época as doenças
respiratórias aumentam muito em prevalência.
Afinal de contas, qual é único líquido seco?, me perguntaram hoje. A
primeira coisa que pensei foi mercúrio, mas decidi não responder, porque não
estava certo da resposta. Pensei mais um pouquinho e respondi: vidro. Sim,
porque o vidro é considerado um líquido, acho que é considerado o líquido de
mais alta viscosidade. É só olhar nas catedrais antigas: os seus vitrais são
mais espessos na base do que no topo, porque nessas centenas de anos o vidro
escorreu! Aí me responderam que era o mercúrio. Aí eu perguntei qual era a
definição de seco. Não me responderam. Agora tenho que procurar para ver se
realmente o mercúrio é seco. Sugeri que talvez fosse pelo seu alto ponto de
ebulição. Será?
Também tivemos aqui na Clínica uma discussão entre fé e religião e razão e
filosofia. Quem está mais certo? Os primeiros? Os segundos? Ambos se
complementam? É óbvio que não chegamos a conclusão nenhuma... Ou melhor,
cada um continuou com a mesma idéia que tinha antes de começar a conversa.
Somente decidimos que vamos tratar de conhecer melhor o argumento do
"oponente' com nossos próprios estudos. Essa idéia eu já tinha: terminar de
ler a Bíblia, o Alcorão, os Dharmas... Tem tanta coisa que eu preciso
saber... Hummm... Já sei! Vou elaborar uma lista dos livros que eu tenho que
ler de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde. Éééé!!! Bem pensado! Vejam
só: isso já faz parte do meu processo de organização, de preparação
espiritual para a Era de Aquarius. Ah! Isso me lembra de fazer uma espécie
de resenha de um artigo que saiu na Zero Hora na virada do milênio
justamente sobre isso: O Novo Milênio e a Era de Aquarius.
Agora está dando uma fominha... Mas já jantei. Comi pizza que sobrou de
ontem à noite. Esse foi meu almoço também: uma fatia de lombo canadense com
catupiry, uma de strogonoff de frango e uma de calabresa. Hoje de manhã me
incomodei um pouquinho: aqui na Clínica tenho direito a um tíquete-refeição
por cada 12 horas de plantão. E não é que hoje pegaram o meu tíquete para
comprar comida para todo mundo (para mim inclusive) só que sem pedir minha
permissão!? Fiquei um pouco chateado, pois quando a comida chegou eu já
estava com minha pizza prontinha, aquecidinha. Claro que não comi nada e
pedi gentilmente o meu tíquete. Pôxa. Se eu já trouxe a pizza era porque não
queria gastar dinheiro (já tinha gasto R$16,45 com a pizza!). O Jorge está
lá embaixo fazendo uma massa... Hummm...

"Você é meu amorzinho
E eu sou o seu amorzão
Você é o tijolinho
Que faltava na minha construção" (música-tema da Campanha para a construção
do Instituto da Criança com Diabetes Conceição).

Como é bom esse friozinho... Ficar entrouxado de roupas... O melhor de tudo
é ficar embaixo das cobertas, com um monte de guloseimas do lado
(salgadinhos, pipoca, pinhão, doces, chocolates, refrigerantes), assistindo
a um filminho ou lendo um (ou vários) bons livros e, de preferência,
acompanhado por alguém que te ama. Ah! O Paraíso sem tirar nem por! Ou
melhor: depois do filmezinho, tirando e pondo, vááááárias vezes (he-he-he!).
{06/05/2001 - Domingo - 23:24}

{10/05/2001 - Quinta-feira - 03:27}

Acabo (mais ou menos) de chegar do show do Ira! Lá no Opinião! Tava tri da
massa! Muuuuuito legal! Sabe que toda vez que vou num show afudê me dá uma
tristeza porque vejo a merda de guitarrista que eu sou... Ao mesmo tempo, dá
uma vontade desgraçada de aprender a tocar muito, mas muito bem... Para
isso, certamente teria que largar a Medicina. No momento, isso é
impraticável... Mas esse seria o momento de me dedicar plenamente à
música... O tempo passa, o tempo voa, e a poupança B...us continua numa
boa...
Tô louco para que a Carol venha para (((...))) Hummmm....
Hora de nanar! {10/05/2001- Quinta-feira - 03:34}

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ESTAMOS ESPERANDO SUAS PARTICIPAÇÕES! CONVIDEM AMIGOS LITERATOS OU AFINS A
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O "Simplicíssimo" É UM ESPAÇO ABERTO, É REALMENTE "VOCÊ DONO DE UM JORNAL...
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BOM PEDAÇO DE ARGILA QUE PODES MOLDAR AO SEU BEL PRAZER. ENTÃO VENHA: META A
MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS
CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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Rafael Reinehr 10:34 PM

Quinta-feira, Março 27, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade hebdomadária (não confundir com o camelo)
28/03/2003 - Edição número 16 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Por um Desenvolvimento Humano Sustentável!"
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1. Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Espaço místico - A cura das doenças pela medicina interior.....................Daiana
da Silva

3. Pérolas de Herman Hesse para ler e guardar (part I)................Fabiano F. Carvalho

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 20 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever XII
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Tudo começou com um Roda Viva que vi esses dias. Fui exposto a uma tal de
Hazel Henderson. Futurista, economista alternativa e consultora para assuntos
globais é o que aparece na maio parte de suas entrevistas e artigos que li em seu
site. Resumindo: a mulher é genial (www.hazelhenderson.com) ! Apesar de não
ser acadêmica, ou seja, não ter graduação em Universidade alguma, é uma
sumidade no que tange ao desenvolvimento humano sustentado. Suas palavras
e idéias são absurdamente coerentes e nada impossíveis de se realizar! Basta
boa vontade e começar... Tanto fucei e li que fiquei realmente incitado a realizar
um levante contra a Guerra, ou contra as guerras que vemos por aí. E do que se
trata esse levante?
Hella diz o seguinte: "Somos terrivelmente fortes, cada um de nós. Podemos
fazer uma grande diferença somente indo às compras e recompensando as
companhias socialmente responsáveis". As pessoas pensam que seu direito
de voto, a cada par de anos não faz diferença alguma. Esquecem que votam todos
os dias, às vezes várias vezes por dia. Cada vez que adquirem um produto, quer
seja um detergente, um tipo de margarina ou um carro, estão realizando um voto.
Os consumidores estão fazendo, no momento da compra, decisões acerca do
tipo de mundo no qual querem viver.
Em resposta à crítica do L. F. Veríssimo na Zero Hora de ontem (em relação
ao boicote de produtos americanos, no qual ele cita o mundo extremamente
globalizado no qual vivemos e, na hora de rejeitar uma coca-cola em favor
de uma guaraná (tenho mania de fazer frases longas sem ponto...), diz ele
"antes de tomar um guaraná seremos obrigados a perguntar ao garçom se ele,
por acaso, conhece a composição acionária do fabricante") quero dizer que
pode ser difícil, mas as pessoas aprendem a conhecer quais empresas estão
associadas com produtos "american way of life"; a informação pode ser dada
até no sentido contrário, pelas empresas concorrentes: "produto genuinamente
francês" ou coisa que o valha.
Finalmente hoje, enqualto escrevo estas datilografadas linhas, decidi
organizar um movimento anti-guerra e anti-americanização (ou aculturação),
sendo que o passo inicial é o início gradual, responsável e não utópico (dentro
de limites toleráveis por cada indivíduo) de um boicote a produtos de origem
norte americana. Ora, se nossos governantes estão de mão atadas, pois o
poder bélico e econômico norte-americano é tão avassalador que
amedronta e paralisa boa parte das nações do mundo, mostremos que
podemos minar a tão globalizada economia norte-americana, presente em
todo planeta. Ora vejam só: batatas da liberdade! Vê se tem cabimento!
Não querem vinhos franceses ou alemães? Prefiro água mineral Fonte Ijuí
à Coca-Cola. Prefiro cacetinho bem quentinho ao Seven Boys. Ford, GM?
Lada neles (ops!), quer dizer, Volkswagen e Renault! É claro que temos que
respeitar alguns limites: Fender e Gibson vão ter que continuar na lista de
compras... Vamos mostrar aos gringos que não temos só mulatas e bananas,
temos também culhão para enfrentá-los nos supermercados. Se isso vai dar
certo, se vai haver algum tipo de conseqüência danosa ou não prevista? Difícil
dizer. E se pararem de mandar eletro-eletrônicos para cá? Phillips, Paraguai
e CCE estão aí...
Tudo bem, já vou parar! Pode parecer meio apressado ou meio desgovernado,
mas se alguém me ajudar, pode funcionar...Participe do Fórum com suas idéias:

http://www.forumnow.com.br/vip/foruns.asp?forum=96762

Vai funcionar até 11/04/2003. Aí vai mudar o endereço. Podemos usar também
o blog comunitário politikaos (www.politikaos.blogspot.com) para reuniões virtuais
e discussão de temas afins. Bem, convite feito. Esperem para breve as camisetas
do Movimento (ainda sem nome) Não à Guerra! - Boicote aos Estados Unidos. A
cada dia que vivemos, estamos depositando um voto nas urnas, várias vezes por
dia, em cada ato que realizamos, em cada decisão que tomamos.
Para atingir a famosa definição de saúde da ONU ("saúde é um estado de
completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença
ou enfermidade), como humanos e como grupo humano precisamos mudar muita coisa.
Uma das mais importantes é acabar com a arrogância de uma nação regida por um
governante que insufla cada vez mais na própria nação um ufanismo estéril e doentio,
que sobrepuja valores humanos e éticos em favor de valores econômicos e egoístas.
Hoje em dia temos grandes instituições e enormes corporações nos dizendo o que
nós queremos e porque devemos querer aquilo que, na verdade, elas querem imputar
em nossas vidas, com somas vultuosas em propagandas e campanhas publicitárias,
empurrando-nos goela abaixo sem que possamos ao menos respirar. Devemos nos
voltar para a economia do amor. Aquela guiada pelo altruísmo em uma escala global,
mesmo que esse altruísmo não seja diretamente compensado. Aquela representada
pelo voluntariado, pelas ações sociais independentes dos governos, que movimentam
anualmente (se monetariamente avaliadas) trilhões de dólares em esforços humanos.
As idéias borbulham mas tenho que descer para ver Tolerância, que vai passar
agorinha na TVE...
"There´s a rebel in me... There´s a rebel in you..."
Tentarei escrever o editorial com mais paciência nas próximas vezes... Acaba
ficando um pouco confuso quando escrevo com pressa, sem pensar...
Preciso de alguém que saiba fazer um site legal na Internet, para aquecer
esse movimento anti-egoísta que estamos lançando! Vitória aos justos e de bom
coração!

Rafael Luiz Reinehr

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2. A cura das doenças pela medicina interior
Daiana da Silva

Compreender o funcionamento da mente e transformar os sentimentos
negativos em sabedoria é a mensagem do médico, físico e praticante
de meditação Enio Burgos, que lançou seu quarto livro: Medicina Interior -
A medicina do coração e da mente. A obra, lançada pela Editora
Bodigaya, de Porto Alegre, mostra a influência dos pensamentos na
saúde do corpo e, dessa forma, na vida das pessoas. Para adquirir o
volume, basta entrar em contato com a editora pelo telefone (51) 3222 3888
ou pelo endereço eletrônico www.bodigaya.com.br.

Enio Burgos é natural de Porto Alegre, mas reside há sete anos em Santa
Cruz do Sul, onde atua no Centro Municipal de Atendimento à Sorologia
(Cemas), no tratamento de portadores do vírus HIV. Seu primeiro livro foi
O Buda nos Jardins de Jetavana, escrito em 1995, seguido por Autoencontro,
de 1997 e Fundamentos da Prática de Meditação, lançado em 1999.
Segundo o autor, o último volume lançado “foi uma tentativa foi de pegar as
essências dos ensinamentos verdadeiros colhidos durante toda minha vida”.
Enio pratica meditação há cerca de 20 anos, já tendo tido alguns contatos
com mestres budistas. Em Medicina Interior - A medicina do coração e da
mente, ele reúne conhecimentos da medicina oriental e ocidental, na busca
pela descoberta das causas de diversas doenças que atingem a população.
Segundo ele, na maioria das vezes, os problemas físicos e psicológicos
são tratados exteriormente - o que é um erro. “Estamos sempre buscando
solucionar os efeitos e não a fonte das nossas dificuldades”, explica.
Conforme o médico, enquanto estas dificuldades forem analisadas por um
ângulo externo e superficial, elas jamais terão cura. É aí que entra a medicina
interior que, através da introspecção individual, procura encontrar a causa
para os sentimentos
e emoções negativos que resultam em males físicos e psicológicos. Burgos
frisa que os pensamentos são a grande causa para todos os tipos de
sofrimento. “Descobri que todas as nossas doenças, e até mesmo a maneira
como nosso corpo se desenvolve, estão relacionados com os pensamentos
que produzimos”, comenta.
. “Este livro tem o objetivo de fazer com que cada pessoa comece a enxergar
esse lado sutil dela, que não é tão claro e visível quanto o corpo”, frisa. O
autor ainda acrescenta que o desconhecimento da mente impede o contato
das pessoas com o chamado amor puro e verdadeiro. Este desconhecimento
gera, ainda, os mecanismos de contaminação da mente: a aversão, a inveja,
o apego, o orgulho e a indiferença. Conforme Enio Brugos, tudo isso impede
o ser humano de entrar em contato com o coração.
“Se nós temos pensamentos de apego que se repetem o tempo inteiro, nosso
corpo vai sendo moldado por esse fluxo de idéias, que vão se tornado maiores
e se transformam em emoções”, revela. Estas emoções vão afetar a disposição
física do indivíduo, podendo resultar em moléstias. O primeiro passo para
solucionar estes males, salienta o autor, é o auto-conhecimento, através da
meditação e da conscientização dos pensamentos decorrentes na mente.
“Muitas vezes as pessoas estão adormecidas, vivendo um sonho sem
perceberem”, finaliza.

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3. PÉROLAS DE HERMANN HESSE PARA LER E GUARDAR
(HERMANN HESSE)(PART I)
(compilado por Fabiano F. Carvalho)

- Não se educa recorrendo ao medo.
- Cultivar o medo da guerra é um velho truque daqueles para quem a guerra
significa um negócio e uma fonte de lucros.
- A meu ver, a alegria do heroísmo só é permitida aos que ousam sacrificar
a própria vida. Nos outros, é uma ilusão e até mesmo uma brutalidade que me
envergonha e molesta.
- Considerada a posição do homem face à política, tenho na conta de
verdadeiro parasita o funcionário público que "nem quer ouvir falar de
política". E para mim é um idiota perigoso o soldado que devasta a terra,
que atira nas pessoas, e só vive pensando no heroísmo e na honra militar,
sem nem sequer cogitar do valor do sangue derramado e das cidades
destruídas. A maioria dos funcionários e soldados assim pensam e, neste
ponto, tanto valem uns como os outros.
- Todo dinheiro é roubo. Toda propriedade é injusta.
- Não se destrói uma acusação pelo simples fato de não se poder provada
juridicamente.
- Sempre fui a favor dos oprimidos e contra os opressores; a favor dos
acusados e contra os juízes; a favor dos que padecem de fome e contra os
nababos.
- Para mim, o uso da força é proibido em quaisquer circunstâncias, ainda
que no interesse do "Bem".
- O lado em que operam os canhões nunca é o lado certo.
- O macio é mais forte que o duro. A água, mais forte do que a rocha. O
amor, mais forte do que a violência.
- Quando um jovem inteligente, anos após anos, por toda a vida, foi tratado
com violência, foi espancado, assustado, esmagado, angustiado, se aparece,
então, um salvador e liberta este jovem de tanto sofrimento, não deve seu
benfeitor esperar que ele lhe manifeste o desejo de se tornar, um dia, juiz
ou, de qualquer modo, ser útil à sociedade. Talvez mesmo comece por
incendiar uma casa ou cometer qualquer outro crime.
- Temos a esperança de que os verdadeiramente geniais consigam cicatrizar
suas feridas e venham a ser homens que, apesar da escola, realizarão grandes
obras e, mais tarde, quando já estiverem mortos e sepultados na sombra do
além, sejam apresentados às futuras gerações pelos mestres da época como
verdadeiros modelos e exemplos. E assim, de colégio em colégio, vai se
repetindo o jogo da luta entre a lei e o espírito. E vemos sempre o Estado e
a escola empenhando-se sem cessar em cortar as asas aos poucos alunos
realmente profundos e talentosos. E sempre são sobretudo os mais detestados
de seus mestres, os mais perseguidos, os que fugiram da escola, os que por
isso foram punidos - são esses precisamente os que irão tornar mais rico o
patrimônio de seu povo. Muitos, porém - e não sabemos quantos! - consomem-se
e sucumbem nesta dura luta.
- Não exijo que, no futuro, os intelectuais sejam equiparados aos prósperos
homens de negócios. O intelectual não deve sentar-se à mesa dos ricos nem
compartilhar de seu luxo. Deve ser mais ou menos um asceta. Não deve ser por
isso ridicularizado, e sim respeitado. E deve ser-lhe proporcionado,
espontaneamente, o mínimo de segurança material, como quando, nos tempos em
que a cultura se refugiava nos claustros, o religioso, sem ter posse de bens
materiais, podia entretanto viver e, na proporção de seus méritos,
compartilhava da fama e da autoridade de sua Ordem. (...)

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 20 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 11

Os óculos são do vovô.
Êle põe os óculos para ler.
O vovô só pode ler bem de óculos.

óculos ó

Na feira vendem-se correntes.
O pai comprou uma corrente.
Os elos da corrente são fortes.
Cada elo é forte.
Por isso a corrente é forte.

elo é

Nida prendeu o cachorro na corrente.
Mas um elo da corrente quebrou-se.
O cachorro foi embora.
Nida encontrou o cachorro na roça.

Eu moro no sítio.
Lá a vida corre sossegada.
Eu gosto da vida sossegada.
Tomo café na caneca.
Faço comida em panelas de ferro.

Lá tenho botas de couro.
Tenho chapéu de palha.
As botas de couro são novas.
Mas o chapéu de palha é velho.

No sítio tenho um barracão.
O teto do barracão é de sapé.

Tenho sete galinhas e nove porcos.
POrcos e galinhas gostam de milho.

O relógio de vovô fica na parede da sala.
No canto temos um pote de barro.
Perto do pote fica um copo.
Bebemos no copo.

é vé dé lé té mé pé sé né fé bé ré pré tré bré qué

ó vó dó ló tó mó pó só nó fó có bó gó ró pró tró

Ana e Paulo foram à feira porque tinham de comprar fubá e farinha de trigo.
Ana foi comprar fubá.
Pensando que Ana ia comprar farinha de trigo, Paulo também comprou fubá.
Como riram depois!
Riram por terem comprado tanto fubá.

Paulo estava lendo na rua.
Não é bom ler na rua.
Êle então entrou na sala para ler.
Entrou e sentou-se.
Agora, Paulo está lendo na sala.

O dia estava lindo e fomos à roça.
A roça ficava do outro lado do rio.
Mas não era longe.
Fomos procurar semente.
Achamos muita semente na roça.

A cebola fica dentro da terra.
Só as fôlhas da cebola ficam aparecendo.
Eu não gosto do cheiro da cebola.

Um jarro está na janela.
No jarro estão as violetas.
Gosto do cheiro das violetas.

Quem pôs as cenouras aí?
Foi a Cecília.
Ela preparou o jantar bem cedo.
Preparou salada com cebola e cenoura.
Depois foi ao cinema na cidade.
Cecília esqueceu as cenouras no chão de cimento.

jarro ja Ja

cebola ce

a ó ê u ô é i
ja jo je ju jo je ji
- - ce - - ce ci

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5. Escrever por Escrever XII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{30/04/2001 - Segunda-feira - 20:27}

Entre um banho rápido e uma festinha na casa da Rita, dá pra escrever um
pouquinho...
Uma coisa sobre a qual quero escrever em breve é sobre o valor relativo dos
serviços nesta cidade e, creio, no país em geral. Quero mencionar as
discrepâncias entre um serviço técnico e um serviço profissional oferecido
por uma pessoa graduada e ainda entre serviços que exigem mínima
responsabilidade e especialização. Só como exemplos, deixo os valores ganhos
por alguns profissionais (ou nem tanto):
1. Instalador de persiana: R$ 80,00 por 30 min de serviço
2. Retirar o rádio do carro: R$ 80,00 por 30 min de serviço
3. Passar roupa: R$ 8,00 a 12,00 por 1 h de serviço
4. Digitar 1 página de um trabalho: R$ 1,00 a 1,50 por página (10 páginas
por hora = R$ 10,00 a 15,00 por hora)
5. Médico: R$ 10,00 a 20,00 em plantão de Emergência ou em Clínicas 24h por
1 hora de serviço

Também quero fazer um contículo usando como personagens figuras de
linguagem, ou figuras de estilo, como o pleonasmo, o anacoluto, a metáfora e
a metonímia, a perífrase e a sinestesia, a elipse, o polissíndeto e assim
por diante. Vai ser legal! Às vezes me pergunto de onde será que virão
tantas idéias assim... Gostaria de ter mais tempo de pô-las em prática...

Hoje comprei três livros no Shopping Iguatemi:
- "O Livro das Idéias - Um dicionário de teorias, conceitos, crenças e
pensadores, que formam nossa visão de mundo", de Chris Rohmann, que dá uma
breve descrição e histórico de temas como Anarquismo, Aristóteles, bruxaria,
Buda, cibernética, Darwin, Einstein, Freud, imperialismo, informática,
misticismo, monetarismo, paradigma, Platão, sionismo, teoria do caos, teoria
dos jogos, totalitarismo, universo em expansão, zen budismo e por aí em
diante. Beeeeeem interessante.
- "História do Pensamento Ocidental - A aventura das idéias dos
Pré-socráticos a Wittgenstein", de Bertrand Russell, que conta a história de
um ponto de vista cronológico, dos grandes pensadores clássicos, passando
pelos pensadores medievais e chegando nos modernos e nos cági contemporâneos
como Ayer e Wittgenstein.
- "Mais Platão Menos Prozac - A Filosofia aplicada ao cotidiano", de Lou
Marinoff, "filósofo prático", mostra como identificar um problema, expressar
emoções construtivamente, analisar opções, contemplar uma filosofia que
ajude a escolher e viver com a melhor opção e, por fim, resgatar o
equilíbrio pessoal. Que loucura! Olha só meu novo livro de cabeceira! Agora
vou correlacionar de forma fantástica o meu trabalho como médico e meus
estudos filosóficos. Como dizia Epicuro: "Quanto às Doenças da Mente, a
Filosofia lhes ofereceu Remédios; sendo, nesse aspecto, justamente
considerada a Medicina da Mente".

Bom, a Tati tá vindo me buscar. Amanhã escrevo mais... {30/04/2001 -
Segunda-feira - 20:57}

{04/05/2001 - Sexta-feira - 01:01}

Pois zé! Segunda a janta tava legal. O Humberto, meu colega nos ensinou uma
forma de abordagem de mulheres: a do "Pianista Russo". É mais ou menos
assim: 2 caras; um é o pianista russo e o outro é um brasileiro que passou 6
meses na Rússia em um Liceu se especializando em Tchaikowski. Então o
brasileiro puxa assunto com as meninas da forma que lhe convier, como por
exemplo perguntando se elas tem fogo, sempre com o "pianista russo" do lado.
Em um dado momento (é importante o timing) o pianista russo pergunta algo em
russo para o pianista brasileiro (em uma espécie de fake de russo) e este
responde prontamente. É claro que isso vai chamar a atenção das meninas, que
vão querer saber o que está acontecendo. Aí entra o baita 171, onde o
brasileiro conta toda essa impressionante e fantasiosa história para
impressionar as gatinhas. Se funciona? Diz o Humberto que sim. Será?
Depois iríamos ao Opinião, mas acabamos ficando na frente e não entramos.
Vim pra casa, Internet e TV. Minha página do Simplicíssimo está agora quase
pronta graças ao meu trabalho de terça.
Terça dormi até às 14:00. Computador, TV e cama. Às 18:00 mais ou menos a
Cris ligou. A convidei para vir aqui. Ela escutou música e eu arrumei alguns
papéis lá em cima. Depois fomos jantar na Cia das Pizzas do Assis Brasil
Strip Center e depois nosso objetivo era ir no Sarau Elétrico do Ocidente,
onde o Olívio ia declamar poemas sobre o dia do trabalho, mas chegamos
tarde. Acabamos indo no Gayon, no Nova Boiolaria, ali na GLS (General Lima e
Silva), no bairro Cidade Bicha. Tomamos uns chopes eu, a Cris e uma amiga
dela, a Simone, intensivista no HCPA.
Quarta dia normal, aula à noite, hoje também. Não teve aula, acabei indo no
Instituto Göethe e assisti um projeto chamado "Sons Transgênicos",
organizado pelo pessoal do Instituto de Artes da UFRGS, uma mistura de sons
eletrônicos com dodecafonia e atonalidades puras, misturado com um mostra de
Super 8. Bem legal, mas eu esperava um pouco mais. O que mais me chamou a
atenção foi o Theremim, aquele instrumento musical que modula um som
contínuo de acordo com a proximidade da mão. Bem legal. Até fiz uns versos
perversos:

Eu quero obter um theremim
Eu quero ter, ter a mim
Mim quer obter um theremim
Mim quer ter, ter a mim

And so long... {04/05/2001 - Sexta-feira - 01:21}

{05/05/2000 - Sábado - 12:46}

Cinco de maio... Como passa rápido o tempo! Bem...
Quinta à noite entrei no Almas Gêmeas do Terra (antigo ZAZ) para procurar
uma pessoa e acabei encontrando outras... Algumas meninas escreveram coisas
bem legais! Escrevi para elas. Ontem recebi resposta de duas. Pelo menos
acho que farei novas amigas virtuais (ou não!).
Ontem teve ensaio da "SuperJazz7(?)". Não fiquei satisfeito. O Eduardo num
desânimo só, o Ricardo animado e esforçado mas com limitação técnica no
quesito versatilidade, o João como sempre topando todas e eu, bem...
...brigando para dar certo. Mas acho que não vai dar. Ainda não é dessa vez
que uma banda/projeto meu vai decolar! Vale pela experiência.
Agora está passando na MTV um especial dos Ramones, provavelmente em
homenagem à morte do Joey Ramone. Bom rememorar algumas músicas que fizeram
parte da minha mais tenra adolescência: Rock N'Roll Radio, Psychotherapy, I
Wanna Live, I Believe in Miracles, I Wanna Be Sedated, Sheena is a Punk
Rocker, Poison Heart e, principalmente, Pet Semetary. Teve uma época da
minha vida, dos 15 aos 17, 18 anos que eu saia do lugar onde eu estava para
ir para o meio da pista para bater cabeça quando Pet Semetary começava a
tocar. Agora está passando o videoclip de Substitute, do The Who, na versão
do Ramones, gravada no seu CD Acid Eaters. Muuuuuuuito legal! Uma viagem!
Outra coisa que passou agora há pouco na TV foi uma reportagem do programa
"Questão de Opinião" sobre as fãs do Back Street Boys, que para esperar o
show dos meninos em São Paulo chega a ficar um mês esperando em barracas
para comprar o ingresso e para conseguir um melhor lugar para entrar. Isso
daria uma boa etnografia! O grau de histeria das adolescentes (e também a
euforia que as mães contaminadas exibem) é incrível! Gritam o nome de seus
ídolos, fazem tatuagens, laceram o corpo com iniciais da banda e assim por
diante.
"I don't want to live my li-i-ive, not again... O-oh! No..."
Hoje vou tocar, tentar terminar o Simplicíssimo, de repente sair para
jantar com o Éverton e a Cláudia (amiga e agora namorada dele) e depois
dormir cedo. Amanhã tenho plantão 24h no Centro Clínico em Novo Hamburgo. Se
tiver tempo, escrevo mais amanhã. Hugs and kisses... {05/05/2001 - Sábado -
13:14}

{05/05/2001 - Sábado - 23:21}

Sabe qual é o meu maior problema no momento? (além de o computador estar
comendo inadvertidamente algumas letras e também de estar fazendo aparecer a
toda hora a mensagem: "Microsoft Word não pode usar as listas de
AutoCorreção. Este recurso não está instalado no momento. Deseja instalá-lo
agora?") Bem, na realidade o meu problema (Uh-uh! O meu problema, Uh-uh! O
meu problema é sexo, algemas e cinta-liga...) é a falta de organização e a
desorganização. Esses dois problemas, como se fossem um só, tornam minha
vida um inferno. Perco tempo, não acho coisas, gasto dinheiro em vão com
atraso de contas... É um caos!
Nas próximas semanas/meses vou dispender um esforço tremendo em resolver
essa questão que há tanto tempo me incomoda. Para tanto tenho que traçar um
plano. Por onde começar e onde quero chegar. Para tanto tenho que determinar
e classificar o que necessito organizar, onde a bagunça está concentrada e
como farei para dissolvê-la, resolvendo assim meu problema (Uh-uh!)...
Hummm... Agora me deu uma vontade de comer um peixinho assado...
Como tenho prova de Medicina Interna para residência de Endocrinologia em
Novembro, tenho que selecionar o material que vou estudar. Também tenho que
separar a matéria da faculdade deste semestre, não deixando misturado com a
do semestre passado nem com outros papéis. Eu tenho muitos papéis. Eu sou a
pessoa que eu conheço que tem mais papéis. E pior: não consigo me desfazer
deles. Dizem que é coisa de canceriano: acha valor em tudo, vai ficar com
saudade se se desfazer do bem, acha que aquilo pode um dia vir a ter
utilidade, mesmo nunca mais tendo posto os olhos nos últimos 5 anos...
Tantas coisas para aprender, tanto a fazer, tão pouco tempo...
Fermento, ovos, leite, farinha e sal. Tá feito o pão!
Tecnologia. Tecnocracia. Tecnodependência. Tecnoburrice estabelecida.
Tecnoparanóia e tecnoneurose. Tecno, Dance, Hip hop, Drum n' Bass, House,
Trip hop.
Exceção à regra: toda regra tem uma exceção; isso é uma regra, portanto
deveria ter uma exceção; logo, nem toda regra tem exceção, o que torna
inválida a primeira afirmativa, dentro de um ciclo vicioso que a minha
lógica tem dificuldade de compreender completamente.
Charutos, cachimbos, cigarros, cigarrilhas... Porque todos começam com "c"?
"O cliente sempre tem a razão". Não tenho nenhum estabelecimento comercial,
mas acho que não agiria dessa forma com meus clientes. Trataria todos da
forma que merecem, ou seja, de acordo com o seu próprio comportamento no
estabelecimento. Que viagem! Já está tarde e eu estou aqui falando besteira!
Vou procurar um artigo de um trabalho que tenho que entregar na segunda: um
artigo de Hermann Heller: "A Teoria do Estado" do livro "Política e
Sociedade". Bem, bye, bye, baby bye bye. {05/05/2001 - Sábado - 23:55}

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MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS
CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
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reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

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Rafael Reinehr 11:53 PM

Sábado, Março 22, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semanal
21/03/2003 - Edição número 15 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"I wanna get physical..."
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1.
Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Espaço místico - Papo místico............................Alexandre Ulrich

3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte III de
III).......................Rafael Luiz Reinehr

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 21 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever XI
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Começou...
(Sugar Hill Gang - Rapper's Delight)
Concorda comigo que um brutamontes com um revólver, um cacetete, uma
adaga, e um lança-chamas apontado para você, armado com um cortador de unhas
é uma espécie de COVARDIA?
E que tal uma nação que tem o domínio econômico mundial, tem suas
empresas "multinacionais" implantadas em todo mundo, maior detentora de
tecnologia de guerra, armas nucleares, exércitos preparados e
tecnologicamente imbatível, aviões e mísseis guiados por satélite, etecétera
e tal, contra um velhinho bigodudo armado com uma centena de mísseis com
alcance de 180 km. Covardia?
Muitos dizem que Saddam foi um dos maiores assassinos dos últimos 20
anos. Não se pode discordar. O próprio povo iraquiano sofre pesadamente com
seu governo despótico. Apenas não se pode concordar no esfacelamento do
direito internacional provocado com o início uni (ou tetra) lateral iniciado
com o bombardeio de Bagdá. Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha e Japão
(além da Austrália, de forma menos importante) tomaram para si a
responsabilidade, sem levar em conta o veredicto do Conselho de Segurança na
Organização das Nações Unidas, órgão legitimamente criado após a Segunda
Guerra Mundial para evitar a Terceira e quaisquer outros conflitos e abusos
proporcionados pela irracionalidade do ser humano como indivíduo. Afinal de
contas, dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma. E Cento e tantas
cabeças não pensarão melhor que quatro? E bilhões de cabeças, mesmo sem o
poder político direto concedido aos governantes, será que não pensam (e
agem) melhor que duas dúzias, que estão aí comandando esta barbárie, este
grande ato de COVARDIA.
Dá até vontade de imaginar um lindo boicote econômico aos Estados
Unidos, mas também dá medo imaginar quem irá perder a queda de braço. No
milênio do humanismo, tantos conflitos em seu princípio. Leiam a entrevista
de Addam Phillips (acho que é esse o nome!)na revista Veja com o Luís
Fernando Veríssimo na capa. Leiam também a reportagem (Cascavelletes - Morte
por tesão) com o LFV!
Nessas horas é que é bom ser latinoamericano, pobre e "subdesenvolvido":
sem bombas atômicas, sem oferecer perigo às outras nações, sem grandes
estoques de petróleo continental e, principalmente, sem medo. Quando
começaram a cair as bombas em Bagdá, eu estava assistindo TV e imaginei a
angústia daquele povo ouvindo as sirenes e as explosões. Ninguém merece tal
sofrimento. Como a raça humana tem errado na sua história. Somos capazes de
desenvolver tantas tecnologias, nossa ciência médica, física, química tem
evoluído tanto mas nossa humanidade não tem alcançado o grau de evolução das
máquinas que criamos. Nossa justiça não acompanha o ritmo. Nossa ética está
estagnada. O bom-senso perdeu-se em algum lugar. A solidariedade está em
falta, encontra-se espalhada em pequenos guetos (as ONGs). (Genghis Khan -
Comer Comer) Cada vez mais vê-se que a educação é a única arma para acabar
com o sofrimento humano, mesmo que seja a longo prazo. O conhecimento
transmitido de forma humana e não somente racional, mas associado a
sentimentos genuinamente ecológicos, no sentido amplo da palavra, poderá, se
disseminado (Nirvana - Smells Like Teen Spirit), "contaminar" as mentes que
farão o novo mundo aflorar. Como fazer isso? Ainda não sei exatamente, mas
estou tentando descobrir...

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2. Papo Místico
Alexandre Ulrich

Senti-me atraído pelo convite de escrever para o Simplicíssimo. Não
porque eu goste de escrever, acho que não gosto. Escrever é uma forma de pôr
para fora uma série sentimentos e sensações que estavam lá quietinhas, ou
não. Quem disse que eu gosto de ventilar os meus sentimentos? De todo modo,
ele pedia colaborações acerca do tópico misticismo. É um assunto que me
fascina.
Eu me lembro que quando era um garotinho de nove, dez, onze anos, eu
gostava de ir à igreja com a minha vó. Sentia uma sensação de paz difícil de
descrever. Não sei se era porque a velhinha ficava feliz de me ver lá, mas
eu gostava. Não é abafado, tem uma acústica legal pra cantar capela, as
pessoas se sentem constrangidas de serem mesquinhas, como habitualmente são.
Era bom. A gente entra e parece que se sintoniza em outra freqüência, até os
chatos são mais gentis.
E eu cresci, e me lembro que aos treze continuava pentelhando os
pobres dos irmãos do colégio Rosário com perguntas do tipo: "-Mas irmão qual
é o sentido de viver assim? O que Deus quer de nós? Porque dar a vida, para
depois tirá-la? Porque o sofrimento? Porque nos dá livre-arbítrio para
errar, e conseqüentemente viver em pecado, sabendo que somos imperfeitos?
Será que é só para ter o que perdoar e bancar o bacana? E se seu perdão é
ilimitado e irrestrito, porque existe o inferno?" Eles respondiam: "-Porque
a pessoa tem que se arrepender." Eu retrucava: "-Isso não é uma restrição?"
E por aí ia. Fui mandado embora várias vezes da aula de religião, não por
não conhecer a Bíblia (acho que só eu tinha lido inteira), ou por fazer
bagunça, mas simplesmente por ser impertinente. Tinha um irmão que eu
gostava muito (quando me mandavam pra fora da aula me mandavam falar com
ele), e quando falava com ele, ele me dizia tranqüilamente: "-Tu és um bom
guri. Filhote, não te preocupa em encontrar Deus, porque com certeza um dia
Ele te acha. E tu terás um sinal claro e cristalino disto".Vindo daquele
padrão enorme com um sotaque carregado de alemão, era reconfortante. Tenho
saudades do irmão Lino. Ele morreu. Continuo esperando o sinal.
Eles não conseguiam aplacar a minha curiosidade e responder as minhas
dúvidas. Saí a campo, lendo sobre tudo o que caía na minha mão. Li sobre
espiritismo, judaísmo, budismo, acerca das religiões evangélicas,
bramanismo, islamismo, sobre xamanismo entre as religiões que lembrei agora.
Simpatizei com o budismo, mas acho que na minha modesta concepção, não é
exatamente uma religião, e sim uma filosofia de vida. Todas as outras têm o
conceito de pecado e acompanhando isto altas doses de culpa
auto-infringidas. Percebi que isto me incomodava, e me dei conta que
precisava descobrir quais eram as minhas necessidades e dúvidas.
Porque um sistema de crenças é necessário? Porque eu tenho que crer em
algo? E eu estava entrando na faculdade de medicina, tinha de dezesseis para
dezessete anos. Estava incomodado, mas Ele estava lá. Não achando mais
recursos disponíveis nas seções religião das boas livrarias, comecei a
procurar algo nas estantes de filosofia.
Aprendi a atender as pessoas, que quando ficam doentes deixam de ser
chamadas pessoas e passam a atender sobre o nome genérico de pacientes. Acho
que tenho uma boa capacidade de ouvir e melhor capacidade de me identificar
com o sofrimento alheio. É bom porque dá resolutividade ao processo. Nem
sempre se procura a cura, ou algum remédio, algumas vezes só repartir uma
culpa, ou ser consolado frente ao inevitável. Mas é pesado pra quem se
importa de verdade e não consegue isolar o sentimento alheio. Eu me senti no
decorrer dos anos estuprado umas quantas vezes, de tantos modos, que quase
fica difícil lembrar como isso acontece. Se foi com o menino de sete anos
com câncer eu-não-lembro-de-quê fazendo quimioterapia, que ao ver a mãe se
esbugalhar de tanto chorar ao receber a notícia de que o tratamento não
estava adiantando e não tinham mais a fazer a consolou dizendo: "-Não chora
mãe, o Pedrinho vai pro céu, mas vai ficar te cuidando de lá e vai ter um
monte de anjinhos pra brincar comigo, e também não vai ter mais dor,
injeção, quimioterapia e dizem que a gente nunca mais morre de novo". Ou se
foi anos depois numa sala de cirurgia onde eu e a equipe fazíamos uma zorra,
até que o senhor, que seria submetido a uma cirurgia para retirar a laringe
(garganta) e conseqüentemente não poderia mais falar, me olhou e pediu para
que eu rezasse com ele o último pai-nosso dele que de ofício era padre. Se
foi o menino de doze anos, morador de rua que se percebendo doente procurou
o hospital. Perguntaram pelos pais, ele não sabia deles. "-Mas tem que fazer
uma cirurgia. Quem é o teu responsável?". "Sô eu tio".E Deus onde é que
entra nisto? Pois é, me responda você, porque eu acho que na real ele não
entra não. Será que Ele é um voyer-sádico, ou será que Ele iniciou um
experimento num cupinzeiro chamado terra e o cupim é você e Ele se esqueceu
de dar a descarga no fim.
É duro, eu sei. Desculpe-me amigo, mas a vida é dura. Morrer é mais
ainda. E vejo gente morrendo todo o dia. Eu não queria. Queria crer que
Zaratustra errou quando descendo da montanha anunciou com voz retumbante: "-
Deus está morto". E me dei conta finalmente de quais eram as minhas
inquietações. Caiu a ficha. Nós temos medo de morrer. Somos animais com uma
percepção aguçada e é óbvio que o fim está ali dobrando a esquina. Tudo bem,
negamos que somos animais. Já percebeu que chamar alguém de animal é uma
ofensa? Seríamos nós vegetais, ou minerais então? Já percebeu que a
humanidade racionaliza tudo, e às vezes de modo irracional? Todos fazem
cocô, e todo mundo finge que não faz. Faz escondido, tem vergonha de dar
pum. Passam mal, mas não fazem as necessidades fisiológicas fora de casa.
Escondemos as remelas, os tatus do nariz, palitamos os dentes apenas no
banheiro e com a luz apagada. Até o nosso cheiro tem que ser camuflado por
odores de plantas e flores perfumadas, ou isso, ou cheiraríamos como
animais, que nós não queremos ser, porque os animais morrem.
Então talvez fique tudo neste pé, não queremos morrer. Temos medo da
morte, e mais, talvez tenhamos mais medo de viver uma vida que além de ser
insignificante seja completamente sem sentido. Sim insignificantes sim.
Tente por maior que seja a sua graduação, ou a sua patente, ou posto, parar
uma onda do mar sequer. O mar nem liga. Tem uma passagem no livro A
Tempestade, de Shakespeare em que um marujo ordena ao rei que saia com sua
camarilha da frente, pois a tempestade é forte e eles apenas estão
estorvando no convés. Lembrado por um duque que a insolência poderia lhe
custar a vida o marujo responde: "O senhor é um Conselheiro, pois não? Se
puder ordenar a estes elementos da Natureza que se silenciem, se puder
restabelecer a paz neste instante, não teremos mais problemas. Use sua
autoridade , senhor. Se não for possível, dê graças por ter vivido vida tão
longa e prepare-se, em seu camarote, para a hora do infortúnio, se ela
vier." O homem e sua prepotência, feitos a imagem e semelhança de Deus!?!?
Será ele tão torpe e errado? Ou será que a exemplo de Deus queremos ser
eternos? Assim fazemos um Deus que caia como luva nas nossas necessidades,
nos dá sentido à vida, por mais caótica, desorganizada e contraditória que
ela seja. Criamos um conjunto de crenças e tudo se resolve, no próximo plano
de existência, o qual logicamente não podemos sondar. Qual o preço? Tenha
fé! O que é fé? Fé é acreditar piamente em uma coisa que não pode ser
provada, e que não deve ser questionada. Creia nos dogmas da igreja. O que
são os dogmas? São o estupro da lógica. Mas porque eu faria isto? Porque sua
vida ia ser mais leve, seus dias ruins seriam compensados, algo melhor o
estaria esperando, você não se sentiria sozinho na hora de enfrentar
adversidades (Ele está com você!). É um consolo irresistível e acredite, a
maior força e poder em um ser humano, é a capacidade de negação. Acredite-me
eu queria ter fé, sempre quis. Ia ser mais confortável.
Pense bem no que eu escrevi, mas tente não ser preconceituoso. Este
texto não foi escrito por um seguidor do demônio, mas sim por um homem
afligido pela sua condição instável de ser vivo. Um cara que notou que a
negação é uma coisa muito forte no bicho-homem. Como exercício e para
auxiliar na sua meditação, ou reflexão, faça o seguinte exercício. Imagine
que hoje, por um motivo que você mesmo pode escolher, é o último dia da sua
vida (É óbvio que você ainda não fez isso, você não vai morrer nunca, não
é?) Observe como você já deve estar se protegendo da idéia pensando: "Deus
do céu, que cara tétrico, imagina se eu vou fazer uma bosta de um exercício
destes". Observe os seus sentimentos, pense em como vai ser o seu último
minuto de vida. Será que você estará tranqüilo? Com dor? Sozinho?
Desculpe se eu lhe deixei triste. Não é a minha intenção. Posso falar
por mim. Sou um animal e estou feliz com isto, principalmente porque sou um
animal vivo. Sem religião e aceitando-me como ser vivo e finito passei a
viver sem culpa e sem remorso. Os animais fazem bobagem, eu sou um deles.
Também não tenho prisão de ventre e admito, adoro tirar tatu do nariz.
Realizo-me com pequenas coisas e não tenho jamais uma postura assoberbada
ante os nossos irmãos animais. Creio que eles merecem tanto respeito como
qualquer homem. Minha vida se transformou em algo leve, e eu em um silvícola
em um grande banquete sensorial. Tudo que eu puder pegar e gozar no meu
curto período de vida vai ser experimentado. Eu não me cobro de uma
perfeição divina. Sou homem, faço cocô, e também sempre o melhor possível.
Sei que minha passagem aqui é transitória e a lembrança dela evanescente.
Sei que o universo não dá a mínima pra mim e que o mundo não vai parar no
dia do meu velório. E se eu me tornei ateu por não acreditar na crueldade
que teria que ter um deus que deixasse as criancinhas inocentes e indefesas
sofrerem e morrerem, eu não tenho nenhuma vergonha de ser contraditório.
Minha história começa no Big-Bang há doze bilhões de anos, há nove bilhões
se formaram as primeiras galáxias, a três bilhões de anos a terra estava
encaminhada, há cem mil anos o homo sapiens despontou vencedor entre os
hominídeos, há trezentos e quarenta anos minha família atravessou o mar e
veio ao Brasil, há trinta e um anos meu pai copulou com minha mãe, e entre
cinqüenta milhões de espermatozóides eu fui o primeiro a penetrar no óvulo
que se encontrava disponível. A despeito da taxa de fecundidade de dez por
cento da espécie humana eu vim a termo nove meses depois. Trinta anos depois
estou eu aqui escrevendo este texto, que você, que também tem uma história
de doze bilhões de anos e de ser um espermatozóide vencedor, está lendo. E
eu chamo isto de um verdadeiro milagre, que nenhuma ciência consegue
explicar. Sou o contraditório ateu que crê em milagres.
A todos muita paz, muito amor, e uma vida longa e profícua.


Porto Alegre, 14 de março de 2003.

Alexandre Ulrich Álvares da Silva é Médico Anestesiologista.
Tem 30 anos de idade, e poucos perconceitos.

Mail to: aulrich@uol.com.br

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3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte III de III)
Rafael Luiz Reinehr

1. INTRODUÇÃO
2. O AMBIENTE DE TRABALHO
3. AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
4. DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE
5. DO OUTRO LADO
6. O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA
7. INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR
8. ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS
9. MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS A FUNÇÃO HUMANIZADORA
10. CONCLUSÃO

ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS

Às 17:00, quando se encerram as atividades usuais dos médicos residentes
(como supra-mencionado), iniciam-se as atividades de plantão. Nessas, vários
acontecimentos interessantes podem ser observados.
Todos acontecimentos a seguir me foram contados por médicos residentes que
acompanharam a situação, e demonstram geralmente situações cômicas, tristes,
casos de negligência e experiências inusitadas.
Há pouco tempo atrás, a equipe de plantão fora chamada para atender um
paciente em parada cardio-respiratória. Chegando ao local onde estava o
paciente, a equipe iniciou manobras de ressuscitação, que incluem intubação
orotraqueal (a colocação de um tubo plástico pela boca do paciente passando
pelas cordas vocais até dentro da traquéia do paciente), a massagem
cardíaca, a administração de drogas estimulantes cardíacas e a desfibrilação
(a descarga de um choque no peito). Após várias tentativas sem sucesso, mais
de 30 minutos de massagem cardíaca permanecendo o paciente em parada
cardíaca e respiratória, estando sem pulso e com outros sinais de morte
cerebral, a equipe decide parar as manobras de reanimação, pois as
possibilidades de retorno beiram o zero. Avisam a enfermagem para preparar o
corpo e pedem para que sejam avisados quando chegar o atestado de óbito.
Nesse momento, vão todos para a sala dos médicos, onde havia acabado de
chegar uma pizza que haviam pedido para a janta. No momento em que começam a
comer a pizza, um auxiliar de enfermagem vem lhes avisar que o paciente
voltou a ter pulso. Naquele momento, a confusão foi geral, pois a
possibilidade de um acontecimento como aquele é remotíssima. Conseguem um
leito na UTI, e encaminham o paciente para lá. Segundo consta, o paciente
vive, de forma vegetativa, até hoje.
Outro episódio, dessa vez triste ocorreu também quando o plantão foi chamado
para atender outra parada cardíaca, esta no começo do ano. Na chegada ao
local, iniciaram-se as manobras de ressuscitação mas logo identificou-se o
motivo da parada cardio-respiratória: a paciente estava recebendo
alimentação que deveria ser dada por meio de sonda naso-entérica, que
levaria o alimento ao intestino, no intracath, que estava em uma veia do
pescoço, levando à uma embolia por causa do alimento correndo na circulação
sangüínea. Na ocasião, ninguém além da equipe de plantão e os enfermeiros de
plantão ficaram sabendo do assunto, sendo que o funcionário responsável foi
demitido, mas sem processo jurídico criminal.
Nos plantões também ocorrem situações de grande estresse emocional, como
aconteceu a um residente que conta a seguinte história:
Estava ele na sala dos médicos quando foi chamado por uma auxiliar de
enfermagem que lhe disse que a familiar do paciente que o estava
acompanhando estava fazendo sexo oral no paciente, em um quarto com outros 3
pacientes, sendo que um paciente era um paciente que havia sofrido um
acidente vascular cerebral, outro era um paciente sidético com infecção do
sistema nervoso central (ambos sem condições de se aperceber do que estava
acontecendo) e um outro paciente que estava dormindo ou assim o fingia para
não presenciar a cena. Então, o residente vai ao quarto para conversar com o
paciente, que estava fazendo tratamento para embolia pulmonar, recebendo
tratamento com fármacos endovenosos, e sua esposa, pedindo-lhe que não
repetissem atos como os presenciados pela auxiliar de enfermagem. No mesmo
momento o paciente fica indignado e assume uma postura agressiva, desferindo
palavrões e chamando todos de mentirosos, reclamando que estava sendo
maltratado e que queria sair do Hospital. Apesar de ser avisado que seu
tratamento ainda não havia acabado e que poderia sofrer de complicações por
sua doença se saísse naquele momento, o paciente assinou um termo de
compromisso e saiu do Hospital. Deste paciente nunca mais se teve notícias.
Sobre as histórias acontecidas em plantões pode-se discorrer horas a fio,
creio até publicar um livro, o que não é o objetivo do presente trabalho.
Ademais, qualquer cientista social interessado em mais detalhes de tais
acontecimentos pode deslocar-se a qualquer momento ao Hospital Conceição e
coletar histórias a seu bel prazer.

MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS A FUNÇÃO HUMANIZADORA

Em um plano geral, percebe-se claramente o papel da residência médica para o
médico residente: ela tem uma função predominantemente profissionalizante,
especializadora, de preparação do jovem médico para o mercado de trabalho, o
que, parece, não é adequadamente realizado pela Universidade.
Ao lado do caráter de aprendizado inerente à residência médica, encontramos
fortemente um caráter social, nitidamente visualizado na relação da maioria
dos médicos com seus pacientes, buscando solucionar, da melhor forma de
acordo com as capacidades e características pessoais de cada um, os
problemas dos pacientes, com o intuito de devolver à sociedade uma pessoa
apta a seguir se relacionando de forma produtiva com as demais ou, se isto
não for possível, atenuando o sofrimento desta pessoa ou, se nem isso for
possível, tão somente confortando essa pessoa. Como já dizia Francis
Peabody: "To cure sometimes, to relief often and to confort always" (curar
às vezes, aliviar freqüentemente mas confortar sempre).
O fato de haver um caráter social intrínseco ao trabalho médico não introduz
obrigatoriamente um caráter humano no relacionamento entre médico e
paciente. Para isso é preciso muito mais. Para isso é preciso, a meu ver,
uma tendência inata em cada pessoa participante e uma educação, uma mudança
de paradigma e de perspectivas que leve alguém forjado no mundo
individualista em que vivemos à aceitação de conceitos humanitários de que
tanto precisamos nos dias de hoje.
A aplicação desta constatação vale para qualquer área do conhecimento
científico ou mesmo artístico de hoje, não somente para a área médica. Hoje
em dia sabemos tanto e temos tão pouca idéia de o que fazer com tudo o que
produzimos. Nossa tecnologia já é capaz de abandonar a energia de produtos
fósseis, mas o deixamos de fazer. Já temos formas nunca antes imaginadas de
desvendar os mistérios físico-químicos do nosso corpo e da natureza mas não
conseguimos nos relacionar adequadamente com nossos vizinhos.
Esses aspectos revelam a crise atual que vivemos, caracterizada por uma
falência na nossa capacidade de prever, de visualizar acontecimentos (ou na
negação dessa nossa capacidade). Isso se aplica tanto para nossos jovens
médicos residentes que por muitas vezes lutam tanto para salvar vidas de
pessoas muito idosas e com patologias que lhes conferem grande sofrimento ou
para suas famílias e que, na não tão distante Medicina do século passado não
teriam chegado nem perto de um Hospital, quanto para nossos políticos que
acreditam que seu plano de governo deve ser para 4 anos, enquanto durar seu
mandato, para que seu colega ou eles mesmo possam se reeleger, por vezes
tomando decisões pouco "nutritivas" ou mesmo danosas para a economia do país
ou dos seus habitantes. Vale a pena lembrar a atitude dos índios
pele-vermelhas norte-americanos, que sempre decidiam qual a melhor atitude a
ser tomada pensando na sétima geração vindoura.

CONCLUSÃO

Nada do que foi observado neste trabalho de campo não pode ser observado por
qualquer outro cientista social que resolver investigar os mesmos aspectos.
Talvez a dificuldade de acesso a certos acontecimentos pouco freqüentes e
que costumeiramente não são relatados a pessoas fora da área médica
certamente seria grande, talvez até mesmo impossibilitando um diálogo
totalmente franco entre o médico e seu entrevistador, pois sempre que
questões de ética permeiam o discurso, a retração por parte do médico é a
resposta natural.
Como resultado principal obtido após essa jornada ao mundo da Medicina,
apesar desta fazer parte da minha vida há pelo menos 7 anos, devo citar uma
maior consciência crítica acerca do que acontece ao meu redor. Muitas vezes
simplesmente fazemos coisas, ocasionalmente algumas nos desagradam mas
continuamos fazendo assim mesmo. Estas "coisas" acabam se tornando um
hábito, porque é mais fácil se adequar do que lutar contra forças que se
opõe.
A realização deste trabalho demonstrou que muito do que é realizado dentro
de um Hospital é resultado de um contrato entre seus participantes, que
cedem aqui e acolá para conviverem de forma mais ou menos harmoniosa.
Demonstrou que tipo de sentimentos perpassam pela cabeça dos pacientes
internados e principalmente demonstrou aspectos do relacionamento de médico
residente com outros profissionais e seus pacientes, através do seu trabalho
e até mesmo na forma em que este se refere a eles.
Um aspecto interessante que poderia ainda ser estudado em trabalhos
vindouros seria aprofundar a questão do relacionamento entre o médico e seu
paciente, levando em conta a assimetria da relação, já que, de um lado está
o paciente, doente, fragilizado, necessitando de ajuda e do outro está o
médico, imponente, senhor de todo saber (mesmo quando sabemos que nem sempre
é assim).
Finalizando, parafraseio Hegel, que retrata de forma adequada o sentimento
que agora tenho em relação ao que sabia e o que agora sei sobre a vida desse
grupo humano tão heterogêneo - os médicos residentes - : "O que é bem
conhecido, justamente por ser bem conhecido, não é conhecido".

Porto Alegre, 15 de dezembro de 2000.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. LEACH, Edmund. "Anthropos" In: Enciclopedia Einaudi - Gráfica Maiadouro,
1985:17-56

2. MALINOWSKI. B. "Tema, método e objetivos desta pesquisa" In: ZALUAR,
Alba (org.) - Desvendando Máscaras Sociais - Rio de Janeiro, Francisco
Alves, 1980:39-61

3. EVANS-PRITCHARD, E.E. "Algumas Reminiscências e Reflexões sobre o
Trabalho de Campo" In: Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande, 298-316

4. PEIRANO, Mariza. "A Favor da Etnografia" In: A Favor da Etnografia. Rio
de Janeiro, Relume-Dumará, 1995:31-57

5. DaMATTA, R. "O Ofício do Etnólogo ou Como ter "Antropological Blues"" In:
Boletim do Museu Nacional. Rio de Janeiro, Museu Nacional, 1978:1-12

6. VELHO, G. "Observando o Familiar" In: Nunes, E. (org.) A aventura
sociológica. Rio de Janeiro, Zahar, 1978:36-46

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 21 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 10

rato ra Ra

Paulo deu um colar à Ana.
O rato levou o colar de Ana.
Ana ficou muito triste.

O rato não é bom, não.
O rato estraga tudo.

A garrafa é da Ana.
Ana põe leite na garrafa.
O leite da garrafa é para o bebê.

garrafa arra

colar lar

ra re ri ro ru
ar er ir or ur
arra erre irri orro urru

O rato rasgou o cobertor da Ida.
Ida ficou triste porque o cobertor custou caro.
O rato roeu o sapato do Tito.
Tito levou o gato para pegar o rato.
O rato ficou com mêdo do gato.
O rato correu.
Entrou num buraco.

1. A lição de Davi não tem erros.
2. Tadeu está rindo na rua.
3. Laura rasgou o fôrro da saia.
4. Ana enrolou o novêlo de lã.
5. Não dê murro em ponta de faca.

Tito e Ida andam na chuva.
Andam muito apressados.

A chuva cai sem parar.
A chuva fará brotar a semente.

Chuva que ronca não cai.

chuva chu

u a i o e
chu cha chi cho che

A garrafa ficou na chuva.
Paulo correu para buscar a garrafa.
Êle escorregou na lama e caiu.
E a garrafa?
A garrafa quebrou-se.

Os irmãos foram caçar.
Andaram no mato até o meio-dia.
Não acharam nada.
Os bichos correram para o outro lado do mato.
Os cachorros também procuraram caça.
Os cachorros acharam um porco-espinho.
Foram feridos por êle.
Todos ficaram tristes.
Descansaram o resto do dia.

andam ficam acham
andaram ficaram acharam

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5. Escrever por Escrever XI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{23/04/2001 - Segunda-feira - 23:52}

Hoje o dia foi tranqüilo: acordei às 6:43, atendi um paciente no Centro
Clínico, saí da Clínica às 7:07 fui para PoA, trabalhei no Conceição das
8:00 às 17:20, fui pra faculdade, tive aula de Introdução à Ciência Política
até às 21:00, vim para casa, o clima estava tranqüilo, não discuti com minha
mãe, a janta estava boa (assim como o almoço), nunca vi frase com tantas
vírgulas, achei minha declaração de rendimentos como médico residente,
afinal tenho que declarar meu primeiro Imposto de Renda, e o primeiro Leão a
gente nunca esquece, e não sei se vou declarar os "bicos" que fiz no ano
passado, primeiro porque nem lembro direito onde e quanto ganhei em cada um,
só tenho medo de ser pego na malha fina, agora há pouco, enquanto arrumava
uns papéis me ligou a Weruska, grande amiga minha e menina muito bonita,
inteligente, carinhosa e espirituosa, além de ser uma pessoa que vai longe,
ficamos conversando por demorados minutos matando a saudade, até rolou um
flertezinho, gostaria de vê-la novamente, e agora chega de vírgulas.
Recebi uma carta da Carol, que transcreverei em algum dia durante a semana,
quando tiver mais tempo. Fiquei muito feliz com o que está nela escrito.
Realmente surpreendente! Agora vou até ligar para ela para conversarmos um
pouquinho... Tchau... {24/04/2001 - Terça-feira - 00:02}

{25/04/2001 - Quarta-feira - 20:11}

Bem... Eu realmente falei com a Carol... E a conversa foi bem boa! Acho que
dessa vez vamos ser mais amigos...
Ontem trabalhei o dia inteiro, fui pra aula de Antropologia do Corpo e da
Saúde, depois vim pra casa e me preparei para ir para o Opinião. Fomos eu, a
Cris Traiber, o Eduardo - que conseguiu os convites com o Andy Boy - e dois
amigos do Eduardo. O show do Andy estava bom mas o do Nuno Mindelis... Foi
EXCEPCIONAL!!! O cara arrasa, detona, mata a pau, bota pra quebrar, é
demais! Toca muito bem. Gostei pra caramba. É dessa forma que a gente se dá
conta da nossa insignificância (como músico, pelo menos!). Saí satisfeito de
lá. Levei a Cris em casa e cheguei na minha por volta da 1:30. Assisti um
pouco de TV e dormi. Hoje trabalho normal, Ambulatório da Endocrino e o meu
eu pedi para a Camila fazer, porque tinha que estudar um pouquinho para a
prova de Introdução ao Pensamento Sociológico. Fui fazer a prova: não sei
não... Não senti muita firmeza no meu taco... Deixa assim... Agora vai ter
uma janta aqui em casa: a Mônia vai preparar lasanha à bolonhesa. Quem vem?
Eu acho que quem vem é a Mônia e o namorado, Adriano, a Patrícia e o
namorado, Marcelo, a Jerusa e o namorado, Alessandro, a Vanessa, o Milton e
só! Vamos ver no que dá! Agora vou arrumar um pouquinho as bagunças que eles
já devem estar chegando! {25/04/2001 - Quarta-feira - 20:21}

{26/04/2001 - Quinta-feira - 02:37}

Quando estava falando dos Projetos que tenho a médio e a longo prazo,
acabei esquecendo de falar do "Simplicíssimo", meu jornalzinho virtual, que
começou com edições impressas e passou para a internet em formato "somente
texto", mas que agora está parado. Nele quero falar sobre tudo que me
interessa e o que eu acho que deva interessar às outras pessoas. Cultura em
geral. De atualização quinzenal, pode ter a participação de qualquer pessoa.
Gostaria de ter uma versão em inglês também. Vez ou outra, coisas que eu
escrever aqui vão (ou são) do Simplicíssimo ou irão (ou foram) do jornal.
Agora vou terminar de ver um filme na Globo sobre um jogador maluco de
golfe. {26/04/2001 - Quinta-feira - 02:48}

{29/04/2001 - Domingo - 20:16}

Cá estamos: mais um plantãozinho em NH, no Centro Clínico. Das 19 horas até
agora, 5 consultas. Espero que a noite seja tranqüila!
Quinta-feira teve Natu Blues Festival denovo. Bem legal. Na Sexta
plantãozinho no Conceição, 2 paradas cardíacas no mesmo cara, intubei,
reanimamos, adrenalina, glicose hipertônica (HGT de 7!!!!!!!), o cara voltou
as 2 vezes. Parou novamente na SR. Aí, o R1 da Comunitária disse que era
para cessarmos a reanimação, pois ele tinha discutido por telefone com o
preceptor responsável pelo caso... Putz! Depois de tanto esforço...
Sábado vi os pacientes da Endocrino, fui pra casa, almocei e dormi das
13:30 às 19:00. Aí fiquei em casa tocando, assistindo TV e criando a minha
mais nova "Magna Opus": o site do Simplicíssimo, que vai ficar hospedado na
Tripod, onde tenho 12 Mb para criar! Uêba!!! Espero que até o próximo
fim-de-semana esteja pronta. Veremos...
Hoje fui ver os pacientes da Endocrino, almocei carne de coelho - que a
propósito vai ser minha janta (trouxe uma marmita pro plantão) - e depois
toquei e fui pra Internet "denovo".
Hoje é aniversário da Débora, uma menina que eu conheci em Gramado há uns 3
anos atrás quando fui num Congresso de Clínica Médica. Inclusive, ela está
aqui em NH, na casa do pai dela. Agora ela está morando em PoA, sozinha.
Ficamos por algum tempo, bem na época em que eu deveria estar estudando para
a AMRIGS. Naquela época eu devia estar estressado. Decidi acabar. Ela ainda
gosta de mim, e sempre que nos vemos ou falamos ela deixa isso bem claro.
Agora tenho paciente para atender. Volto daqui a pouco. {29/04/2001 -
Domingo - 20:26}

{29/04/2001 - Domingo - 22:36}

Eu já gostei mais da Xuxa do que eu gosto agora, mas tem uma coisa que ela
disse uma vez, ainda no antigo Xou da Xuxa, que é algo mais ou menos assim:

"Como seria bom se todos nós tivéssemos um botãozinho no corpo que, quando
apertado, nos faria imediatamente amar uma pessoa, e gostar tanto dela
quanto ela de nós."

Infelizmente não temos esse botãozinho, então, em alguns casos nos resta
amar sem ser amados, ou deixar que nos amem enquanto tentamos retribuir pelo
menos em parte o amor que nos é oferecido.
Essa coisa de amar sem ser amado me fez criar, um dia, uma teoria: a
"Teoria dos Raiozinhos do Amor". Segunda a minha teoria, o Amor sempre é
bidirecional, ou seja, ambas partes mandam "raiozinhos" de amor uma em
direção à outra, que se entrecruzam. Quanto maior o entrecruzamento desses
raiozinhos, maior é a afinidade, a cumplicidade, o respeito, a admiração,
enfim, o Amor. Quando as pessoas, pelas agruras da vida, surgimento de
"intercorrências" ou outros tantos motivos, começam a diminuir a intensidade
dos seus "raiozinhos" de amor ou mesmo mudar a sua direção, para um outro
alguém, para o trabalho ou até para si mesmo, isso deixa de ser amor. Isso
passa a ser sentimento de posse, ciúme, paixão (por parte da parte
(desculpem a cacofonia) que ainda manda seus "raiozinhos" em direção ao seu
objeto de desejo) ou o nome que vocês quiserem dar. Mas não é mais Amor. É
uma teoria. E só. Como isso é para ser uma regra (e toda regra tem uma
exceção), ela tem uma exceção, e uma só: no caso do Altruísmo: o Amor é um
sentimento altruísta, quer o bem sem olhar a quem e sem esperar nada em
troca. Nesse caso, no do Altruísmo (que é uma forma de Amor) não é
necessário que a outra parte esteja mandando os "raiozinhos" de amor em
direção à parte altruísta - mesmo por que às vezes esta nem mesmo fica
sabendo quem foi o responsável por tal ato de bondade e amor - basta estar
receptiva aos "raiozinhos" da parte benfeitora. É bom lembrar que, no caso
desta exceção, na verdade o Altruísmo que está mandando os "raiozinhos" de
amor para tudo que é lado na verdade está sendo correspondido: está sendo
correspondido por "raiozinhos" de amor do Ambiente, pois tudo aquilo que
fazemos, de alguma forma retorna a nós, cedo ou tarde, de alguma forma
(ATENÇÃO: ISSO É UM DOGMA! CUIDADO COM OS DOGMAS!!!). Já dizia Newton: a
toda ação cabe uma reação de força igual a ela mas em sentido contrário.
Ainda sobre o Altruísmo, me lembrei de algo que, acho, Nietsche escreveu
(li isso quando fiz um trabalho para a cadeira de Desenvolvimento da Criança
e do Adolescente na Faculdade de Medicina, acho que no terceiro semestre):
segundo ele, o motivo último da vida é a Vontade de Poder. Para tanto, todos

os seres vivos, sem exceção, desde os unicelulares até o ser humano busca
sempre o melhor: ser mais rápido, mais forte, mais resistente, mais ágil,
mais inteligente, mais apto a sobreviver, sobrepujar os outros para alcançar
o poder e dessa forma garantir sua sobrevivência. Sabe que eu concordo com
ele? Lembram daquela parábola que eu contei mais acima sobre os dois homens
na ilha deserta? Poder é sinônimo de sobrevivência nesse contexto.
Estou feliz com a Carol. Ela vai se dar muito bem na Psicologia e depois
como psicóloga. Ela vai longe! Encaminhei meu trabalho de Antropologia I
para que ela mostre ao professor dela na UFSM. Eles estavam tratando
justamente sobre esse assunto: médicos, pacientes, dificuldades na
comunicação e compreensão dos diferentes significados. Como, alega o
professor dela, os médicos de hoje, cada vez mais, não compreendem seus
pacientes, principalmente aqueles mais socio-economicamente distantes. Usa
como exemplo um caso onde o médico prescreveu, para uma família paupérrima
toda acometida de diarréia, que esta ferva a água antes de beber. Após, um
grupo de pesquisa foi à vila onde mora a família e esta não obedeceu às
instruções do médico, quer seja por que lá ou as famílias não tem vasilhame
para ferver a água, ou não tem condições de dispender gás ou outras formas
economicamente viáveis de ferver a água diariamente, ou por outros vários
motivos relacionados, por exemplo, à crença de que a água, fervida ou não,
continua sendo a mesma. Esquece o professor que ele está generalizando, e
como toda generalização, os argumentos devem estar fortemente embasados para
que não se tornem falácias. Nesse caso, falando por mim e tenho certeza,
também por meus colegas de residência médica, temos plenas noções dessa
situação sócio-econômica, mesmo porque trabalhamos no Hospital Conceição,
onde as pessoas não tem dinheiro nem para pegar um ônibus urbano de volta
para casa quem dirá comprar o Genérico mais chuleiro. Logo abaixo vos
apresento meu trabalho de campo de Antropologia I, trabalho que gostei muito
de fazer, e que inclinou-me a realizar outras 'aventuras etnográficas" no
futuro, como o Projeto Interiores, que já citei:

(((((( aqui está o trabalho "A Dinâmica dos Relacionamentos do
Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia", publicado nas edições de números 13, 14 e
15 do Simplicíssimo.))))))

De uma hora para outra, meus escritos foram de 25 para 53 páginas! Que
malandragem, hein? Ah! Espera só até eu colocar todos meus escritos que eu
tenho guardados, incluindo até uma seleção das melhores "composições" do
primeiro grau... Vai ser um espetáculo!
Bem, onze e vinte e três, vou deitar um pouquinho. Daqui a pouco deve ter
mais alguém para atender. Até terça provavelmente. Bye! {29/04/2001 -
Domingo - 23:23}

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EDIÇÕES ANTERIORES: www.tudoestaimpressonoeteruniversal.blogspot.com

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LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
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científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

Atualmente o Simplicíssimo conta com [93] assinantes

Rafael Reinehr 10:42 AM

Sexta-feira, Março 14, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semanal
14/03/2003 - Edição número 14 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"3 Dois 11 Zero 0 XI..."
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1. Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Espaço místico - A verdadeira prece...............Osho, encaminhado por
Daiana Mess

3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte II de III).......................Rafael Luiz Reinehr

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 22 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever X
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

É incrível a produção cultural que temos ao nosso redor e o acesso
restrito que temos a ela. Somente nas últimas semanas tive acesso a alguns
dos sites mais interessantes que já vi. Dizer que a Internet é uma maravilha
chega a ser micrométrico de tão batido. Mas realmente... Não fosse o tempo
extremamente restrito para criação que estou me infligindo, e quem sabe, se
perambulasse e falasse mais com pessoas diferentes da minha área de atuação,
já teria entrado em contato muito mais cedo com sites como o
www.argumento.net , www.fraude.org e www.nao-til.com.br (que já conheço há mais tempo mas não consegui debulhar ainda). Sítios assim são uma inspiração constante para nossos processos criativos.
Só fui dar atenção aos blogs por acaso, nas últimas duas semanas.
Descobri que esses blogs são formas fáceis de se armazenar informações na
Internet. Mesmo taipas como eu podem colocar seus escritos e dos "asseclas
conveniados" na rede de forma extremamente indolor e sem gastar muito do
precioso e raro tempo. Fiz isso! Agora o Simplicíssimo está na Internet!
Joguei todas as edições anteriores no endereço
www.tudoestaimpressonoeteruniversal.blogspot.com . Enquanto não me aventurar em algumas "aulas" de programação HTML e afins vou seguindo no "recortar e colar" textos mesmo, o que já me deixa bastante satisfeito (he-he!).
Sem mais delongas, reacendo a fagulha criativa escondida em suas massas
cinzentas e sopro, buscando transformá-la em chama, fogueira e incêndio,
para queimar as mentes inertes da massa igualmente inerte que zanza pelos
becos da vida. Convite maior não precisa: participem do Simplicíssimo!
Divulguem! Criem algo melhor se puderem e me convidem para participar (mas
me façam saber!)... Mexam suas bundas imóveis e quadradas!!! Movam seus
dedos e teclem um pouquinho de quando em vez!
Fui!

PS: Quem não viu "As Horas", que vá. Filme muitíssimo bom. Memorável. Mas
que tenha certeza, antes de ver o filme, que tenha resolvido seu problemas
psicológicos mais importantes (e também das pessoas próximas). Do contrário,
irá sair do cinema realmente deprimido e absolutamente reflexivo. Drama do
tipo "análise da condição humana", relata a vida de uma mulher durante um
dia, somente um dia, de sua vida. Bacanérrimo, desde que seja respeitada a
ressalva acima. Você não vai querer uma crise vital agora, vai?

PS 2: Visitem os sites acima!

PS 3: Desabafo: Se só tem coisa minha escrita nessas edições do
Simplicíssimo, não tem nada a ver com o "processo seletivo" do e-zine! É
porque (quase) ninguém cargas d´água participa! Até agora, nenhum artigo,
ensaio ou texto foi censurado (nem será!). Simplesmente publico o que chega
até mim via superjazz7@terra.com.br . Se não recebo nada, vou "enchendo
linguiça".

PS 4: nesta edição inaugura-se o "Espaço Místico". Coluna semanal por tempo
(in)determinado. Idéias para colunas futuras? Quer ter a sua própria coluna?
Aqui isto É possível! Como? É só solicitar (cacos fônicos!) e escrever! O
e-mail está aí em cima!

PS 5: idéia para substituir a Cartilha do Simplicíssimo após sua edição
derradeira: dicionário de palavras looooooongas (com 15 ou mais letras).

Rafael Luiz Reinehr
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2. A verdadeira prece
(enviado por Daiana Mess)

Quando você estiver pronto para receber, e somente então, você receberá...

Quando você estiver pronto para ouvir, e só então, você ouvirá...

E se você estiver pronto agora, neste instante, as coisas serão ditas a
você.

Coisas que não podem ser ditas às pessoas casuais. Elas são apenas curiosas
e a curiosidade delas as torna superficiais. Não estão prontas para
receberem algo. Não saberiam o que fazer. A mente delas funciona de uma forma infantil.
Querem apenas saber tudo, mas não penetram fundo em nada. E têm muito medo de sentir.

No momento em que colocar a sua xícara do lado certo, eu posso despejar.

Esteja pronto para receber. Você receberá o quanto puder receber. Sua
capacidade será o limite.

Se você estiver totalmente aberto, então não haverá limite.

Todo o oceano está pronto para cair na gota, mas a gota não deve ter medo.
Não deve tentar se proteger.

Kabir, um dos maiores místicos que já existiu, disse duas coisas: "No
início, quando eu estava em busca de Deus, pensava que minha gota de água
cairia no oceano do Divino. Mas, quando realmente aconteceu, foi bem ao contrário – o oceano caiu em minha pequena gota". Sempre acontece assim. Você não vai encontrar Deus; Deus vai encontrar você. Como você pode procurar Deus? Você não conhece o seu paradeiro; você não sabe o seu endereço.

Ele está buscando você constantemente e, sempre que você está pronto, o
oceano derrama-se em você.

A meditação deixará você pronto; a compaixão o tornará perfeito. Pragya
(meditação) e Karuna (compaixão) - deixe que sejam a sua meta. Deixe que
toda a sua vida gire em torno dessas duas coisas, e em breve você encontrará
a harmonia. Então, muitas coisas poderão ser derramadas em você. Meditação,
compaixão e gratidão.

Sempre que você medita, você se sente bem aventurado; sempre que sente
compaixão, Fica em êxtase. Então surge a gratidão, não dirigida a ninguém em
particular; a gratidão simplesmente surge. Você se sente grato apenas por
estar aqui, apenas por estar vivo, apenas por ser capaz de meditar, apenas
por ser capaz de sentir compaixão. Você simplesmente se sente grato. Esta
gratidão não se dirige a ninguém, mas, sim, ao todo. Quando você realmente
floresce na meditação, então seu perfume não é dirigido a ninguém; seu
perfume se espalha em todas as direções. E qualquer um que passe perto de
você sentirá a sua fragrância, e a levará consigo. E se ninguém passar por
você, então, nesse caminho solitário e silencioso, sua fragrância continuará
se espalhando, sem estar endereçada a ninguém.

Abandone essa mente. Permita que o seu ser floresça. Então você terá uma
fragrância. Então, o todo ficará feliz, em todas as direções e dimensões,
você estará sempre em êxtase, e sua gratidão não será limitada. Não será
dirigida a um ponto, e, sim, a tudo, por toda parte.

E só então chegará à verdadeira prece.

Essa gratidão é a verdadeira prece.

Osho

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3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte II de III)
Rafael Luiz Reinehr

1. INTRODUÇÃO
2. O AMBIENTE DE TRABALHO
3. AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
4. DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE
5. DO OUTRO LADO
6. O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA
7. INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR
8. ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS
9. MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS A FUNÇÃO HUMANIZADORA
10. CONCLUSÃO

DO OUTRO LADO

Mudando então de lado, temos os prestadores do serviço de saúde: médicos,
enfermeiros e auxiliares de enfermagem (dos últimos falarei brevemente), que
mais diretamente estão em contato com os pacientes.
Os auxiliares de enfermagem são diretamente subordinados à(ao) enfermeira(o)
do posto em que trabalham e fazem junto aos pacientes aquilo que podemos
considerar o "trabalho braçal", como dar banho e trocar a roupa dos
pacientes, lhes levar e aplicar as medicações, trocar os equipos de soro,
preparar material para auxiliar os médicos em procedimentos junto aos leitos
e assim por diante.
A(O)s enfermeira(o)s são responsáveis pela realização de todas essas
atividades pelos auxiliares de enfermagem, fazendo uma espécie de
coordenação dos trabalhos, além de também realizarem alguns procedimentos
não permitidos aos auxiliares de enfermagem, como realização de sondagem
vesical (colocação de um cano flexível pela uretra para retirar a urina em
pacientes com retenção urinária),introdução de abocaths, que são pequenas
cânulas colocadas em veias dos braços para que possam ser administradas
medicações ou soluções, e passagem de sonda "naso-gástrica" e
"naso-entérica" para administração de alimentos (a primeira mais calibrosa
e geralmente de caráter temporário que é introjetada pelo nariz e se aloja
no estômago e a segunda, mais estreita e comprida, também passada pelo nariz
e que vai se alojar no intestino).
Além disso os enfermeiros gerenciam a administração de medicamentos
prescritos pelos médicos e servem como intercâmbio entre a Central de
Leitos, que encaminha os pacientes para a internação, e os leitos
propriamente ditos, na Enfermaria.

O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA

Finalmente, temos os médicos residentes, que, ao contrário dos enfermeiros e
auxiliares de enfermagem não são vinculados diretamente ao Hospital, e sim
ao Programa de Residência Médica do Hospital, permanecendo ligado a este por
cerca de dois anos, recebendo como pagamento uma bolsa proveniente de verba
do governo federal, esta no valor aproximado de R$1043,00 (R$ 1399,00 a
partir de fevereiro de 2002)
Tentando fazer uma caracterização do nível socioeconômico da população de
médicos residentes, esta pende para classe média¹

(¹ Classe média na estratificação sócio-econômica de Reinehr: classe média é
aquela composta por pessoas que se importam com o preço da gasolina; classe
alta é aquela onde as pessoas não se importam com o preço da gasolina pois
têm dinheiro o suficiente para não se preocupar; classe baixa é aquela que
também não se preocupa com o preço da gasolina, mas é porquê não tem no quê
por gasolina.),

levando em conta o fato do salário recebido por cada um, as vestimentas
utilizadas, seus hábitos alimentares e de lazer e depoimentos pessoais. O
fato da maioria ser originária do interior do Estado ou de Estados vizinhos
como Paraná e Santa Catarina, faz com que muitos morem sozinhos ou já com
algum companheiro(a), com quem dividem os gastos relacionados à habitação.
Como lazer, realizam atividades partilhadas por quaisquer outros adultos
jovens da classe média porto-alegrense ( a média de idade é de
aproximadamente 26 anos), tais quais ir a cinema, teatro, espetáculos
musicais, bares e discotecas noturnas, organizam festas entre si, etc.
Poucos residentes conseguem ter alguma outra atividade fora da residência
médica. Dos 40 residentes do Serviço de Medicina Interna, temos dois que
tocam instrumentos musicais em bandas, uma residente que faz aula de canto,
oito que praticam atividades físicas regulares indo a academias, dez que
fazem aulas de línguas (principalmente inglês) e um que faz outro curso
terciário. Além disso, praticamente todos excluindo quatro residentes têm
atividades profissionais pagas fora da residência, os chamados "bicos", onde
trabalham em atendimento de urgência e emergência em Postos de Saúde,
Hospitais da capital e do interior, serviços de atendimento domiciliar como
EccoSalva ou mesmo em UTIs de hospitais do interior (geralmente só
residentes de segundo ano após a metade de seu segundo ano). Para tanto
recebem cerca de R$12,50 a R$20,00 por hora de trabalho, possibilitando um
aumento médio na renda mensal de R$400,00 a R$1000,00 de acordo com a
vontade pessoal de cada um de dispor de seu tempo.
Os médicos residentes, diferentemente dos enfermeiros e auxiliares de
enfermagem não necessitam "bater-ponto" na entrada e saída do Hospital.
Geralmente chegam ao Hospital por volta das 7:00 às 8:00, dependendo da
equipe em que estão. O que determina o horário de chegada, é o horário do
round, onde são discutidos os casos com os preceptores. Quanto mais cedo o
horário do round, mais cedo o residente chega. O horário de saída também é
variável: às 17:00 usualmente e às 18:00 quando estes têm atendimentos
ambulatoriais.
Outra atividade, realizada pelos médicos residentes (a quem me deterei mais,
por serem o centro do meu estudo) são os plantões noturnos, que iniciam às
17:00 e se prolongam até às 8:00 do dia seguinte. Nesse plantão, juntamente
com o enfermeiro e os auxiliares de enfermagem da noite, permanecem
trabalhando um a dois residentes de segundo ano e três residentes de
primeiro ano, juntamente com dois doutorandos, que é o nome dado a
estudantes de Medicina de sexto ano, que fazem seus estágios finais naquele
Hospital.
Uma constatação importante que é verificada em conversa com um residente de
segundo ano é o fato de que, no plantão noturno, não existe a presença de
nenhum médico contratado mais experiente, sendo que justamente nesse
momento, todas intercorrências e eventos graves devem ser realizadas pela
equipe de plantão. O que consta na lei que rege a residência médica é que,
mesmo em situações de plantão, os médicos residentes devem estar
acompanhados de médico mais experiente para lhes dar orientação em casos
difíceis. Em relação a essa questão, os residentes se dividem: alguns
acreditam ser realmente muito necessária a presença de um orientador durante
a noite e a sua falta é lamentada, enquanto outros referem que julgam
desnecessária a presença de um preceptor neste período, sendo a
disponibilidade de um telefone para dirimir eventuais dúvidas o suficiente.
Outros ainda lembram que o plantão é uma oportunidade única para que eles,
residentes, ajam como médicos contratados e preceptores, tomando todas
decisões necessárias acerca dos pacientes.
Como já citado, os médicos residentes são divididos em equipes, que são em
número de oito (conforme o número de preceptores), sendo que alguns, em cada
mês do ano passam também pelo Serviço de Emergência, pela UTI, pelas
especialidades do Hospital ou de outros Hospitais (em estágio opcional) ou
estão em férias.
Pela manhã, cada médico residente passa pelos quartos onde estão seus
pacientes, que são de número geralmente variável entre 4 e 6, procedendo com
uma breve entrevista, perguntando coisas do tipo:
- Como passou a noite?
- Está melhor da dor?
- Ainda com falta de ar?
- Está indo bem aos pés? E para urinar?
Ou, seja, perguntas que esclareçam algo a respeito da evolução
fisiopatológica do quadro do paciente. Observei que são muito poucos os
residentes que fazem perguntas do tipo:
- Recebeu visita do seu filho ontem?
- Como está se adaptando à sua permanência no Hospital?
- Que tal a comida do Hospital? Com certeza não é igual à da sua mãe, não é?
Isso me chamou bastante atenção entre os residentes: o fato de eles se
preocuparem muito mais em sanar algo específico, uma parte do doente, um
órgão, se preocuparem mais com a doença do que com o paciente em si.
Em conversa com uma residente que fazia aos seus pacientes perguntas do
segundo tipo, esta me disse o seguinte:
"A Medicina de hoje se caracteriza por um extremo cientificismo,
desenvolvido após as idéias de Descartes, cientificismo esse que quebrou o
todo em partes que deveriam ser analisadas, estudadas e esmiuçadas de tal
forma que se pudesse após reconstruir o todo e entendê-lo. É exatamente isso
que tentamos fazer com nossos pacientes. Mas ao fazer isso, esquecemos que,
fazendo parte desse todo, existe uma alma, até hoje incapaz de ser estudada
cientificamente. E justamente essa alma, que faz de cada um o que somos, é
deixada de lado no nosso estudo das doenças dos seres humanos."
Unindo-me às palavras da médica residente, lembro Edgar Morin, que uma vez
disse:
"O todo é maior que a soma de suas partes"
Algo interessante que essa mesma residente me lembrou é que está sendo
realizado há bem pouco tempo um projeto de humanização do Hospital
Conceição, organizado por alguns residentes da Medicina Interna em conjunto
com o Serviço de Psiquiatria do Hospital. Fui então participar de uma
reunião do grupo, que ocorre às terças-feiras às 11:00. Nessa reunião
participaram 4 residentes da Medicina Interna, um doutorando, um residente
da Psiquiatria e uma preceptora da Psiquiatria. Nessa reunião, recordou-se
que o grupo já organizou a vinda de um Coral e também de um grupo de
flautistas para o Hospital. Além disso estão planejando a realização de
musicoterapia, arteterapia e terapia ocupacional inicialmente com os
pacientes da Medicina Interna para depois expandir para todo o Hospital. A
dificuldade que encontram, segundo me contaram é conseguir apoio de todos
residentes. Nem todos têm um lado humanitário bem desenvolvido. Na mesma
reunião foi discutido um capítulo do Livro "O Ponto de Mutação" de Fritjof
Capra, o capíitulo 5: "O modelo biomédico". Logo após a reunião o grupo se
dividiu, sendo que alguns foram almoçar e outros terminar de realizar suas
obrigações.
Voltando à seqüência do dia de trabalho do médico residente, após a breve
entrevista com o paciente o médico passa a realizar o exame físico do
paciente. Esse exame físico pode tanto ser detalhado, se o paciente estiver
sendo visto pela primeira vez pelo médico residente ou se o paciente possui
alguma patologia grave que necessite de atenção redobrada ou sumário e
dirigido para os órgãos afetados em pacientes que o médico já conhece ou
possuem patologias de moderada ou sem gravidade iminente.
Após ter visitado todos seus pacientes, os médicos residentes geralmente vão
aos computadores em uma sala chamada "sala de prescrição", onde podem ver
resultados de exames solicitados no dia anterior ou mesmo exames de urgência
solicitados pelo plantão durante a noite. Obviamente alguns residentes vêem
o resultado dos exames antes de se dirigirem para ver os pacientes, isso de
pende da característica própria de cada um. Não consegui identificar um
fator que determinasse qual residente vai primeiro ao paciente e qual vai
primeiro ao computador.
Após este trabalho ter sido feito, os residentes que têm rounds mais cedo,
se dirigem para a "sala dos médicos", próximo ao 3°C, onde os mesmos são
realizados e os que têm seus rounds mais tarde passam ao trabalho de
"evoluir" seus pacientes, que se trata justamente de redigir no prontuário
do paciente a impressão subjetiva de sua doença, o resultado do exame
físico, resultados de exames realizados, um resumo da história clínica do
paciente e a conduta a ser tomada (ocasionalmente após o round algumas
condutas são mudadas ou outras são incluídas, conforme orientação do
preceptor).
No mesmo momento são feitas as prescrições dos pacientes, todas
computadorizadas, onde a dieta a ser oferecida, os cuidados a serem tomados
e as medicações a serem administradas estão registradas. Essas prescrições
são colocadas no prontuário do paciente, juntamente com a evolução, após
devidamente assinadas e carimbadas pelo médico residente. Após o paciente
ter sido prescrito, essas evoluções são recolhidas pelo serviço de
enfermagem, ficando, segundo informado, uma via na pasta, uma via para o
auxiliar de enfermagem responsável pelos cuidados e pela administração das
medicações e uma via sendo entregue à farmácia para que esta dispense as
medicações solicitadas.
Algo interessante que observei e pude notar pela indignação apresentada por
alguns residentes em relação às suas prescrições é o fato de haver, dentro
do Hospital, um órgão denominado "Serviço de Controle de Infecção
Hospitalar", basicamente um órgão de censura mas também de orientação,
capaz de negar a disponibilidade de determinadas medicações (antibióticos)
aos pacientes, sempre que julgar que a indicação da medicação não se
justifica por haver medicações ou mais baratas, ou mais adequadas ou de uso
não restrito conforme um "perfil de resistência microbiana" dentro do
Hospital. Isso por vezes causou atrito entre o Serviço de Controle de
Infecção e os médicos residentes. Os médicos alegam que o Serviço de
Controle de Infecção nunca fica a par do caso e às vezes censura medicações
que seriam as melhores para os pacientes simplesmente por uma questão de
custo, enquanto que o Controle de infecção alega que não é necessário usar
determinadas drogas que deveriam ser deixadas para reserva quando existem
outras disponíveis, mesmo sem igual garantia de eficácia.
Em um dia em que estive no Hospital para fazer este trabalho, já nas férias
e despido de jaleco, acompanhei o dia de um médico residente. Depois de ele
ter realizado aquelas atividades matinais já descritas, eram cerca de 11:30
e fomos almoçar. Para o almoço existem basicamente duas opções: o refeitório
do Hospital e os restaurantes/lancherias dos arredores. Decidimos encarar a
primeira opção, e combinamos realizar a segunda em outra oportunidade.
Na entrada do refeitório uma grande fila, composta por funcionários vestidos
de vários tipos de uniformes: além dos médicos e seus jalecos brancos
encontramos recepcionistas e atendentes com seus mini-jalecos de cor
amarela, auxiliares de enfermagem todos de branco, enfermeiros de calça
branca e casaco azul, funcionários da administração com roupas comuns e
funcionários da manutenção com seus macacões azuis, na sua maioria bastante
sujos.
Na entrada do refeitório é exigida a identificação em uma roleta com um
crachá eletrônico, que libera a roleta. Segue-se então a fila e pega-se uma
bandeja, creio eu de aço inoxidável e serve-se, pela ordem,de saladas
variadas (em número de três), arroz, feijão e um outro complemento, que
naquele dia era massa ao alho e óleo e finalmente um pedaço de frango,
servido por uma auxiliar de cozinha ( a carne é o único alimento com
quantidade restrita). Como sobremesa, uma fruta. Ainda, junto aos talheres
podemos pegar um pãozinho. Também estão dispostos junto a um outro balcão
guardanapos de papel e copos plásticos, com os quais podemos nos servir de
água, resfriada por uma máquina que chamam de "refresqueira", e que, nos
fins-de-semana, oferece sucos artificiais.
Naquele ambiente, aparentemente todos comem juntos: médicos, funcionários
administrativos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, o pessoal da
limpeza, da manutenção... Mas se observarmos bem, dentro da heterogeneidade
que aparentemente se mistura, formam-se pequenos grupos homogêneos, e nas
mesas o que ocorre é que médicos sentam-se com médicos, enfermeiros com
enfermeiros e assim por diante, com algumas pouco freqüentes exceções. Qual
será o mecanismo que mantém separados a tão curta distância física mas a tão
grande distância de relacionamento essas pessoas? Não consegui elaborar uma
teoria adequada para responder a essa pergunta.
Depois do almoço fomos à Associação dos Médicos Residentes do Hospital
Conceição (AMERGHC), um local de encontro dos médicos residentes de
diferentes especialidades; um local para breves descansos, bate-papos e um
cafezinho com bolachinhas. O ambiente é pequeno, cabem cerca de 20 pessoas
apertadas, e a infra-estrutura conta com uma televisão, um aparelho de som,
um computador, a assinatura de uma revista e de um jornal, um garrafão de
água, cafezinho, chá e bolachas doces e salgadas, pagos com a contribuição
mensal dos residentes. Lá ficamos por cerca de 15 minutos, até que nosso
amigo médico decidiu voltar ao trabalho.
Das 12:30 às 14:00 é o "horário das visitas". Durante esse horário o médico
residente passa novamente nos quartos de seus pacientes para dar notícias da
evolução do quadro do paciente a seus familiares. Este é um serviço, como
pude notar, deveras difícil, levando em conta o perfil de cada familiar:
alguns se contentam com poucas explicações, mas outros fazem um inquérito
completo, metralhando o médico residente com toneladas de perguntas, algumas
até que este não consegue responder, principalmente quando se trata de
previsão de alta para o paciente.
Depois de dar notícias para os familiares o médico residente se dirigiu para
a "sala dos médicos" para aguardar a chegada de seu preceptor e a realização
de seu round. Foi justamente nessa hora que alguns aspectos muito
interessantes apareceram. Na sala dos médicos, existe uma mesa redonda com
várias cadeiras ao redor, dois sofás e algumas outras cadeiras amarelas como
que retiradas de um cinema antigo. Também existe um refrigerador, uma pia,
um armário onde se encontram vários livros de Medicina Interna e de uma
variedade de especialidades médicas, um Negatoscópio (que serve para olhar
raios-x) e um mural com a divisão dos plantões e a programação das
atividades científicas. Naquele horário não havia nenhum preceptor fazendo
seu round, então os residentes estavam somente batendo papo ou discutindo
alguns casos de suas equipes.

INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR

Em situações como essa, em que os médicos residentes estão sozinhos ou
acompanhados apenas dos doutorandos, é que consegue-se depreender a
existência de um vocabulário todo específico e com significados
surpreendentes. Por exemplo a palavra "tigre", que é usada no seguinte
contexto:
- E tu não sabes o que o "tigrão" me fez depois disso!
Onde tigre significa um paciente de baixa capacidade intelectual, geralmente
de baixo poder econômico, que não entende as orientações dadas pelo médico
em relação aos seus cuidados com as doenças ou tem concepções mágicas sobre
o surgimento ou a forma de curar sua doença. Essa forma de se referir a
alguns pacientes, pude conferir depois não se restringe à classe médica, mas
é compartilhada pela enfermagem também.
Outro termo identificado e de uso não corrente na linguagem popular e na
linguagem médico-científica é o termo "muchebo", utilizado para designar um
paciente em más condições gerais, com prognóstico ruim de sua doença e que,
provavelmente virá a falecer em breve. Muitas vezes esse termo é usado de
forma pejorativa, como em:
"Pôxa vida! Na nossa equipe só têm muchebo" - querendo dizer que são
pacientes que além de darem trabalho extra pois necessitam de muitos
cuidados, são pacientes que dão pouco retorno ao médico em termo de
expressarem sentimentos ou mesmo conseguirem melhorar de sua doença, tal a
gravidade da situação.
Seguindo no assunto termos "médico-populares" de uso corrente no Hospital
Conceição, descobri que recentemente foi incorporado um novo termo, aplicado
àqueles pacientes, previamente muchebos, que passam por um situação de
grande risco como uma parada cardio-respiratória, por exemplo, são então
denominados "highlanders", em alusão ao filme de mesmo nome onde existia um
clã escocês formado por pessoas imortais, o clã McLaud.
Outra função identificada no encontro na sala dos médicos foi a passagem de
histórias engraçadas acontecidas no dia-a-dia com os pacientes, como por
exemplo a troca de palavras que estes fazem ao pronunciar algo que eles
juram ter entendido, como por exemplo quando dizem que foram coletar uma
"glicemia de Jesus" quando o correto seria glicemia de jejum ou quando dizem
que "o doutor vai passar um carpete na João Goulart" quando o que queriam
dizer era "passar um intracath na jugular". É, de certa forma, um momento de
descontração em meio ao estresse do dia.
# FIM DO INTERMEZZO #

Logo chega o preceptor e o médico residente, seus 2 colegas de equipe e os
dois doutorandos da equipe juntam-se ao preceptor na mesa para a discussão
dos casos. Esse é o momento em que aproveitam para dirimir dúvidas quanto
aos casos dos pacientes e também para questionar o preceptor quanto a
questões pertinentes ao caso dos pacientes, de certa forma "sugando"
conhecimento do preceptor.
No round são então discutidos aspectos relevantes da evolução do paciente do
período decorrente entre o round anterior e o atual, sendo apresentados
pelos residentes e doutorandos resultados de novos exames, novas queixas ou
mudanças das queixas apresentadas pelos pacientes e alterações no exame
físico dos pacientes ao preceptor, e este levanta questões relevantes sobre
alguns aspectos da patologia do paciente, propondo um caminho a ser seguido.
Muitas vezes as decisões tomadas não são unânimes, trazendo um clima que
pode ser caracterizado como "tensão", durante o round. A princípio, são
respeitadas as decisões dos preceptores, mas por horas presencia-se debates
calorosos acerca de questões que envolvem diagnóstico e tratamento das
patologias. Nota-se uma "gana" de tentar convencer um ao outro e tentar
impor a sua idéia, geralmente embasando seu conhecimento com as últimas
publicações científicas.
Dessa forma vai transcorrendo o round, dependendo do preceptor, de forma
mais breve, ou circunspecta até rounds prolongados e bem animados. Por
vezes, os rounds são "ambulantes", ou seja, à beira do leito, indo o
preceptor acompanhar os residentes e doutorandos para ver os pacientes da
equipe nos seus respectivos leitos.
Nessa hora, também podemos observar as variadas formas de relacionamento
entre os preceptores, seus residentes e os pacientes. Enquanto alguns
preceptores dirigem-se aos seus pacientes e lhes perguntam diretamente
questões sobre seu bem-estar, alguns não o fazem, preferindo fazê-lo
indiretamente, perguntando ao médico residente responsável pelo caso, mesmo
estando em frente ao paciente.
É nesse momento também que podemos ver quão a par e atualizado o médico
residente está acerca da saúde de seu paciente, e por vezes detectar algumas
falhas ou problemas de relacionamento entre médico e paciente, pois logo se
torna claro quando alguma relação transferencial está ocorrendo entre ambos.
Após o round e após decisões acerca de quais serão as providências a serem
tomadas em benefício do paciente, o preceptor despede-se, ficando então os
residentes a cargo de realizar as decisões tomadas no round, quer seja
através da solicitação de novos exames, realização de procedimentos de
alívio, alteração na prescrição médica ou tão somente manutenção do projeto
estabelecido e a espera pelos resultados esperados.
Após essas atividades, dependendo do tempo dispensado, ainda resta algum
tempo para bate-papo ou estudos, mas geralmente ocorre que já são 16:00, e é
chegada a hora do residente ir para o Ambulatório de Medicina Interna, onde
atenderá mais 4 a 6 pacientes por um período médio de 2 horas, isto 2 vezes
por semana, antes de encerrar seu período de trabalho.

(continua em 1 semana...)
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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 22 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 9

Minha família vive no sítio.
Vou sempre ao sítio da minha família.
Ontem fui ao sítio. Fui a cavalo.
Meu avô estava no campo.
Eu também fui ao campo para vê-lo.
Vovô me deu a mão.
Êle me disse: Seja benvindo, Antônio!
E continuou: Está vendo êste tronco de pinho?
- Sim, vovô, eu estou vendo o tronco de pinho.
- Dará muitas tábuas e bastante lenha, disse o vovô.

O passarinho está no ninho.
Saiu do ôvo ontem.

minha pinho tronco
lenha ninho trabalho

Eu lavei as mãos e a bôca.
Lavei as mãos com sabonete.
Não lavei a bôca com sabonete.

Êle cansou-se trabalhando muito.
É tempo de uns dias de descanso.

O punho do menino está doendo.
Êle caiu na estrada.

Eu tenho três sacos de trigo.
Vou vendê-los.

A professôra está lendo um conto.
Os alunos ouvem com bastante interêsse.

A vila tem um poço.
O poço da vila é fundo.
A môça foi ao poço com uma lata.

braço bra

O filho do Tito quebrou o braço.
Um môço levou-o ao seu pai.
O pai encanou o braço quebrado.

O môço foi à quitanda e comprou um quilo de farinha.
Êle comprou também dois quilos de fubá.

quilo qui Qui
poço po

i e a o u
qui que aça aço açu
bri bre bra bro bru

poço praça lição
môço caça nação

A professôra dá lição aos alunos.
É lição interessante.
Os alunos aprendem bem as lições interessantes.
Aprendem todas as lições que a professôra dá.

O menino brincava com o gato.
O gato ficou bravo.
Êle não brincou.
O gato ficou bravo e feriu o menino.
Feriu-o no braço direito.

quebrou braço brincava
que bravo brincou
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5. Escrever por Escrever X (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{18/04/2001 - Quarta-feira -10:11}

É interessante passar por momentos de tristeza, raiva, angústia, depressão
e perplexidade na vida. Eu estou assim. Como se já não bastassem as
inconveniências materiais que vem me assolando, agora também as emocionais.
De qualquer forma, as mudanças (pelo menos na minha vida) tem por objetivo a
busca de algo melhor. Assim, acho que realmente o fim é só mais um começo de
um algo sem fim. Ei! Bonito isso:

"O fim é só mais um começo de um algo sem fim...

Fim-de-semana de Páscoa, livre, fui para Agudo, vi minha vó, minha tia, a
Carol, o Diogo. Tudo certo, bem legal, coelhinho da Páscoa e tudo mais... Fim
de semana normal, agradável... até Domingo no começo da tarde. Conversa
séria, com direito a choro e tudo mais. E agora? "Agora cada um vai para o
seu lado, para crescer, ficar melhor e depois novamente se juntar e viver
junto" - "Ou não..." - "Ou não..."
Assim. Nesse termina-que-não-termina, vai-que-não-vai-se-tu-não-for-eu-vou,
que chegamos ou não a uma conclusão, boa ou não (no momento) e certamente
boa a respeito do nosso futuro. Livre. Agora mais livre. Pra pensar, pra
agir, pra sentir. Sem o rádio do meu carro, mas mais livre...

Ontem comprei um case para o meu violão folk elétrico e três suportes para
guitarra. Legal. Hoje chegou minha Total Guitar, especial "Movie
Soundtracks" com um baita poster do Jimi Hendrix e uma tabela de escalas
atrás. Cool!
Hoje à tarde vou na STEMAC para acompanhar o Eduardo Sabbi no seu trabalho de exame admissional e demissional, que a partir da semana que vem também será meu. Vamos ver no que dá. Amanhã estou de plantão no Conceição.
Sexta-feira vai ter o primeiro ensaio da SuperJazz7, no Underground: eu na
guitarra, teclado, baixo e violão, o Eduardo na guitarrra, violão e gaita de
boca, o João na bateria e percussão e o Ricardo na voz e violino. Também
convidei o Maurício para tocar baixo, vamos ver se ele encara essa.
Fim-de-semana eu vou ter livre. Só trabalharei no Domingo à noite, lá no
Centro Clínico em Novo Hamburgo. Na sexta depois do ensaio, a opção seria ir
na festa à fantasia da Medicina da UFRGS. Se eu não for, irei sábado a algum
lugar, ou não me chamo Pepe Legal!
Vou aproveitar o fim-de-semana também para dar uma organizada no
apartamento e nas minhas coisas. Estou com um sentimento de "bagunça
interna" rolando. Isso me deixa agoniado! Como se já não bastasse a minha
desorganização, agora também estou esquecendo de fazer pequenas coisas, como pagar telefone, cartão de crédito, não acho coisas que preciso e assim por
diante.
Alguém que entenda de computadores: tem como eu colocar uma senha só para
esse texto do Word que eu estou escrevendo? Bem, não sei. Já descobri como
proteger o documento, mas não como impedir o acesso a ele... {18/04/2001 -
Quarta-feira - 10:40}

{18/04/2001 - Quarta-feira - 22:32}

Porque às vezes as coisas são TÃO difíceis, TÃO complicadas?

((((((...)))))).

Sexta-feira, festa à fantasia.
Rua Sapombé, quinta à esquerda.
Gangrena é o mesmo que...
Internauta disfarçado tua vida me ultrapassa em qualquer rota que eu faça.
Deu rei, só aparece quando não tem que aparecer...
Golfe, basquete, futebol e vôlei, qual a bola mais pesada?
Há há há há! Eu tô rindo à toa... {18/04/2001 - Quarta-feira - 22:54}

{22/04/2001 - Domingo - 22:40}

Dias Difíceis

Se nos encontramos
Em desencontros com o mundo
Em desacertos com nós mesmos
Nos cruzamentos que nos levam
Ao lugar que não queremos

Damos espaço ao chorar
Uma entrada ao sofrer
Damos vazão ao desesperar
Pois acima da reles vida
Não podemos sobrevoar

Quando achamos o que pensamos
Ser o certo e definitivo
Mais correto é o engano
Que novamente nos leva
A um caminho sem sentido

Nessa busca que não acaba
Senão com um sopro de verdade
Vamos indo no caminho que todos
Seguem sozinhos acompanhados
Por toda eternidade.

Escrevi agora.

Sabe que eu tenho que escrever nesse Alfarrábio mais seguido... Pena que
não ando sempre com o Notebook. Terei mesmo que comprar um caderninho para
escrever as coisas que me vem na cabeça nas horas mais esdrúxulas e depois
repassar para o computador. Ainda tenho uns escritos de alguns anos atrás
para transcrever. Hummm... Agora vou colar o arquivo Escrever por Escrever
do
ano passado neste aqui e torná-lo um só... Só um pouquinho...
...prontinho! Já são 22 páginas com a fonte Tahoma no tamanho 10. Tenho que
acelerar a produção. Na seqüência vão alguns bens materiais que pretendo
adquirir a médio prazo e alguns projetos para realizar a médio e longo
prazo:

Bens a adquirir...

1. TV 29" tela plana (Sony, LG)
2. DVD (Sony)
3. Home theater (Sony)
4. Câmera fotográfica profissional (Canon, Pentax)
5. Máquina filmadora (Sony?)
6. Gravador 8 ou 16 canais digital
7. Microfones Shure SM-57 e SM-58
8. Wah-Wah Jim Dunlop ou Vox
9. Amplificador Vox AC-30
10. PC 1GHz, 60Gb HD CD-RW + DVD Monitor 17"
11. ADSL ou Cable Modem
12. Audi A3 1.8T ou Passat 20 V Turbo

Projetos

Projeto "Interiores": trata-se de um trabalho de "etnografia visual
artística" ou EVA, a pioneira, onde retratarei o interior dos casebres de
beira de estrada, como os da Castelo Branco, com seus moradores e seus
pertences e depois o interior das casas grã-finas de Porto Alegre, com todo
seu luxo e pompa. Na segunda etapa, fotografarei o interior de corpos
humanos e mesclarei essas fotos com as duas exposições anteriores,
demonstrando que o interior dos corpos de ricos e pobres são iguais,
fisicamente indistinguíveis.

Projeto "Curta-Metragem": fazer um curta-metragem, com enredo ainda a
definir, mas provavelmente com uma história do LFVeríssimo daquelas tipo
cena em cena em cena...

Projeto "SuperJazz7": a banda projeto cultural teatral e visual que vai
mostrar com músicas, interpretações , diálogos, performances uma ampliada
forma de fazer shows na Capital. De "Superfantástico" do Balão Mágico,
passando por "Você Não Serve Pra Mim" do Roberto Carlos e chegando a "Luka"
de Suzane Vega, com paradas em "Beat It" de Michael Jackson e "Don't Let Me
Be Misunderstood" do Santa Esmeralda.

E por aí vai...

Retiradas das "Citações" de Caras:

"De todas as ilusões, haverá maior do que a paixão pela verdade?" Romain
Rolland (1866-1944) escritor francês

"O homem nunca aborda uma mulher, mas o seu desejo" Jacques Lacan
(1901-1981) psicanalista francês

Estas são do XYZ do jornal ABCDomingo, de Novo Hamburgo:

"Aí eu falei: vou contar até 5 trilhões. Se ela não aparecer, desisto." Aldu

"O craque de futebol era tão rico que usava dublê nas jogadas perigosas"
Karam

E por hoje chega! {22/04/2001 - Domingo - 23:58}

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ESTAMOS ESPERANDO SUAS PARTICIPAÇÕES! CONVIDEM AMIGOS LITERATOS OU AFINS A PARTICIPAREM DESSA ORGIA LITERÁRIA. DIVULGUEM, ESPALHEM O JORNALZINHO. SE ELE AINDA NÃO ESTÁ DO JEITO QUE VOCÊ QUER, É PORQUE VOCÊ NÃO ESTÁ PARTICIPANDO
O SUFICIENTE.

O "Simplicíssimo" É UM ESPAÇO ABERTO, É REALMENTE "VOCÊ DONO DE UM JORNAL... ...VIRTUAL" COMO OUSARAM DIZER UNS E OUTROS... PENSE NESTE E-ZINE COMO UM BOM PEDAÇO DE ARGILA QUE PODES MOLDAR AO SEU BEL PRAZER. ENTÃO VENHA: META A MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação.

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ TERÁ)

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Rafael Reinehr 8:36 PM

Segunda-feira, Março 10, 2003

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade hebdomadária
07/03/2003 - Edição número 13 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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" - Sede Amorzinho! "Batante" água!"
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1.Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. O homem e a desvalorização de seus símbolos......................Carolina
Schumacher

3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte I de III).......................Rafael Luiz Reinehr

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 23 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever IX (excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr
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1. Editorial

Não era meu plano ficar batendo na mesma tecla em edições tão próximas
do Simplicíssimo, mas é muito difícil não falar sobre o assunto que toma de
assalto nossas mentes dia e noite: a iminência da Guerra. Não só Nostradamus
previu mas também a vovó já dizia: esse assado está com cheiro de queimado!
Fico fascinado com a força e a intensidade com que questões éticas e de
legalidade estão sendo discutidas em todo mundo. Feridas estão sendo
abertas, nações dos países desenvolvidos estão sendo expostas. Mesmo a
França, agora liderando o time dos "Contra" ainda sofre com resquícios de
seu imperial-colonialismo. A Rússia, também do "Contra", é lembrada
constantemente da ocupação da Chechênia.
Os Estados Unidos são desmascarados de fora para dentro, pelos seus
outrora tão ferrenhos aliados e defensores mas, o que mais faz minha
estupefactação vibrar energicamente, é que um levante "de dentro pra fora",
que ocorria timidamente já há vários anos (desde a década de 60), agora
tomou vulto e seu sonoro "Não!" à guerra se faz ouvir até em Plutão!
Vemos um menino em uma escola americana vestindo uma camiseta com a foto de George Bush com o texto "Terrorista Internacional" ser expulso da escola, temos protestos de homens e mulheres nu(a)s correndo pelas pradarias (argh!) em protesto, passeatas, bandeiraços, telefonemas e e-mails superlotanto o Pentágono e a Casa Branca! É um fenômeno que não podemos deixar de comentar e exaltar. É a força da razão humana, da Opinião Pública Mundial,
sobrepujando a loucura de seus governantes!
Como tela de fundo, coloco o "depoimento" de 2 bandas norte americanas
de um estilo que podemos chamar de punk rock misturado com funk e hardcore.
O primeiro é o videoclipe de "Testify", do Rage Aganst The Machine,
"baixável" gratuitamente no Kazaa (www.kazaa.com), que fala sobre a mesmice
e a corrupção que se perpetua na "América" (putz, nunca coloquei tantas
aspas em um texto antes!). Começa com um filme em preto e branco dizendo que os Aliens querem conquistar o mundo, e para tanto colocarão na terra um
"mutante" que se divide em dois (Al Gore e George Bush), que apesar de
parecer dois seres distintos, na verdade é o mesmo, e é enviado à Terra para
domina o mundo. O clipe, feito em 2000, creio, é um retrato do que viria a
ser o momento atual. O segundo depoimento "em antecipação" é a letra de
"American Jesus", do Bad Religion, feita na década de 90 e que transcrevo,
no original em inglês, abaixo:

I don´t need to be a global citizen
Because I´m blessed by nationality
I´m a member of a growing populace
We enforce our popularity
There are things that seem to pull us under and
There are things that drag us down
But there´s a power and a vital presence
That´s lurking all around

We´ve got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
He help build the president´s estate

I feel sorry for the earths population
Cuz so few live in the USA
At least the foreigners can copy our morality
They can visit but they cannot stay
Only precious few can garner our prosperity
It makes us walk with renewed confidence
We´ve got a place to go when we die
And the architect resides right here

We´ve got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day

He´s the farmer´s barren field
The force the army wields
The expression in the faces of the starving children
The power of the man
He´s the fool that drives the clan
He´s the motive and conscience of the murderer
He´s the preacher on TV
The false sincerity
The form letter that´s written by the big computers
He´s nuclear bombs
And the kids with no moms
And I´m fearful that he´s inside me

We´ve got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
Each side with his apologies

We´ve got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day

Por isso que gosto de ler os clássicos: me emociono com a atualidade dos
pensamentos de centenas ou milhares de anos atrás, principalmente no que diz
respeito à Política, às Virtudes, à Justiça e à Ética. Fico pasmo quando
pessoas comuns, contemporâneas, como os autores dessas músicas conseguem
traduzir em palavras, sons e imagens aquilo que muitos sociólogos com
doutorado, livros publicados e menções de "doutor honoris causa" pra cá e
pra lá não conseguem fazer. A realidade é triste mas é verdadeira...
Em duas semanas de governo um torneiro mecânico sindicalista de 9 dedos
nas mãos conseguiu surpreender o mundo participando do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e do Fórum Econômico Mundial em Davos, arrancamdo palmas nos dois eventos. Chegou ao ponto de um respeitável analista político (estou certo?) do The Guardian, jornal britânico, escrever que, talvez, o mundo fosse muito melhor se George Bush fosse presidente do Brasil e Lula fosse, por sua vez, presidente dos Estados Unidos! Quase tive um chilique ao ler essa! Fantástico! Quem não tem colírio usa óculos escuros! Imagine o que estão produzindo no Le Monde Diplomatique...

Rafael Luiz Reinehr
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2. O homem e a desvalorização de seus símbolos
Carolina Schumacher

Bem, na verdade eu não teria nada para escrever se não fosse algumas
coisas que me vieram à mente a alguns minutos atrás. Atualmente estou lendo
o livro "O Homem e seus Símbolos" de Carl Gustav Jung e é mais ou menos
sobre ele que quero escrever.

É um livro de fácil compreensão que vem dar uma base ao estudo da
psicologia Junguiana a qual se diferencia da Freudiana por aspectos como a
valorização do inconsciente não só como um depósito de material reprimido
(como diz Freud), mas também como um lugar de onde se pode tirar coisas
trazendo à consciência como um produto desde sempre inconsciente. Isto é,
Jung considerava o inconsciente como um lugar também de criação ou produção
e não somente um depósito inerte como o era para Freud.

Seguindo, o livro trata da dimensão simbólica do homem desde sempre e
como a racionalidade veio a destruir a importância original que os símbolos
exerciam sobre o homem. Com certeza não é só essa a mensagem do livro, mas
infelizmente não terminei de lê-lo ainda e minha contribuição não será tão
rica devido aos meus poucos conhecimentos acerca da psicologia Junguiana - e
aqui até faço um apelo para meus amigos estudiosos de Jung para que me
ajudem caso esteja errada.

Agora então, finalmente, começo. O homem é um ser que se utiliza
símbolos para viver. Em outro texto já havia escrito acerca da linguagem
humana e lembro que em algum momento falei da dimensão inconsciente dessa. E aqui encontro um bom gancho para começar o que quero dizer. O homem desde sempre utilizou a simbologia a qual trazia junto consigo um aspecto
inconsciente que lhe conferia importância nas decisões das sociedades
primitivas. Antigamente, sonhos, visões ou premonições assumiam o papel de
mensagens as quais dirigiam a ação e indicavam o caminho para o homem. Um
exemplo disso são os personagens dos filmes que vemos como feiticeiros,
pajés, magos, etc os quais possuíam o poder de receber mensagens do além. A
forma de se interpretar esse fenômeno não mudaria se fosse transposto para
os dias atuais, ou seja, seriam frutos da imaginação ou do inconsciente. A
diferença está na forma como, antigamente, o homem percebia esses eventos
(sonhos, visões, intuições, premonições), e lhes conferia uma devida
importância. Suas ações e decisões eram baseadas nessas mensagens vindas do
inconsciente. O que aconteceu com o homem moderno foi a perda dessa
percepção ou a desvalorização dela. O homem continua sonhando e tendo
intuições, mas não lhe confere a sua devida importância. O homem moderno
passou por cima dos símbolos que estão presentes nos sonhos que tem todas as
noites. Deixou de prestar atenção às suas intuições num mundo que perdeu a
dimensão irracional, e vive como se não houvesse nada além da sua
consciência. Com isso, perdeu a capacidade de se perceber como um ser
simbólico que vive rodeado de símbolos conscientes e inconscientes.

Em certo trecho do livro, Jung ressalta o começo do fim da simbologia
humana com o surgimento do cristianismo, ou seja, com a instituição de um
Deus único e soberano em detrimento dos antigos "deuses" da natureza. Esse
fenômeno acarretou o fim da simbologia atribuída à natureza em geral - a
Deusa do lago, a Mãe natureza, e a crença de que todos os seres pertencentes
ao mundo possuíam vida ou alma como as árvores por exemplo. Porém, o que
aconteceu foi uma troca - digamos desvantajosa - entre milhares de "pequenos
deuses" por um único e grandioso Deus mostrado pela igreja. Todo o resto era
então desvalorizado e desacreditado. É como se ficasse uma grande falta de
significado ou de essência em nosso mundo: tudo foi trocado por uma única
coisa que passou a simbolizar tudo. Meio complicado isso né ?! Mas o
problema não foi exatamente a troca de vários deuses por um só, o problema
parece que está no fato de que não se colocou nada nos lugares que eram
antes preenchidos por algum sentido ou significado, e o mundo parece que
ficou assim mesmo: cheio de falta de significado. A luz da igreja fez nascer
um homem "sozinho". Tudo isso contribuiu para a desvalorização do nosso
próprio inconsciente - nosso primeiro guia. Tudo que é muito próximo do
homem não é tido como sagrado nem tampouco digno de ser valorizado.Talvez o
homem antigo fosse mais feliz com seu mundo tão cheio de significado, e suas
crenças tão menos carregadas de pecado e culpa.

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3. A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital
Conceição - Uma Breve Etnografia (parte I de III)
Rafael Luiz Reinehr

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO
2. O AMBIENTE DE TRABALHO
3. AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
4. DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE
5. DO OUTRO LADO
6. O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA
7. INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR
8. ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS
9. MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS A FUNÇÃO HUMANIZADORA
10. CONCLUSÃO

INTRODUÇÃO

O presente exercício de etnografia tem por objetivo descrever de forma
sintética as atividades profissionais de um grupo de médicos residentes do
Hospital Conceição em seu local de trabalho e verificar as relações
existentes entre os mesmos, entre estes e seus preceptores e seus pacientes.
Para tanto servi-me do conhecimento adquirido durante este ano de 2000, em
que tenho trabalhado como médico residente no mesmo Hospital, além de
entrevistar especificamente alguns colegas e pacientes, após a exposição dos
objetivos do presente trabalho.
A escolha do lugar e do tema deveu-se tanto pelo fato de que julguei ser
interessante para mim investigar, do ponto de vista antropológico as
relações humanas existentes no meu ambiente de trabalho aliado ao fato de
que meus objetos de estudo estariam presentes ao meu lado diariamente, não
sendo necessário um período de inserção. Isso significa - creio eu seja esse
um aspecto importante - ausência de mentiras, desconfianças ou dissimulações
durante minha interação com as pessoas. Não poderia de forma alguma "usar
melhor a vestimenta" de quem estou estudando do que assim o fazendo.
Durante o trabalho, primeiramente descreverei o ambiente de trabalho dos
médicos residentes. Daí em diante passarei para as relações hierárquicas e
profissionais entre o médico residente, outros funcionários, seus
preceptores e os pacientes. A seguir explicarei alguns mecanismos do
funcionamento do Hospital e passarei a descrever o dia-a-dia típico do
médico residente, passando por algumas experiências contadas por colegas
acontecidas no decorrer das atividades e nos plantões. Também será
apresentada, do ponto de vista do paciente, uma breve impressão que este tem
dos eu médico e dos outros pacientes. Finalmente, serão levantados os
aspectos sociais e humanitários da profissão do médico residente.
Apesar da grande dificuldade de me distanciar do meu papel de médico
residente, eu o consegui, até certo ponto, quando fui ao Hospital por 2
vezes em minhas férias de novembro sem o jaleco branco. Somente aí consegui
realmente tomar uma distância crítica entre o meu papel como médico e o meu
caráter de pesquisador, de etnólogo, podendo assim analisar alguns aspectos
que não conseguia separar normalmente.

O AMBIENTE DE TRABALHO

Ao Hospital Nossa Senhora da Conceição pode-se chegar de uma série de
formas: ônibus, carro, táxi ou mesmo a pé, sendo que a entrada principal
encontra-se na Rua Francisco Trein.
Em frente ao Hospital, vemos um amplo comércio: no lado oposto da rua,
temos lancherias e restaurantes, farmácias de manipulação, farmácias comuns,
um banco, padaria, lotérica, estacionamentos, lojas de produtos "um e
noventa e nove" e vários outros estabelecimentos, além de um ponto de táxi.
Do lado da rua em que se encontra o Hospital, existem vários carrinhos que
vendem lanches rápidos com cachorros-quentes, xis-búrgueres, salgadinhos,
churrasquinhos e refrigerantes, além de uma barraquinha de ervas naturais
para "tratamento" de qualquer doença, segundo propagandeia a dona do
mini-estabelecimento.
A primeira impressão que temos é a de sujeira. A frente do Hospital tem um
visual poluído, com todas aquelas barraquinhas, fumaça e cheiros misturados,
um misto de poluição visual, sonora e olfativa.
Na entrada do Hospital, dois seguranças fiscalizam a passagem das pessoas,
deixando passar as que estão identificadas com crachás do Hospital e
limitando a entrada de outras pessoas como familiares de pacientes,
representantes comerciais de laboratórios farmacêuticos e outros que não
possuem autorização específica para entrarem fora do horário de visitas.
Os corredores do Hospital são largos, em média de três a três metros e meio
de largura, com uma iluminação razoável, baseado em parte na luz solar que
adentra as amplas janelas que se encontram tanto nos quartos dos pacientes
quanto nas enfermarias em si.
Escolhi para meu trabalho a enfermaria denominada 3°C, onde ficam os
pacientes de responsabilidade da Medicina Interna, pacientes com patologias
eminentemente clínicas e de gravidade considerável.
Nessa enfermaria, temos duas partes: uma, à esquerda, onde ficam guardados
os prontuários dos pacientes e onde fica uma secretária responsável pelos
aspectos burocráticos e de gerenciamento de materiais do posto, servindo
também como telefonista e fornecendo informações a familiares de pacientes.
À direita, o espaço é reservado para a equipe de enfermagem. No local são
guardados medicamentos, materiais para procedimentos médicos ou de
enfermagem, seringas, agulhas e coisas do gênero, além de ser o espaço onde
os auxiliares de enfermagem preparam as medicações que foram trazidas da
farmácia para administrar aos pacientes.
Logo à esquerda dessa sala fica então a sala de prescrição, onde os médicos
residentes e seus doutorandos buscam resultados de exames, evoluem por
escrito e prescrevem seus pacientes. Nessa sala existe uma grande mesa,
várias cadeiras e banquinhos (em torno de 10), 2 computadores e uma
impressora, além de muitos formulários e papéis de todos os tipos e para
todos objetivos, alguns organizados em um escaninho mas outros tantos
espalhados pela mesa e até mesmo pelo chão, em uma balbúrdia infernal.
Logo ao lado desta sala existe outra pequenina sala onde se encontra mais um
computador, uma pequena mesa e duas cadeiras, além de um arquivo onde são
guardados artigos científicos de relevância clínica para fácil acesso aos
médicos residentes. Nesta sala também há uma antiga máquina de xerox,
alugada pelos médicos residentes para que estes possam fazer cópias de
livros ou artigos científicos para uso pessoal.
Ainda sobre a estrutura física do Hospital, temos no centro do mesmo (já que
esse é formado por 3 alas) uma praça ao ar livre, onde tanto pacientes como
funcionários podem transitar tranqüilamente.
Alguns outros aspectos relacionados aos quartos dos pacientes serão
discutidos na parte intitulada "Do ponto de vista do paciente".


AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS

Nesse andar, como em praticamente todo o hospital, o trabalho médico direto
é exercido por residentes de Medicina Interna, médicos formados em
Universidades federais ou particulares de todo Estado e ocasionalmente fora
dele. Esses médicos residentes passam, após conclusão do curso terciário,
por um processo de seleção que inclui uma prova escrita, a apresentação do
currículo e uma entrevista, sendo então selecionados os melhores para a
realização do Programa de Residência Médica do Hospital, que é, na verdade,
uma forma de pós-graduação e especialização.
Também fazem parte do corpo profissional do setor uma enfermeira por turno
(que são três no total: da 7:00 às 13:00, das 13:00 às 19:00 e das 19:00 às
7:00) e 7 a 8 auxiliares de enfermagem por turno.
Além disso, existem médicos contratados, chamados "preceptores", que são os
orientadores dos médicos residentes. Estes vêm ao Hospital em determinadas
horas do dia conforme sua disponibilidade e discutem os casos dos pacientes
com os médicos residentes, dirimindo dúvidas que estes porventura tenham no
que diz respeito ao diagnóstico e tratamento das enfermidades dos pacientes.
É claro, existem os pacientes, que são o motivo de ser do Hospital. Os
pacientes que estão internados no 3°C são pacientes geralmente graves,
pacientes que tenham uma patologia de difícil manejo, pacientes que
necessitem internar para realizar uma avaliação diagnóstica intra-hospitalar
ou mais freqüentemente pacientes com várias patologias simultâneas ou com
seqüelas de uma patologia anterior. São pacientes com doenças renais,
cardíacas, pulmonares, neurológicas, oncológicas, endocrinológicas,
hematológicas, infecciosas, psiquiátricas e também psicossomáticas.
Além do atendimento médico prestado diretamente pelos médicos residentes,
pelos enfermeiros e auxiliares de enfermagem e indiretamente pelos
preceptores, ainda estão distribuídos pelo Hospital outros serviços que
servem de apoio a essa estrutura básica, como por exemplo as especialidades
médicas ( Endocrinologia, Nefrologia, Cirurgia Geral, Urologia, etc.) que
podem ser contatadas em casos especiais, por vezes complicados ou que
necessitem uma avaliação deveras especializada; também existe o Serviço
Social, o Serviço de Fisiatria, a Odontologia além dos serviços de apoio ao
diagnóstico, como a Radiologia, o Laboratório Central, a Medicina Nuclear, a
Ergometria, a Eletrocardio e a Eletroencefalografia, a Ecografia e assim por
diante.
Algo curioso que pode se notar logo em uma primeira olhada é algum ar de
inimizade, uma tensão existente entre médicos residentes e enfermeiras. Isso
não pareceu ser a regra, mas por mais de uma vez pude presenciar atrito
entre um médico residente e uma enfermeira. Ao questionar ambos sobre as
possíveis razões pelas quais tal fato acontece, já que, a princípio o
objetivo de ambos é melhorar a saúde do paciente, a resposta diferiu
bastante. Enquanto a enfermeira respondeu que isso acontece porque os
médicos residentes são muitas vezes muito impetuosos, solicitando para já a
realização de certos procedimentos, não compreendendo a indisponibilidade de
pessoal insuficiente para adequação do trabalho de enfermagem, por outro
lado o médico residente respondeu que isso aconteceria pois a enfermeira se
julga "dona"do posto de enfermagem e, além disso desconsidera o médico
residente, já que este permanecerá no Hospital por uma média de 2 anos,
enquanto ela é funcionária contratada, não precisando se sujeitar às
demandas dos residentes.
Foi também possível observar que o mesmo atrito não ocorre entre residentes
e auxiliares de enfermagem, exceto em circunstâncias muito especiais como
por exemplo demora na administração de uma medicação que tem caráter de
urgência ou também durante os plantões com a equipe de auxiliares da noite.
Segundo grande parte dos médicos residentes, a equipe de auxiliares de
enfermagem que trabalha durante a noite é muito ruim e de difícil
relacionamento: não administram medicações de forma correta, descuidam de
cuidados simples até mesmo como aferir a temperatura axilar ou a pressão
arterial do paciente e assim por diante. O motivo pelo qual especulam que
isso aconteça é pelo fato de que são os funcionários contratados há mais
tempo pelo Hospital, pelo fato de trabalharem à noite e, segundo postulam,
com a inversão do ritmo circadiano ocorreria uma maior probabilidade destes
tornarem-se irritadiços e pouco dispostos ao trabalho (o que dificulta
concomitantemente o trabalho dos médicos residentes, talvez por isso gerando
às vezes um sutil clima de inimizade).

DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE

A entrada dos pacientes no Hospital se dá de três formas básicas: a primeira
é pelo Serviço de Emergência do Hospital. Pacientes com enfermidades agudas
procuram a Emergência, são atendidos primeiramente lá e então ficam
aguardando, geralmente por dias, um leito vago na internação do Hospital. A
segunda forma é uma internação eletiva via Ambulatório, de onde pacientes
que são atendidos nos ambulatórios e necessitam de internação são
encaminhados. As vagas para pacientes ambulatoriais só se tornam disponíveis
após ocupação dos leitos dos andares de internação pelos pacientes que
recebem alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e pelos pacientes que
estão na Emergência. Pelo menos essa é a regra estabelecida, mas o que
acontece não é bem isso. Muitas vezes se burla o sistema estabelecido e se
interna pacientes via Ambulatório sem que os pacientes que estão na
Emergência subam, o que aumenta a permanência destes na Emergência. A
terceira forma é a internação "política", onde familiares ou pessoas
indicadas por políticos municipais ou estaduais internam, sobrepujando
qualquer regra básica de ordenação de internação.
A grande maioria dos pacientes, aqueles internados pelo Serviço de
Emergência, são pacientes de classes sociais menos favorecidas, pacientes
que não tiveram acesso prévio ao sistema de saúde, ou o tiveram mas têm
dificuldade de realizar o tratamento adequado de suas doenças, quer seja por
dificuldades financeiras, intelectuais ou mesmo pelas condições de trabalho,
moradia e sobrevivência a que estão sujeitos.
No andar em que ficam internados, no caso o 3°C, os pacientes ficam em
quartos em que dividem o espaço com mais três pacientes, em um total de 10
quartos mais três quartos reservados para isolamento de pacientes com
doenças infecto-contagiosas graves ou com imunossupressão e que
conseqüentemente não podem entrar em contato com outros pacientes.
Os quartos são só femininos ou só masculinos, sendo que ocasionalmente
permite-se um acompanhante do sexo oposto, no caso familiar de algum
paciente quando este necessita de cuidados especiais ou atenção intensiva, o
que nem sempre é possível ser feito pelo serviço de enfermagem.
Entre os leitos dos pacientes não existe nenhum biombo ou cortina, o que
deixa os pacientes expostos física e psicologicamente a seus companheiros de
quarto. Ocasionalmente, pude constatar pacientes em recuperação de grandes
cirurgias abdominais, com seu abdômen aberto, apenas protegido por uma tela,
em um quarto assim, "semi-privativo", sendo exposto à "visitação" por parte
dos outros pacientes e pior, na hora da visita, por outras pessoas. Isso sem
contar a sensação de desconforto que é causada justamente nos outros
pacientes que dividem o quarto, como constatei em conversa particular com
uma paciente de 28 anos que estava no leito ao lado.
Da mesma forma, uma queixa freqüente que parte dos pacientes em relação aos
seus companheiros de quarto diz respeito aos pacientes internados por
alcoolismo e àqueles internados por acidentes vasculares cerebrais. Aos
primeiros porque geralmente são pessoas que internam em mau estado geral,
são mal-cuidados e mal-cheirosos, além de que, quando começam a melhorar,
também,são considerados mal-educados, pois em geral, pronunciam impropérios.
Dos últimos reclamam principalmente devido ao mau-cheiro das escaras,que são
úlceras provocadas pela pressão continuada sobre alguma região do corpo, já
que esses pacientes não conseguem se movimentar sozinhos. E, diariamente são trocados os curativos dessas escaras, sendo que, principalmente quando
infectadas e expostas na hora dos curativos, exalam um mau-cheiro terrível
(que pude presenciar por mais de uma vez).
Muitos pacientes estão restritos aos seus leitos, pois a patologia que lhes
trouxe para o hospital é tão debilitante que os enfraquece ou mesmo previne
que estes possam deambular adequadamente, ficando assim totalmente
dependentes dos cuidados oferecidos pelo Hospital e por vezes por seus
familiares. Isso inclui impossibilidade até mesmo de fazerem as necessidades
fisiológicas mínimas como evacuar, urinar ou mesmo se alimentar.
Quando perguntamos aos pacientes o que estes pensam de seus médicos, a
resposta geral e quase unânime é a de que seu médico é muito bom, que é
confiável, lhe trata bem, ou seja, só existem elogios. Poucos pacientes
expressam queixas objetivas em relação a seus médicos, e quando estas
acontecem, dizem mais respeito a demora na realização de exames ou
sofrimento relacionado a procedimentos realizados mas inerentes a esses
procedimentos.
Interessante observar que, como já citado, os pacientes internados no
Hospital Conceição são de classes sociais menos favorecidas, e isso
significa que são pacientes que questionam menos seu médico, ignoram mais
completamente mecanismos de instalação das doenças, tendo muitas vezes
idéias mágicas acerca da origem de sua patologia, ao contrário do que
acontece com as classes mais informadas, que estão sempre questionando
acerca da doença, das condutas tomadas e qual o plano a seguir.
Cito isso porque também é interessante notar que, com os pacientes dessas
classes mais informadas, o nível de satisfação é menor, mesmo se compararmos
casos similares com resultados parecidos. Talvez, em parte, porque o nível
de exigência seja maior e talvez porque, justamente por possuírem uma maior
capacidade de argumentação, os pacientes e familiares de classes mais
favorecidas julgam poder ter privilégios sobre outros pacientes, esquecendo
que estão servindo-se de serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) [o SUS, quando planejado, almejava oferecer acesso universal e
integral à saúde de todos cidadãos brasileiros, estando, como podemos
acompanhar, pela dificuldade de acesso a consultas, a exames diagnósticos e
medicamentos e pelo crescimento dos planos privados de assistência à saúde,
em plena decadência].
Muitas queixas derivam do fato dos pacientes terem de esperam internados por
muito tempo até a realização de um exame, o que ocorre, após pesquisar seus
mecanismos, devido à falta de profissionais contratados para realização
desses exames, e não devido a falta de equipamentos necessários. Chegou-se
ao cúmulo de o Hospital ficar sem ecocardiograma pelo período de um mês pois
o único ecocardiografista do Hospital entrara em férias. (!)

(continua em 1 semana...)
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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 23 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 8

lápis pis

Fui à feira com o meu filho.
Meu filho viu um pássaro na feira.
Na feira vimos um espelho.
Vimos também muitos lápis.

espelho es

Tito viu um pássaro no mato.
O filho não viu êsse pássaro.
Êle não foi ao mato.
Estava na feira com Ida.

pássaro aro

es as us is os
are ara aru ari aro

Antônio viu a escada encostada na parede.
Êle subiu pela escada e foi ao telhado.
Viu uma arara comendo milho no telhado.

As batatas estão na venda.
As bananas estão na feira.

Os pássaros estão no mato.
Os urubus estão no telhado.

Os filhos estão na sala.
Os pais também estão na sala.

Os dentes estão na bôca.
Os dedos estão na mão.

O espelho está na sala.
Os lápis estão na pasta.

A escada está encostada na parede.
As telhas estão no telhado.

prato pra
tronco tron

O leite estava no prato.
O gato viu o leite.
O gato bebeu o leite do prato.
O prato ficou limpo.

gato ga Ga

Meu primo ouviu o trovão.
Viu as nuvens.
Trabalhou mais apressado.
Êle é muito prudente.

pron pre pra prin pro pru
tron tre tra rin tro tru
- - ga - go gu

O tronco é de pinho.
Êste tronco não tem galho.
Êste tronco não tem fôlha.
Êste tronco dá tábua e lenha.

Laura está preparando a galinha.
Laura trabalha apressada.
O povo está esperando a sopa.

Meu primo tocava gaita.
Êle ganhou um prêmio.
Êste foi o primeiro prêmio da sua vida.

pinho nho

nho nha nhi nhe nhu
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5. Escrever por Escrever IX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{22/03/2001 - Quinta-feira - 14:04}

Estou no round da equipe do Serginho (Sérgio Prezzi) - que está bem
interessante por sinal - mas resolvi recomeçar a escrever esta "coisa", que
pelo que percebo agora está mais pra Diário de adolescente do que pra livro
de Filosofia.
Realmente tenho deixado muito de lado meus escritos. Agora recomeçaram as
aulas na Faculdade. Estou fazendo cinco cadeiras, uma mais legal que a
outra. A Webstereo tocou em uma festa da Medicina Interna no Parque Knorr.
Fomos bastante elogiados... Isso foi bom!

((((((...))))))


Bom, de noite eu continuo a escrever. Prometo! {22/03/2001 - Quinta-feira -
14:10}

{22/03/2001 - Quinta-feira - 23:26}

"Não há aprendizado sem manchas". OMO. Venha ver as novidades do BIG. O BIG
é como eu: é big! Comunicação de massa... A Alemanha nazista e seu
comunicador maior: Hitler. Os judeus são os donos das maiores empresas de
telecomunicações do Mundo... HAL e IBM... Admirável Mundo Novo, 1984, 2001 -
Uma Odisséia no Espaço, A Utopia, A Desobediência Civil, Os Decibéis
Impossíveis e Os Hermeneutas...

OBS: Depois de escrever as linhas acima, acabei decidindo encostar minha
cabeça no travesseiro e dormi, só acordando às 3:30, quando não escrevi mais
nada. Sigo escrevendo agora, Sexta de noite...

{23/03/2001 - Sexta-feira - 22:56}

Hoje tive aula de Antropologia Visual. Vi um filme do Jean Rouch sobre um
ritual, uma "dança da chuva", realizado por uma tribo africana. Achei muito
interessante. Agora estou com vontade de fazer um documentário, uma espécie
de etnografia em vídeo.
Ainda não sei direito qual vai ser o tema, o assunto que abordarei, mas
poderá tanto ser alguma coisa que conheço, como o Hospital, os médicos e
seus pacientes quanto algo completamente novo como moradores de rua,
prostitutas, homossexuais ou outro grupo social urbano.
A primeira coisa que tenho que fazer é conseguir uma câmera de vídeo
emprestada. Pode ser Super 8, 35mm ou qualquer uma. Eu não entendo nada
disto mesmo...
Hoje me disseram que pode estar começando uma nova Guerra Fria pois
supostamente foi descoberto um agente do FBI que espionava para a Rússia e,
por causa disto, 50 diplomatas russos foram expulsos dos EUA, sendo que a
Rússia irá retaliar. Ach du lieber zeit! E hoje de madrugada a Estação
Orbital MIR caiu no Oceano Pacífico.
Por que os Flinstones comemoravam o Natal se eles viviam em uma época bem
anterior a Cristo?
Hoje tive uma idéia para o design de um óculos (que na verdade já usei há
algum tempo atrás): é usar o negativo de um filme fotográfico preso por uma
daquelas borrachinhas amarelas de prender dinheiro. Fica bem legal, apesar
de ser um pouco desconfortável.
Borboletas. {23/03/2001 - Sexta-feira - 23:21}



{12/04/2001 - Quinta-feira - 22:20}

Há uma semana, roubaram o aparelho de som do meu carro. JVC KD MX-3000. O
único aparelho de som para carro com CD e MD juntos no deck. Paguei R$
1.799,00 no começo do ano passado. Passei os 10 primeiros meses do ano
passado no negativo devido às prestações do som. A primeira coisa que eu
fazia quando entrava no carro era colocar a frente removível, admirá-lo e
ligá-lo, para ouvir o som maravilhoso que dele saía... Era meu xodó...
Na quinta passada fui ao Hospital de Clínicas para levar meu pedido de
estágio na Endocrino nos meses de julho e outubro. Na volta estacionei na
ruazinha lateral que sai do Clínicas, bem na esquina com a Ramiro Barcelos,
do ladinho do Ciclo Básico (ou Campus da Saúde). Isso eram 18:10 mais ou
menos. Fui para minha aula de Filosofia da Ciência, feliz da vida. A aula
estava bem legal. Altas discussões sobre Semmelweis e como ele associou a
"matéria cadavérica" à morte de gestantes em uma enfermaria.
Saí da aula cansado, louco para chegar em casa. Ao chegar no carro, vi que
a tranca da porta estava aberta. "Nossa! Que descuido! - pensei - Entrei e
sentei no carro, vendo todos meus papéis e meu jaleco no assento. Que
sorte! - pensei. Então, de repente, um sentimento de pavor misturado a
pânico me acometeu, quando vi aquele buraco onde antes estava o meu aparelho
de som, com o cabo saltado para fora, parcialmente arrancado. Haviam roubado
meu som!!!
Eu não consegui acreditar de cara. Olhei em volta, totalmente perdido. Não
sabia o que fazer. Eram cerca de 21:00 e não havia ninguém naquela ruela.
Fui pra casa. Até agora não me conformei com o acontecido.
Hoje tive aula lá denovo. Antes da aula fui falar com os flanelinhas que
ficam cuidando a fatídica rua. Deixei meu telefone e disse-lhes que
compraria de volta meu rádio e se "por acaso" o ladrão desse as caras por
lá, que ele entrasse em contato comigo. É claro que minhas esperanças são
beeeem pequenas. Mas existem!!! Deixe o tempo passar, só ele vai a nossa
história contar...

Na semana passada, a penúltima aula de Introdução à Sociologia estava uma
chatice, então resolvi escrever alguns poemas-canções. Aí vão eles (o
horário abaixo é o horário de quando eu os terminei):

Impossível

É possível racionalizar a fé?
É possível discursar sem ideologia?
É possível rezar em termos numéricos?
É possível amar sem ser amado?
É possível dissolver açúcar em sal?
E quebrar uma noz de dentro pra fora?
Correr pelado plantando bananeira?
De trás pra frente plantar uma semente?
Conferir o Gre-Nal sem ranger os dentes?
É possível sorrir feliz e contente?
Chorar dormindo na frente da TV?
E tropeçar na rua ao cruzar com você?
É possível cantar estando afônico?
E jogar videogame com olho biônico?
É possível tremer de calor?
Dormir no verão sem ventilador?
Assar um churrasco sem carne?
Morar na cidade e dançar um tango?
É possível viver sem saber porquê?
É possível impor o impossível,
Ver o invisível e sentir o insensível?
Se for possível, derrube o rei.
04/04/2001 19:45

Tem fila

Tem fila de filé com fritas
Fila pra pagar
Fila pra receber
Tem fila que morde gente
E gente que fila bóia

Tem fila de frango e farofa
Fila pra consultar
Fila pra entrar
Tem fila saindo pelos ralos
E em fila fica o soldado

Tem fila de feijão com figo
Fila pra chorar
E fila pra cantar
Tem fila porque qui-la
E qui-la por que fila

Ééééé... Na fila do ônibus
Que eu sou feliz, feliz, feliz
Canta e dança ó cobrador
Que o motorista a roleta já girou
E o tiro (Bam!) na cabeça acertou

04/04/2001 21:00

Os Dardos do Acaso

Dados podem ter seis lados
Mas você pode ficar de um lado só
Pois de cima do muro
Cedo ou tarde você cai
Decida e pense, jogue os dados
E escolha o seu lado
Jogue um dardo, acerte o alvo
Ou sem mais nem menos ficarás calvo

Acenda seu último cigarro
E apague-o a seguir
Abra os braços para a vida
E abrace o que puder sentir

Tire o pó da sua estante
Mude a vida num instante
Não entre em um tiroteio
Ou sua vida acaba no meio

Não se case mas queira casa
Encha o peito todo o dia
Sorria e procure alegria
No ar que sugas assim.

04/04/2001 21:11

"Aspargos e amendoins são responsáveis pelo novo conhecimento que abala as
estruturas da ordem estabelecida"

Grécia, Macedônia, Pérsia
Galeno, Euclides, Arquimedes
Geometria, Cartografia, Navegação
Para criar hortaliças
É necessário água e Sol
(além das hortaliças)

Também tem um outro que comecei a escrever no carro, na volta, mas ainda não
está terminado. Só registrarei quando estiver pronto.
Outros excertos incertos que decerto um dia acerto:

"Que sensação ruim esperar por algo que você não sabe se vem. Quando se
espera algo que acreditamos que venha, somos tomados de impaciência. Quando
se espera algo que não sabemos se vai ou não vir, somos tomados de angústia.
Mas, quando o que esperamos chega, o alívio toma conta de nosso corpo."

"Nesses tempos de Internet
Como tudo é rápido
Falo uma coisa aqui
E ali ela está acontecendo

O dinheiro vai e volta
Tão rápido quanto a informação
O limite dessa rede
Voa nas asas da imaginação

E antes do Ibope veio o Bebop
Logo depois surgiu o Hip Hop
Seguido de perto do Robocop"

Outra:

"Me dá ar, me dá ar
Comprimidos de ar comprimido
Para ver se melhora
Minha falta de ar meu amigo

Quero andar e sentir
O vento e a brisa no rosto
Sem fugir ou correr
Dessa angústia que invade meu corpo"

Chega! {12/04/2001 - Quinta-feira - 23:30}

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SE VOCÊ NÃO QUISER MAIS RECEBER ESTE E-ZINE, MANDE UM MAIL PARA
superjazz7@terra.com.br DIZENDO CHEGA!!!
(A PROPÓSITO: SE QUISERES DEIXAR DE ASSINAR O "Simplicíssimo", ESPERE, POIS
A PRÓXIMA EDIÇÃO VAI ESTAR ÓTIMA!) (seja otimista!)

SE, PELO CONTRÁRIO, VOCÊ QUER INDICAR UM AMIGO(A) PARA QUE ESTE TAMBÉM O
RECEBA, ENVIE UM MAIL PARA O MESMO ENDEREÇO ACIMA INFORMANDO O E-MAIL DE SEU
AMIGO(A).

ESTAMOS ESPERANDO SUAS PARTICIPAÇÕES! CONVIDEM AMIGOS LITERATOS OU AFINS A
PARTICIPAREM DESSA ORGIA LITERÁRIA. DIVULGUEM, ESPALHEM O JORNALZINHO. SE
ELE AINDA NÃO ESTÁ DO JEITO QUE VOCÊ QUER, É PORQUE VOCÊ NÃO ESTÁ
PARTICIPANDO
O SUFICIENTE.

O "Simplicíssimo" É UM ESPAÇO ABERTO, É REALMENTE "VOCÊ DONO DE UM JORNAL...
...VIRTUAL" COMO OUSARAM DIZER UNS E OUTROS... PENSE NESTE E-ZINE COMO UM
BOM PEDAÇO DE ARGILA QUE PODES MOLDAR AO SEU BEL PRAZER. ENTÃO VENHA: META A
MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS
CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: "Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação."

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

Atualmente o Simplicíssimo conta com [81] assinantes + [10] "leitores
convidados"

Rafael Reinehr 6:38 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semanal
28/02/2003 - Edição número 12 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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Tudo Está Impresso No Éter Universal
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1. Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Rock Progressivo (part II)...................................Fabiano F.
Carvalho

3. Susan Buck-Morrs, Hegel e o Haiti.................................César
Schirmer dos Santos

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 24 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever VIII
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Ufa! Como é bom dar uma respirada!
Finalmente este povo começou a participar do Simplicíssimo! Essas mentes
brilhantes não podem ficar paradas!
Nesta semana fui assistir "O Chamado" (The Ring, em inglês). Haviam
algumas críticas favoráveis e várias contrárias ao filme, dadas, é claro,
por meus amigos e amigas. Decidi avaliar por mim mesmo. Conclusão: é um
filme para quem gosta mesmo de suspense e um pouco de terror... Não vou
contar a história do filme aqui, mas com certeza fiquei um pouco
impressionado com a história e algumas cenas do filme, tanto que cheguei em
casa e havia uma mensagem na secretária eletrônica (como poucas vezes) -
quem viu o filme vai entender - o que deu um certo medo.
Depois de filmes desse tipo, levamos algum tempo para voltar a
realidade, pois pensamos se coisas daquele tipo, sobrenaturais, não podem
realmente estar acontecendo por aí. Qualquer barulho estranho (ou comum) já
é motivo para sobressaltos. Não preciso nem dizer que a noite foi
mal-dormida (é assim que se escreve?).
Bem, chega de filmes assustadores por um tempo!

Dia 25/02/2003 foi inaugurado o "Blog Comunitário" Politikaos. Para quem
não sabe o que é blog, explico: blog é uma espécie de diário virtual onde se
pode diaria ou "aqualquertempomente" incluir novas informações, sendo que o
mesmo fica disponível a qualquer hora na Internet. O "Blog Comunitário" é
uma idéia que não sei se já existe onde você tem um nome de usuário e uma
senha que são compartilhados com toda rede, sendo que qualquer pessoa pode,
a qualquer momento adicionar um comentário, crítica, sugestão, ensaio ou o
catso na referida página do blog. O endereço do Politikaos é
www.politikaos.blogspot.com . Quem se interessa por política, tem que passar
lá para dar uma lida e dar pitaco, que é o mais interessante...

E, por falar em política, que é uma das armas que temos para mudar o
mundo, transcrevo abaixo um texto que corria pela Internet há um tempo atrás
e que achei deveras interessante:

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava
resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório
em busca de respostas para suas dúvidas. Certo dia, seu filho de sete anos
invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse
distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o
auxílio de uma tesoura, recortou-o em vários pedaços e, junto com um rolo de
fita adesiva, entregou ao filho:
- Vou lhe dar o mundo para consertar. Veja se consegue. Faça tudo
sozinho.
Pensou que, assim, estava se livrando do garoto, pois ele não conhecia a
geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças.
Uma hora depois, porém, ouviu a voz do filho:
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!
Para surpresa do pai, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam
sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia
sido capaz?
- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?
- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da
revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem.
Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi
aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a concertar o homem
que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e
descobri que havia consertado o mundo.

(autor desconhecido, pela Internet)

Grande abraço a todos e até semana que vem!

Rafael Luiz Reinehr
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2. Rock Progressivo (part II)
Fabiano F. Carvalho

Realmente, o auge do progressivo se deu na década de 70, quando o estilo fez mais sucesso (será?) e onde formaram-se a maioria das bandas mais
famosas. Hoje em dia, no mundo artístico-musical e do "showbizz", ele
praticamente extinguiu-se e só é ouvido por poucos aficcionados; caiu de
moda, inclusive é um "palavrão" em certos meios. Tem apelo comercial quase
zero - é pouco vantajoso para uma estação de rádio jovem tocar uma música de
10, 15, 20 minutos sem colocar um intervalo comercial.
Várias eram as bandas que dominavam o cenário do progressivo nos anos 70. Entre as principais podemos citar Pink Floyd, Rush, Yes, Genesis, Emerson
Lake and Palmer, Jethro Tull, Gentle Giant, Van der Graaf Generator, Focus,
King Crimson, Premiata Forneria Morconi, entre outras. Entre as nacionais,
podemos destacar: O Terço, Secos e Molhados, Casa das Máquinas, O Som Nosso de Cada Dia, os Mutantes fase pós-Rita Lee, Som Imaginário, etc.
Musicalmente falando, existe algo de muito peculiar no progressivo que o
torna muito original como estilo, diferenciando-o de outros gêneros musicais
contemporâneos: a característica de pegar um tema, um solo, um riff, e a
partir dele ir montando toda a música, formando uma continuidade. É como se,
por exemplo, repetíssemos uma seqüência de duas notas três vezes, e na
quarta vez colocássemos outra nota tocada por outro instrumento, na quinta
vez montaríamos um acorde, na sexta vez colocaríamos uma melodia em cima
desse acorde, na sétima vez tocaríamos a mesma sequência mas num outro
compasso, e assim a música vai se construindo. A própria música minimalista
pode-se dizer que se originou do progressivo. Talvez seja dessa
característica "seqüencial" que tenha surgido o termo "progressivo".
Ou seja, na verdade, no progressivo uma parte de uma música depende da parte anterior, há uma hierarquia na sequencia das notas, é diferente da
música popular comum que tem uma introdução, uma estrofe, um refrão, aí
volta para a estrofe, e aí acaba a música, etc. É um estilo que se repete
pouco, musicalmente, que tem essa preocupação em não se repetir. É como uma
estória que vai sendo contada, tem início, meio e fim, não é uma coisa
cíclica, não é um círculo vicioso.
Sem falar nas letras e principalmente nas capas dos discos, que é outra
coisa peculiar do estilo. As letras têm muitas vezes conteúdos esotéricos e
misteriosos, que falam de temas míticos e místicos, algumas vezes medievais,
outras futuristas, quando não temas existencialistas. Sem dúvida é uma
música bem "viajante". Certa vez um jornalista usou o termo "A explosão
colorida e misteriosa do Rock Progressivo". Quanto às capas, às vezes quando
as visualizamos temos a impressão que estamos em outro planeta, na maioria
das vezes são multicoloridas e retratam realidades fantásticas e parecendo
que saíram de livros de ficção científica. O artista plástico Roger Dean
ficou famoso na década de 70 por desenhar as capas do Yes.
Muitos críticos execram o progressivo considerando-o muito chato,
anacrônico e rococó. Eu particularmente não acho que às vezes eles não
tenham um pouco de razão, mas também acho que eles caem na intransigência e na radicalidade, pois considerar que todo um estilo daquela monta que foi
representado pelo progressivo não tenha nada de bom é uma falta de visão, um
modismo e também uma burrice. Mas enfim, o que é modismo passa e a boa
música fica. Espero.

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3. Susan Buck-Morrs, Hegel e o Haiti
César Schirmer dos Santos

É muito bom ouvir falar de Susan Buck-Morrs nestes tempos de
reorganização da esquerda pelo mundo afora. Ela é autora do clássico The
Origin of Negative Dialectics (1977), estudo histórico sobre a Escola de
Frankfurt centrado nas figuras de Theodor Adorno e Walter Benjamin. The
Journal of Visual Culture (no artigo "Globalization, cosmopolitanism,
politics, and the citizen", 2002, vol. 1, nº 3, p. 325-40) traz uma
entrevista com ela, sobre seu último livro (Dreamworld and Catastrophe: The Passing of Mass Utopia in East and West, 2000) e seus projetos recentes. O artigo está disponível no portal de periódicos da CAPES
(http://www.periodicos.capes.gov.br), livremente acessável de dentro dos
campi universitários.
Chamou-me a atenção o projeto (esquerdista) da autora de resgatar as
esperanças utópicas da modernidade pelo método da justaposição de
elementos, tal como ocorre nas fotomontagens (p. 329). Ela aplicou este
método no artigo "Hegel and Haiti", publicado em Critical Inquiry (2000,
vol. 26, nº 4, p. 821-65). (Este artigo está disponível no portal da CAPES,
e também na Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades da
UFRGS.) Um tal método poderia nos lembrar aquele utilizado pelos
surrealistas, que criavam um novo objeto a partir da justaposição arbitrária
de elementos tão díspares quanto um ferro de passar roupa e alguns pregos,
ou a fórmula de Tristan Tzara para a composição de poemas dadaístas (recorte
as palavras de um texto qualquer, misture-as, pegue-as ao acaso, cole-as na
ordem em que foram pegas, pronto!), mas não é o caso. No caso de S.
Buck-Morrs, trata-se de um método acadêmico de composição, e a
justaposição de elementos aparentemente tão distantes quanto a filosofia de
Hegel e a independência do Haiti exigiu dela pesados estudos em várias
áreas. Com este método S. Buck-Morrs está, na verdade, superando a aguda
compartimentalização do conhecimento acadêmico da nossa época. Seu
método relaciona em uma única "figura", a sua obra, elementos de fato
relacionados entre si, embora tal relação não tenha sido percebida por
aqueles que estudam, de maneira atomizada, tais elementos. Mais do que
justaposição, seu método pretende a restauração não-eurocêntrica de uma
imagem (p. 330).
A motivação de S. Buck-Morrs para a utilização de um tal método é equipar
a esquerda com (o que podemos considerar) uma (filosofia da) história
diferente daquela que equipa o pensamento de direita (p. 330), e que estaria
por trás da teoria (inspirada em Hegel!) de F. Fukuyama (em O Fim da
História e o Último Homem), entre outras (p. 334). Sua pretensão é a de
escrever uma genealogia cultural (ou "arqueologia") da globalização.
Segundo seu modo de ver as coisas, a filosofia da história de direita pensa
no que poderias ser considerado o fim da era moderna a partir do seu ato
final, a queda do Muro de Berlim. Sua proposta é reescrever a história a partir do início da modernidade, e seu objetivo é, sem dúvida, o de lançar os
elementos para que esta narrativa (a "História") tenha um outro final (p.
330).
Passemos do método para a aplicação do mesmo. Qual a relação entre Hegel e o Haiti? Para a autora, há elos histórico-intelectuais que ligam a
dialética do senhor e do escravo ao contexto de debate e recepção dos
acontecimentos que culminaram na libertação dos escravos no Haiti. A primeira menção à dialética do senhor e do escravo está nos manuscritos de Jena de 1803-5, em notas que precedem imediatamente à escrita da Fenomenologia do Espírito.
Em 1803 Napoleão prende Toussaint-Louverture, que soltou os escravos da ilha de São Domingos (onde hoje se localizam a Republica Dominicana e o
Haiti) e forçou o governo revolucionário francês a abolir a escravatura nas
colônias. Em 1804-5 Dessalines lidera o conflito na ilha de São Domingo,
liberando a colônia e estabelecendo o "império negro" do Haiti. Foi
exatamente nesta época que Hegel formulou a dialética do senhor e do
escravo (p. 330-1).
Buck-Morrs explora a possível relação entre as duas coisas. Ela encontra
elementos que reforçam a possível relação entre as duas coisas no fato do
principal períodico político da Alemanha na época de Hegel, chamado
Minerva, que Hegel conheceu e leu, ter apresentado centenas de páginas
sobre os dez anos de luta haitiana contra o colonialismo, entre 1803 e 1805.
O mesmo ocorria com toda a imprensa européia da época, repleta de
referências à revolução haitiana. A exceção foi a imprensa francesa, que
sofria da censura imposta por Napoleão às notícias vindas da colônia. Para
Buck-Morrs a revolução haitiana significou, para os intelectuais europeus, a
concretização da metáfora, presente de diversas maneiras em Hobbes, Locke
e Rousseau, da "libertação da escravidão". A revolução haitiana transformou
esta metáfora fundamental para a filosofia política européia da Idade
Moderna em um evento histórico real, e isto deve ter inspirado o jovem Hegel,
inclusive no fato dele ter substituído a narrativa não-histórica do "estado
de natureza" pela narrativa intra-histórica da dialética do senhor e do
escravo como justificação da liberdade. Tal relação entre Hegel e o Haiti devia
estar presente para o público da época, embora a tenhamos perdido de vista
(p.331).

(texto escrito em 21/02/2003)
César Schirmer dos Santos é mestrando em Filosofia na UFRGS

cesarschirmer@yahoo.com.br
ICQ 114961755
51/ 9172-9431
R. Cascata 20, Centro
Parobé, RS CEP 95630-000

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 24 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 7

O menino vive com o seu tio.
O menino pediu um pinto.
Pediu um pinto com pena miúda.
O tio atendeu ao menino.

O menino ficou contente com o pinto de pena miúda.
Êle saiu dali e foi pela ponte de pau.

O pinto piava: piu... piu... piu...
O pinto pulou da ponte.
Pulou numa vala.
Ali continuava piando: piu... piu... piu...

O pinto saiu da vala e ainda piava: piu... piu... piu...

anã nã

sabão bão

Ada lavou o bebê ontem.
Lavou o bebê com sabonete.
Não lavou o bebê com sabão.

bebê be Be

A anã comeu uma banana.
O bebê comeu banana também.

ã nã
ão bão não

u o i a e
bu bo bi ba be

Tito foi ao campo.
Êle foi com um saco e com a faca.
Levou um saco de batata.
Levou uma penca de banana.
Levou um mamão.

Ida foi à vila.
Na vila se vende pão.
Na vila se vende bombom.
Ida levou pão à família.
Ida levou um bombom à Ada.
Ada comeu o bombom.
A família comeu o pão.

bebê sabonete bico boca batata

mão sabão não mamão pão

O filho de Tito vê a abelha.
Êle tem mêdo da abelha.
Tem mêdo da picada da abelha.
Êle não teme coelho.
Todo dia êle dá couve ao coelho.
Êle toma conta do coelho.

Tito passeou pelo mato.
Viu um pássaro voando.
Ouviu o canto do pássaro.
Êle contou à família:
- Eu vi um lindo pássaro no mato.

pássaro assa

coelho lho

lhe lha lhi lho
asse assa assi asso

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5. Escrever por Escrever VIII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{10/07/2000 - Segunda-feira - 22:41}

Podemos sentir medo, mas devemos enfrentar.

Algo que escrevi em três de maio de mil novecentos e noventa e nove:

Porque as pessoas não dão uma chance umas às outras? Nada que se passa com
alguém é em vão. Porque temos sempre que fazer as coisas e, muitas vezes,
justamente a coisa errada? E se a ação mais justa, correta e verdadeira for
não fazer? Com isso não quero dizer simplesmente ficar parado assistindo a
banda passar, mas permitir que a banda passe e execute seu trabalho, sem pôr
empecilhos. Penso ser essa uma tarefa difícil.
Cada vez que caminhamos de mãos dadas com uma pessoa, ao mesmo tempo ela está caminhando de mãos dadas conosco. Será que conseguimos realmente agir assim com as pessoas que nos cercam? Será que oferecemos nossa mão para nossa família, amigos, para aqueles que precisam ou mesmo para quem mais amamos? E será que essas pessoas também o fazem para conosco e para com os outros?
A visão de um planeta, composto por várias formas de vida, uma mais
intrigante e interessante que a outra e mesmo de uma espécie - a humana -
com todas suas espetaculares diferenças e curiosas semelhanças, fascina a
quem observa.
I just cannot understand how people do not mind about brothers beeing killed
(dying?) by the hungry they help create.
Você, que por algum motivo está lendo isso agora, deve estar se perguntando
porque cargas d'água eu estou escrevendo esse "nonsense". Bem, eu estou
voltando de trem de Paris até Londres, e como não trouxe nenhum livro para
ler, resolvi escrever o que me viesse à cabeça. Continuando...
Quando se quer alguma coisa, se vai atrás até conseguir. Quanto maior a
vontade de se ter tal coisa, maior o esforço que somos capazes de realizar.
Mas, e se essa coisa bate de frente com os desejos ou necessidades de outra
pessoa? Quando amamos esta pessoa, muitas vezes não nos importamos em ceder para agradá-la. Mas, quando não temos nenhuma relação afetiva direta com ela? Aí começam os problemas... {10/07/2000 - Segunda-feira - 23:07}

ESCREVER POR ESCREVER

{01/01/2001 - Segunda-feira - 00:17}

Dois mil e um. Uma odisséia no espaço? Por enquanto não... Continuamos
todos sobre a superfície do planeta, comemorando a virada do milênio com
nossos pés no chão. Astronautas libertados? Não, mas nossas vidas se
atrapalham em qualquer rota que façamos... Mas eu tenho esperança de que
isso vai durar pouco. A luz que esse novo milênio traz pode ser vista ao
longe e, quando ela chegar de vez, irá iluminar de uma vez por todas as
nossas mentes e vidas, trazendo tudo aquilo que é apregoado para a Era de
Aquarius: um acesso a planos mais elevados de evolução com uma conseqüente
revolução na sociedade, com o surgimento de novos sistemas, conceitos,
causas e ideais. O lema fraternidade, igualdade e liberdade será
revitalizado e da conjunção dessas características se desenvolverá uma nova
consciência global, planetária, sem separações de raças ou nações. Vamos
começar a plantar nosso futuro! {01/01/2001 - Segunda-feira - 00:27}

{01/01/2001 - Segunda-feira - 14:44}

A passagem do ano foi bem boa para mim. Passei junto com minha vó Helga,
aqui em Agudo (estou aqui desde o dia 30) e depois com minha tia Ledi e
primas e alguns outros parentes do lado paterno. Minha mãe ligou (ela está
na praia) para nos desejar Feliz Ano Novo... Depois eu e a Carol fomos para
a Boate de Reveillon no Verde, que estava bem animada - e bastante cheia por
sinal! Dancei, cumprimentei amigos e conhecidos e cedo fomos embora. Fomos
para a casa da minha vó... XXXCensuraXXX... Acordamos às 6:30 e a levei para
casa. Voltei pra cama, dormi até o meio-dia e minha vó me acordou. Dormi
mais uma horinha, acordei, comi massa assada com coca-cola, li um pouquinho
do meu livro novo "A Epopéia do Pensamento Ocidental - Para compreender as
idéias que moldaram nossa visão de mundo", de Richard Tarnas, que comprei
esses dias juntamente com outros três livros: "Entrevistas sobre o fim dos
tempos" da série Ciência Atual da Rocco, onde Umberto Eco (semiólogo e
romancista), Jean Delumeau (roteirista e escritor), Stephen Jay Gould
(paleontólogo) e Jean-Claude Carrière (historiador) discutem, cada um do seu
ponto de vista, a perspectiva do fim dos tempos nas diferentes culturas
nesse fim de milênio; "Teoria Geral da Política - A filosofia política e as
lições dos clássicos" de Norberto Bobbio, organizado por Michelangelo
Bovero, publicado pela Editora Campus, que apresenta a visão de Bobbio e dos
clássicos sobre Política. Um espetáculo!; e, para finalizar, comprei um
livro de mesa com fotografias de William Claxton sobre Jazz: Jazz Seen,
editado pela Taschen. Depois de lê-los (ou mesmo durante) farei alguns
comentários de partes que achar interessantes.
Bem, agora vou arrumar minha trouxas e vou zarpar para Porto Alegre. Amanhã
começa meu segundo ano de residência médica. Vou começar na UTI, tudo novo
para mim. Vai ser bem interessante! Espero que consiga me adaptar depressa!
Como fiquei bastante tempo sem escrever por escrever, talvez essa quebra
temporal tenha trazido um pouco de nebulosidade e confusão na seqüência de
eventos. Para tentar remediar esse inconveniente, pretendo fazer um "resumo
dos acontecimentos" dos últimos meses assim que tiver um tempinho (talvez no
próximo fim-de-semana). Ah! Também não pretendo ficar mais tanto tempo sem
escrever. Com certeza vou me organizar melhor esse ano! Até... {01/01/2001 -
Segunda-feira - 15:08}

{28/01/2001 - Domingo - 10:42}

Cá estou. Neste momento escrevo diretamente do Centro Clínico, em Novo
Hamburgo, onde estou de plantão desde ontem às 19:00 e onde ficarei até
amanhã às 7:00. Até agora o plantãozinho está calmo e sereno. Tomara que
continue assim.
Bem, deixe eu atualizar nossa conversa... Agora sou residente de segundo ano
(R2) de Medicina Interna no Hospital Conceição, passando em janeiro pela
UTI. Além disso, estou de férias na faculdade e minhas férias no Hospital se
aproximam (são em Fevereiro). Estou editando um jornalzinho/fanzine que é o
"Simplicíssimo"(amanhã sai o número 3), onde trago artigos variados escritos
por mim e por "colaboradores". Também estou tocando em uma banda nova de
covers de música pop/rock chamada Webstereo. Os caras são bem legais, e a
banda é meio capenga, mas tem potencial... A The Brains está suspensa por
tempo indeterminado desde que o Fabiano não compareceu ao último ensaio;
estou desde então sem falar com ele - isso já deve fazer uns 3 meses...
Continuo indo na Academia Gala, fazendo minha musculação, meus abdominais
(abomináveis!) 2 vezes por semana, devagarzinho vou ficando fortinho...
Ainda não achei um(a) professor(a) de canto para mim...
Ups! Agora vou desligar um pouquinho o computador porque a ventoinha está
estragada e ele está esquentando! Volto mais tarde... {28/01/2001 -
Domingo - 11:14}

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SE VOCÊ NÃO QUISER MAIS RECEBER ESTE E-ZINE, MANDE UM MAIL PARA
superjazz7@terra.com.br DIZENDO CHEGA!!!
(A PROPÓSITO: SE QUISERES DEIXAR DE ASSINAR O "Simplicíssimo", ESPERE, POIS
A PRÓXIMA EDIÇÃO VAI ESTAR ÓTIMA!) (seja otimista!)

SE, PELO CONTRÁRIO, VOCÊ QUER INDICAR UM AMIGO(A) PARA QUE ESTE TAMBÉM O
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ENVIE UM MAIL PARA O MESMO ENDEREÇO ACIMA INFORMANDO O E-MAIL DE SEU
AMIGO(A).

ESTAMOS ESPERANDO SUAS PARTICIPAÇÕES! CONVIDEM AMIGOS LITERATOS OU AFINS A
PARTICIPAREM DESSA ORGIA LITERÁRIA. DIVULGUEM, ESPALHEM O JORNALZINHO. SE
ELE
AINDA NÃO ESTÁ DO JEITO QUE VOCÊ QUER, É PORQUE VOCÊ NÃO ESTÁ PARTICIPANDO
O SUFICIENTE.

O "Simplicíssimo" É UM ESPAÇO ABERTO, É REALMENTE "VOCÊ DONO DE UM JORNAL...
...VIRTUAL" COMO OUSARAM DIZER UNS E OUTROS... PENSE NESTE E-ZINE COMO UM
BOM PEDAÇO DE ARGILA QUE PODES MOLDAR AO SEU BEL PRAZER. ENTÃO VENHA: META A
MÃO NO BARRO E VAMOS BRINCAR DE FAZER ARTE, DE CRIAR E ESPALHAR NOSSAS
CRIAÇÕES.

LEMBRANDO: "Vale qualquer coisa em se tratando de prosa, poesia, contos,
crônicas, divagações, teorias, letras de música, receitas culinárias,
reproduções de pedaços da lista telefônica, extratos bancários, excertos de
livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação."

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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___________________________ FIM!

Atualmente o Simplicíssimo conta com [79] assinantes

Rafael Reinehr 6:38 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade "a cada sete dias"
21/02/2003 - Edição número 11 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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The Top Ten Hits Band
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1. Editorial.............................................................Rafael
Luiz Reinehr

2. Rock Progressivo (part I)...................................Fabiano F.
Carvalho

3. A teoria do estado moderno............................Rafael Luiz
Reinehr*

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 25 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever VII
(excertos).....................................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

- Não vejo perspectivas para o fim.
- Mas o fim não é uma perspectiva.
- Mas a perspectiva é a de um caminho para o fim. E eu não vejo esse
caminho. Nem mesmo sei se ele existe.
- Mas você vê um caminho?
- Sim, vejo.
- Então é o que basta!

#

Escrever meu nome
Em paredes pintadas
Que nunca acabam,
Cores transparentes
Que gritam e me assustam
Que navegam no mar
Das minhas ilusões,
Celeiro isolado
Daqueles que me cercam
E escrevem seus nomes
Junto ao meu.

#

Nos céus, junto aos porões
A proteção é uma farsa
Que não se disfarça
Que faz de conta
É um desejo, nada mais
Não se realiza
Se aproxima e sintoniza
A freqüência febril
Dos nossos corações

#

Ele é um poeta embriagado
Sobre uma mesa de granito
Sob o céu esquisito
De uma tarde de domingo

Chego só, ele está sorrindo
Vou a seu encontro
E ele, pra variar
Com seu poema pronto
Me entrega sua alma
Que reluz, me seduzindo

Não sabe correr,
Consertar televisor
Mas sabe criar,
E o faz com amor

Mesmo encharcado
Molhado por dentro,
Tomado pelo limão
Sabe seu caminho
Que não segue sozinho
Mas acompanhado
Por todos nós

#

O que se escreve
Não se copia jamais
Por mais estradas
Por mais tempo
Por mais labuta
Entre nós não há espaço
Para o igual
Para o que vem depois

#

O mundo deveria ser dos justos. O problema seria a definição de justiça
nas margens da percepção. Por exemplo, se alguém lhe confia um revólver para
que você o guarde e, tempos depois essa mesma pessoa vem a você, nitidamente
transtornada, dizendo que vai assassinar alguém. O que é certo e justo: você
devolver a arma confiada a você ou retê-la e não cedê-la ao seu dono mesmo
sob pressão deste para evitar a morte de uma pessoa? Creio que a maior parte
das pessoas acharia mais correta a segunda opção, justificando que talvez
nosso amigo estando transtornado, estivesse fora de seu estado natural, e
que aquela raiva fosse um sentimento passageiro que levaria o sujeito a
cometer um ato do qual se arrependeria depois. Outros, creio, acreditam que
a referida arma deva ser entregue ao seu dono, sendo que a responsabilidade
sobre os atos realizados com ela é totalmente do dono (ou usuário).

Rafael Luiz Reinehr

"As leis, em seu significado mais extenso, são as relações necessárias que
derivam da natureza das coisas; e, neste sentido, todos os seres têm suas
leis; a Divindade possui suas leis, o mundo material possui suas leis, as
inteligências superiores ao homem possuem suas leis, os animais possuem suas
leis, o homem possui suas leis. Aqueles que afirmaram que uma fatalidade
cega produziu todos os efeitos que observamos no mundo proferiram um grande
absurdo: pois o que poderia ser mais absurdo do que uma fatalidade cega que
teria produzido seres inteligentes?"
Montesquieu, capítulo I, Das leis em sua relação com os diversos seres,
Livro Primeiro, Das leis em geral, em "O espírito das leis".

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração
tranqüilo"
Walter Franco

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2. Rock Progressivo
Fabiano F. Carvalho

Viva a boa música.
Desde que a música moderna ocidental surgiu (acho que no século XV ou
XVI), poucas tentativas de revolução musical (musicalmente falando), tirando
talvez o jazz, foram tão intensas ou interessantes quanto o surgimento do
progressivo, surgido por volta da sétima década do século passado.
Desde que surgiu, nos anos cinqüenta, o rock sempre foi passando por
transformações. Do rock'n'roll básico de três acordes de Elvis Presley e
Chuck Berry, foi surgindo, na década seguinte, um som um pouquinho mais
complexo, incluindo acordes menores e melodias um pouco mais desenvolvidas.
Era a época da Beatlemania, que assolou o planeta com os quatro cabeludos de
Liverpool e mais uma penca de bandas na sua cola, tais como Beach Boys,
Zombies, The Byrds, Rolling Stones, etc (os "Stonemaníacos" que não me
atirem pedras).
Certamente naquela época o rock ganhou mais corpo como estilo
musical, mas só iria ser levado à condição de arte com o clássico álbum
"Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", de 1967, considerado um marco.
Bem, podemos dizer que foi mais ou menos aí que tudo começou. O
antológico álbum dos Beatles chamava a atenção não só pela beleza das
músicas, mas também porque trazia uma estrutura que fugia dos parâmetros
musicais dos discos anteriores. Ruídos estranhos no final da última música
do disco, músicas coladas umas às outras, uso de instrumentos totalmente
estranhos ao rock e até mesmo à música ocidental daquele momento, como a
cítara, por exemplo, e junto com isso, a inclusão de elementos musicais
totalmente novos, como a música indiana, o jazz e a música de orquestra, por
exemplo.
Quem leu com atenção o parágrafo anterior já tem agora mais ou menos
a noção do que é o progressivo. O estilo, nesse ínterim, poderia ser
conceituado como tentativas de alguns músicos de expandir musicalmente o
rock até suas últimas fronteiras, atingindo uma qualidade e riqueza
artísticas jamais pensadas. Na minha opinião, os Beatles, talvez mesmo sem
saber, tenham fundado o progressivo com o lançamento do "Sgt. Peppers", mas
mais ainda, com o lançamento do "Abbey Road", de 1969, que incluía aquele
clássico lado B com todas as músicas em sucessão, coladas, como que seguindo
uma seqüência lógica.
Talvez uma das características mais marcantes tenha sido a inclusão
de elementos da música erudita no rock. De fato, muitos dos mais famosos
nomes do progressivo, como Keith Emerson, Rick Wakeman, Patrick Moraz e
outros, tiveram uma formação de música erudita; muitos dos discos de
progressivo eram compostos por "suítes" que duravam 10, 12, 15, 20 minutos.
"Thick as a Brick", do Jethro Tull, preenchia os dois lados do vinil.
"Tubular Bells", de Mike Oldfield, idem. Também de fato, era uma época de
turbulência cultural, certamente os músicos filhos dos "burgueses europeus"
passavam estudando música erudita durante anos em conservatórios mas queriam ser roqueiros, pois era a época em que o rock estava em expansão. Boa parte da manutenção do rock progressivo durante a década de 70 talvez tenha vindo dessa mistura de influências músico-culturais pela qual esses jovens
passaram.
(continua no próximo episódio)

(escrito no verão de 2001)
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3. A teoria do estado moderno
Rafael Luiz Reinehr*

1. Onde, segundo o autor, se deve buscar as origens do Estado Moderno e qual
sua novidade?

Segundo o autor, no século XI na Inglaterra conseguiu-se criar uma forte
organização política no meio da hierarquia feudal, mas somente na primeira
metade do século XIII, na Sicília, Frederico II centralizou o exército, a
justiça, a polícia e a administração financeira de modo burocrático,
retirando esses aspectos dos domínios do sistema feudal. Assim, as origens
do Estado Moderno devem ser procuradas nas cidades-República da Itália
setentrional na época da Renascença. A sua novidade era a mudança de uma
forma de organização chamada de poliarquia, onde o poder era dividido entre
o rei, os senhores feudais, o clero, os cavaleiros e os burgueses, com uma
coerência frouxa e intermitente, para uma forma - o Estado - onde existiria
uma unidade de poder contínua e fortemente organizada e centralizada, com um
exército permanente, uma hierarquia de funcionários, uma ordem jurídica
unitária que impõe aos súditos um dever de obediência de caráter geral.

2. Descrever a "evolução" do Estado Moderno e identificar sua eficácia.

Na Idade Média, o senhor feudal era o proprietário das terras que eram
repassadas de forma hereditária e, para defendê-las ocasionalmente era
obrigado a "contratar" um exército, composto por seus vassalos e por
mercenários a quem pagava um determinado valor. O poder era partido entre o
senhor feudal, o rei (ou os reis), os cavaleiros, o clero e, mais para o fim
da Idade Média, também entre a burguesia. Não havia qualquer espécie de
legislação que regulasse questões econômicas ou de propriedades de terra,
que ordenasse hierarquias ou estabelecesse uma ordem de poder e definisse
regras a serem seguidas pelos diferentes estamentos, nome dado então para o
que hoje chamamos de classes.
O senhor feudal era, então, comandante civil e militar da "sua nação". Ele
exercia o poder sobre os vassalos e subordinados de classes inferiores
baseado em uma relação de lealdade com este, que muitas vezes era carente.
Assim, o poder do senhor feudal se apoiava no fato deste ser o proprietário
de um grande território, faltando vínculos ético-políticos na relação com
seus subordinados.
Na evolução para o Estado Moderno, no aspecto organizador, os meios reais
de autoridade e administração, que antes eram de domínio privado, agora se
transformassem em propriedade pública em que o poder de mando que vinha
sendo exercido como um direito do indivíduo fosse exortado em benefício do
príncipe absoluto inicialmente e depois do Estado.
Com a criação de um exército mercenário permanente, cuja existência dependia
do pagamento do soldo, o senhor se torna independente da lealdade de seus
feudatários, estabelecendo a unidade de poder do Estado do ponto de vista
militar. As despesas da guerra obrigavam uma reorganização das finanças e
portanto, gerou uma transformação burocrática na administração das finanças.
Da mesma forma, com o surgimento de avanços técnicos e culturais, o
surgimento da justiça como instituição, obrigou o Estado a passar a gerir
esses aspectos da realidade social de então, para evitar com que caísse em
uma decadência inevitável.
Com a divisão do trabalho, proporcionou-se o aperfeiçoamento da técnica
administrativa, apertando-se as amarras dos controles de contabilidade e do
poder do executivo. Graças à nova hierarquia dos funcionários toda essa
recente organização pode ser estendida para todo o território e abranger
todos os habitantes do mesmo e assegurar assim a universalização, unificação
e centralização de todo trabalho relevante para o Estado (agora
estabelecido).
Ao lado de tudo isso, e de forma fundamental para o estabelecimento
definitivo do Estado Moderno encontra-se o fato de que o príncipe, passando
por alto todos os privilégios, tenha obrigado, nas assembléias, as
corporações estamentais, já muito debilitadas desde o século XV, a dar sua
aprovaçào ao estabelecimento de impostos gerais e aplicáveis a todos os
súditos, sem levar em conta o seu nascimento e o estamento a que
pertencessem. Finalmente, em meados do século XVI, os príncipes já conseguem
emancipar por completo a base econômica do poder estatal, estabelecendo
impostos sem contar com a aprovação dos estamentos. Como disse Dahlmann
sobre a importância deste momento econômico no nascimento do Estado Moderno:
"O que a vida separa em nós trataram de uni-lo os impostos na segunda metade
da Idade Média; neles vai implícita a idéia de que, inclusive em épocas de
paz, fazemos parte de um grande ente comum que a todos interessa e que nos
impõe sacrifícios."

3. Qual a relação entre Estado e Direito?

Como citado no texto: "O Estado só podia tornar-se independente como unidade
de ação militar, econômica e política sob a forma de uma independência como
unidade de decisão jurídica universal". Na Idade Média, a desagregação
jurídica causada pelas peculiaridades regionais de usos e costumes,
geralmente discordantes perpetuava a situação vigente. Com a unificação
geral, para todo o território (a partir do centro) de toda a atividade
relevante para o Estado (até então incipiente), se torna possível a redação
do que é chamado jus certum, um sistema de regras unitário, fechado e
escrito, válido para todo o território do Estado, onde todas as regras
particulares passíveis sejam ordenadas - segundo critérios políticos,
econômicos e jurídicos - sistematicamente na unidade do todo.
Também na regulação da hierarquia de funcionários e na manutenção de uma
economia capitalista crescente, tanto do ponto de vista do dinheiro privado
quanto do aspecto administrativo, a necessidade de uma ordenação jurídica
racional, planificada e sistematizada se torna necessária.
Finalmente, a codificação disposta pelo príncipe, a partir do Direito
Romano, e a burocratização da função de aplicar e executar o direito
acabaram com o até então vigente "direito do mais forte" e com o "direito do
desafio", tornando possível a concentração do exercício legítimo do poder
físico no Estado, característica essa típica do Estado Moderno.
Assim, a relação entre Estado e Direito se resume no fato de que este é uma
organização normativa social estabelecida e garantida por aquele.
Há entretanto aqueles que consideram o Estado como "um poder de vontade não
sujeito a normas" e tenta tirá-lo do caminho que conduz ao direito, assim
como há quem afirma que o direito é um "dever ser puramente ideal, livre de
todo poder real" e mesmo assim tente associá-lo com a idéia de Estado. Nessa
visão dual, a realidade social aparecerá como partes sem vinculação
possível: uma parte idealizada, do dever ser e uma parte caótica, composta
por uma população movida por forças naturais que determinam o ser.
Isso é incoerente, tendo em vista que todo ser humano com seu ser individual
está inserido, quer queira ou não, em uma realidade física da qual ele é
apenas mais um componente e, agora por ordenações não geradas pelo seu ser
mas pelo dever ser da vontade humana como um todo, ele deve então se
submeter a essa ordem, fazendo então parte do Estado estabelecido (ou
escolhendo viver ao lado da situação vigente [vide punks, anarquistas...]).
Dessa forma, só conseguimos entender esse dilema entre o Estado e o Direito
quando consideramos o dever ser jurídico como um objeto da vontade, do
querer humano, mesmo passando a ser, após sua criação pelo homem apenas uma palavra, um escrito ou uma imagem. Portanto, deve-se conceber o Direito como a condição necessária ao Estado e, da mesma forma, o Estado como necessária condição para o Direito.

4. Qual a "tensão" que a separação entre economia e política acarreta para
as modernas democracias?

Até o século XIX o poder político e o poder econômico estavam sempre nas
mesmas mãos. Durante toda Idade Média e no começo da Idade Moderna, as
classes proprietárias da terra e a burguesia urbana dona do capital tinham
também o comando político. Através do absolutismo, e por meio da política
mercantilista, o Estado tornou-se a mais forte entidade econômica
capitalista e monopolizou os meios de dominação política. Isso só veio a ser
novamente questionado bem recentemente, quando o enorme crescimento dos
poderes econômicos privados (como vemos hoje nestas Multi e Transnacionais)
passou a ameaçar o poder do Estado.
A força do capital, cada vez mais concentrado na mão de poucos, acaba por
trazer consigo a oportunidade de "manipulação política", pois é evidente que
o poder político que detem os dirigentes da economia não é tão somente igual
à força de seus votos. O poder do capital lhes permite influenciar a opinião
pública através do financiamento de partidos políticos, dos jornais, do
cinema, rádio e outros modos de comunicação de massa, lhes garantindo mais
fácil acesso ao poder político. Ainda, através de sua competência em
questões técnico-econômicas e nas relações internacionais, os dirigentes da
economia parecem estar mais aptos a influenciar o poder político do que os
dirigentes políticos a influenciar os poderes econômicos.
É justamente essa separação de comando político e econômico que constitui
esse estado de "tensão" característico das modernas democracias. De um lado,
as grandes massas (representadas pelo poder político) querem submeter também a economia ao seu crivo e do outro, os dirigentes da economia declaram intolerável a influência político-democrática na mesma e aspiram conquistar o poder político para somá-lo ao poder econômico que já possuem.

5. Qual a relação entre as ordenações normativas sociais e os atos da
vontade humana?

As ordenações normativas sociais são conjuntos de regras estabelecidas (pela
própria vontade humana) para possibilitar a vida em sociedade. Como são
limitadoras do livre arbítrio, podem ser encaradas como punitivas, mas são
elas que determinam o espaço de cada um, ou seja, até onde vão os meus
direitos e onde começam os direitos do próximo. Certamente não seguimos
essas normas com um caráter puramente voluntário. Aceitamo-las imaginando
que a partir do momento em que as estamos seguindo, todos também estão,
garantindo assim uma ordem efetiva neste mundo de relações sociais. Se isso
não ocorre, a normatização se torna sem sentido. Dessa forma são criadas
punições para quem desobedecer essas "ordenações normativas". Não podemos
confundí-las com moralidade ou religiosidade, pois nestas situações o que
age é a vontade inerente de cada um, baseado na crença de que a ação correta
a ser feita é aquela fundamentada na religião ou na moral própria. Assim,
podemos diferenciar esse tipo de normas, as baseadas na intenção, cuja
referência é a consciência, a razão ou mesmo Deus, das normas sociais, que
são atribuídas à vontade humana em seu conjunto.

6. Estado: visão liberal e visão marxista.

A visão liberal do Estado dá ênfase à liberdade individual, ao governo
limitado, ao gradual progresso social e ao comércio laissez-faire (que diz
que o mercado funciona melhor com pouca interferência do governo) e, em sua
encarnação moderna, apóia o envolvimento do Estado na previdência social e
na política econômica, ao mesmo tempo dando apoia à liberdade e às
oportunidades pessoais. Surgiu no início do século XIX como ideologia da
classe média emergente dos comerciantes e dos empresários. Teve como base
intelectual a filosofia política de John Locke, a fé iluminista no progresso
humano e no racionalismo e as teorias econômicas de Adam Smith. Os liberais
do século XIX pregavam a tolerância religiosa, o individualismo e a
autonomia e entendiam a pobreza como falha moral.
Já o tipo de liberalismo político do século XX, também chamado de
neoliberalismo, é um termo empregado às políticas econômicas dos países em
desenvolvimento que põe em destaque os livres mercados e o livre comércio,
ao contrário do planejamento econômico e da proteção às indústrias
nacionais.
A visão marxista, originada das mentes retumbantes de Karl Marx e Friedrich
Engels, na verdade é, atualmente um conglomerado de diferentes
interpretações, nem sempre fáceis de serem compatibilizadas. Alguns
pressupostos, entretanto, podem ser compartilhados: a hipótese de que o
capitalismo se baseia na exploração do trabalho assalariado, que aliena as
pessoas de suas verdadeiras capacidades e umas das outras; os sistemas
sociais, políticos e culturais são criados pelas relações econômicas de
exploração, que geram e perpetuam divisões de classes mutuamente hostis;
esse conflito de classes e as próprias condições do sistema levarão à sua
derrubada e substituição por uma sociedade socialista mais igualitária e
mais justa.
Além da teoria econômica e da prescrição de mudança revolucionária, o
marxismo é uma filosofia da História, que é vista como processo dialético de
mudanças progressivas oriundas dos conflitos e uma filosofia da Natureza
Humana, que vê as pessoas definidas por suas relações dentro da sociedade e
realizadas pelo controle dos frutos do seu trabalho.

(*Questões sobre "A Teoria do Estado" de Hermann Heller In: Política e
Sociedade (FHC e CEM), trabalho escrito em 07/05/2001 para cadeira do
IFCH/UFRGS)

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 25 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

LIção número 6

empada em

Paulo deu a empada à Nida.
A empada tem pimenta?
Sim, a empada tem muita pimenta.

um pinto um pato um sapo

Nida viu o pudim.
O pudim é de leite.

Além do monte vê-se a nuvem.
Vê-se a linda nuvem.
O vento vai levando a nuvem.
E a lua vem vindo... vem vindo...

pudim dim

en on in un
em om im um

Eu vim da vila.
Ouvi o som do sino.
Dom... dem... dim...
Otávio ouviu o som do sino.
O som do sino é suave.

Um sapo pulou na vala.
Tadeu tem mêdo do sapo.
Tadeu tem mêdo de tudo.

Vovô tem saudade do seu tempo.
Vovô nadava sem mêdo.
Vovô pulava da ponte.
Êle tem saudade de seu tempo de menino.

O sino soa Dem... Dom... Dim...
em om im
tem tom tim
sem som sim

Tito tem uma faca.
Tito tem um côco.
Tito tem uma cama.

cama ca

Tito foi à mata.
Êle foi com sua faca.
Tito levou um côco à Ida.
Ida deu pudim de côco ao Tito.

faca fa Fa

Tito ficou cansado.
Êle viu a cama na sala.
Deitou-se na cama.

côco co Co

fa fe fi fo
ca co

A anta anda no campo.
Tito vê a anta andando no capim.
Tito vê a anta comendo.
Tito vê a anta comendo capim.
Tito mata a anta.

Tito tem um saco de côco.
O saco fica na sala.
Fica no canto da sala.

Paulo levou uma fita à Nida.
Êle levou a fita no fundo da mala.

anta cama côco fica
canta lama saco fita

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5. Escrever por Escrever VII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{03/07/2000 - Segunda-feira - 19:15}

Da coleção "Poesias para um Novo Mundo":

Despertar

Quando as cores somem
Desaparecem como se nunca houvessem existido
Quando as luzes brilham
Mas não servem mais ao seu propósito

O vazio preenche todos espaços
Toma conta de tudo que resta
De tudo que sobrou, dos escombros
Agora em tons de cinza, escuro

Já não se ouvem passos, nem vozes
Somente um grito, surdo, ensurdecedor
Que me faz fechar os olhos
E ver coisas até então sem sentido
A distância agora consigo medir
Ela existe, e assusta
Tenho medo de não mais voltar
De não escolher o caminho certo

Sinto cheiro de café
E sinto necessidade de acordar
Deste sonho, que é uma vida
E viver, esta vida - que é realidade.

Isso aí em cima eu escrevi algum tempo atrás, enquanto estava nadando para
longe de um amor perdido.

"Em uma discussão filosófica, quem perde é o maior ganhador, pois aprendeu
mais." Epicuro (341 - 270 a.C.)

"Abençoados os que sabem rir de si mesmos, porque nunca deixarão de
divertir-se" Mort Walker

"Algumas pessoas desejam tão ardentemente uma coisa que, por medo de
perdê-la, fazem de tudo para ficar sem ela" Jean de La Bruyère (1812 -
1889), poeta inglês

"O problema dos nossos tempos é que o futuro deixou de ser aquilo que era"
Paul Valery (1871 - 1956) poeta e crítico francês

Citações, citações... {03/07/2000 - Segunda-feira - 19:31}

{03/07/2000 - Segunda-feira - 22:11}

Aqui segue "O retrato de câncer", que é um perfil do canceriano que foi
publicado em alguma revista ou jornal e minha mãe me trouxe, há vários anos
atrás:

Câncer possui muitas qualidades e muitos defeitos. Como o caranguejo, ele
pega tudo o que passa ao seu alcance: é inquieto e deseja ter segurança do
amanhã. O que é seu ele protege, acaricia, cuida e muitas vezes esconde dos
outros. Tem um senso de família muito agudo e sua visão do mundo é às vezes
muito estreita. É ligado a suas origens, a sua família, a seus pais, a seu
cantinho de chão, seu primeiro brinquedo, sua primeira amiguinha (mesmo que
não a veja há mais de 50 anos!)
Dificilmente o canceriano se separa do que possui, preferindo muito mais
incluir um novo membro em sua família do que se separar de um de seus
filhos. Toda separação é uma espécie de rompimento, um abandono, uma fuga.
Câncer tem necessidade de ser protegido e a perda (mesmo provisória) de uma
situação, de uma vantagem, de uma relação, é sentida como uma brecha em seus mecanismos de defesa e vivida em forma de angústia. Esta proteção que ele procura, ele a sublima protegendo os outros. Câncer é tido muitas vezes como um ser superprotetor, maternal.
Felizmente, a Lua, que escolheu seu domicílio neste signo, lhe confere um
certo lado fantástico. É um ser dotado não somente de uma grande
sensibilidade, mas também de uma enorme imaginação: nenhuma idéia pode
encontrar terreno mais fértil para germinar e se multiplicar.
Câncer ama a vida, não somente a vida familiar mas também toda a vida em
coletividade. Infelizmente, ele só se sente bem no ambiente que conhece, que
ele pode ligar a um membro de sua família ou a um amigo próximo. O
canceriano nunca se afasta por muito tempo de seu local de origem: a
aventura para ele começa a 10 passos de sua casa! Amigo dos pobres, dos
deserdados, dos largados à própria sorte, o canceriano jamais recusa a ajuda
que dele se espera. Entretanto, pobre daquele que não aceita sua doce
tirania: o canceriano irá demonstrar sua indignação por tanta ingratidão.
Bom, sensível, receptivo, econômico, Câncer não tem só qualidades. A Lua
que governa este signo o torna algumas vezes linfático, até mesmo
francamente preguiçoso. É igualmente caprichoso e susceptível: qualquer
palavra um pouco mais dura pode ficar gravada durante semanas e até meses.
Sua imaginação transbordante lhe faz imaginar múltiplas hipóteses, enquanto
tudo não passava no mais das vezes de uma brincadeira!
E não é só isso. Câncer dificilmente aceita crítica, mas também ele próprio
só com dificuldade consegue exprimir suas críticas ou sua cólera. Se lhe
acontece de elevar a voz, de se zangar ou de protestar, fica se culpando
desse descontrole muito tempo depois.
Superdotado quanto a lamúrias estéreis, é um eterno inquieto que, para bem
viver, não pede senão ter segurança junto aos seus, sonhando, sentado em sua
poltrona, com viagens por terras distantes.

Tive ensaio/reunião agora a pouco com a minha banda, a "The Brains". Estou
me estressando com ela. Está me proporcionando mais incomodação do que
prazer. O Fabiano com sua instabilidade: ora de bom humor, ora virado e não
querendo tocar. O João sempre achando que ainda não está bom e que não dá
para tocar nos lugares... Tenho que arranjar outros caras para tocar. Alguém
menos complicado, que queira tocar algo simples, músicas próprias e algumas
covers conhecidas e que "pegam"; sem muita enrolação e só para se
divertir... Minha história musical começa no "Ranulfos", depois teve a
"Fuckers on Duty", aí criamos em 1994 a "The Brains". Tenho um projeto de
banda punk que iria se chamar "Os Waldo Aranhas" e um outro de MPB (Metal
Progressivo Brasileiro) que se chamou "Não!"; além, é claro das clássicas e
famosas "Banda das 100 músicas" e a "Banda Continental". Outra hora descrevo
com mais detalhes essa parafernália musical. Agora quero estudar a
"Metafísica" de Aristóteles e ver a Tela Quente. {03/07/2000 -
Segunda-feira - 22:47}

{03/07/2000 - Segunda-feira - 22:52}

Lição de Hegel - O Filósofo: desde criança os livros que lia ele fichava:
colocava o nome do livro o autor, as conclusões que ele tirava de suas
leituras e seus respectivos trechos para referência posterior caso ele os
quisesse usar. Acho que vou começar a fazer isso. Partes das conclusões que
eu tirar escreverei aqui. {03/07/2000 - Segunda-feira - 22:56}

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cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
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significativas na formatação."

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE (OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ TERÁ)

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Rafael Reinehr 6:37 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade semanal (por enquanto)
14/02/2003 - Edição número 10 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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A Ponte
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1. Editorial...................................................Rafael Luiz
Reinehr

2. Resenha do Texto "Antropologia Fílmica - Uma Gênese Difícil, mas
Promissora", de Claudine de France...............................................Rafael Luiz
Reinehr

3. Receita Artística - Pátina Provençal............................Carolina
Schumacher

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 26 lições)..................Rafael
Luiz Reinehr

5. Escrever por Escrever VI (excertos)............................Rafael
Luiz Reinehr

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1. Editorial

Volta e meia questões concernentes à Bioética permeiam nosso dia-a-dia.
E cada vez mais isso vai acontecer. Quem lembra do filme Gattaca (guanina,
adenina, timina, timina, adenina, citosina, adenina) achou bastante familiar
os acontecimentos dos últimos dias. Me refiro à forma com que a menina
Roberta foi testada para excluir a possibilidade de Vilma, a seqüestradora
do Pedrinho, ser sua mãe. Para quem está por fora ou está chegando de viagem
do exterior hoje, a história é mais ou menos assim: uma senhora, há mais de
vinte anos atrás, seqüestrou uma, duas ou sabe se lá quantas crianças, mas
não foi descoberta. Há alguns meses, descobriu-se que um de seus filhos na
verdade não o era, e sim de outra família, pois ela o havia seqüestrado ao
nascer, e haviam dito a verdadeira mãe que seu filho havia morrido. Como se
isso já não bastasse, agora se suspeitava que outra filha sua na realidade
também poderia ter sido seqüestrada. A moça recusou-se a prestar o exame de
DNA mas uma investigadora do caso sugeriu examinar a saliva que a moça
deixou em uma bituca de cigarro. A saliva foi, sem o conhecimento da moça,
enviada para análise e se descobriu que a mesma não é filha legítima de
Vilma.
Tudo bem, e aí? E aí que as implicações não somente legais, mas
principalmente éticas devem ser levantadas. Uma discussão acelerada e
imediata urge. O próximo passo vai ser, tão logo sejam associadas ao genoma
características de personalidade ou mesmo propensão à doenças crônicas ou
degenerativas, a escolha pelas características genéticas de profissionais
mais aptos para essa ou aquelas áreas.
Podemos também imaginar alguns extremos: você chega para se inscrever
para o vestibular de Arquitetura, pois é isso que você sempre sonhou fazer e
só com isso você se imagina trabalhando e envolvendo. Nesse momento é
coletado seu sangue e lhe pedem que retorne no dia seguinte. No dia
seguinte, você é informado de que a análise do seu código genético não
indica facilidade para trabalhos que exijam noção de perspectiva, desenho e
cálculos relacionados à espaço, impossibilitando sua incrição para o
vestibular de arquitetura. O mesmo teste lhe diz que suas possíveis opções
de inscrição são para áreas nas quais você nunca se imaginou trabalhando.
Agora é pegar ou largar (e trabalhar como pedreiro). Indo ainda mais para o
extremo, podemos imaginar que, ao fazer seu "teste genético de aptidão à
profissão" tenha sido detectada uma propensão fortíssima à violência,
associada em 82% dos casos à homicídios ou estupros. Dessa forma, naquele
mesmo momento lhe é dada voz de prisão, pois probabilidades como a sua que
excedem 80% levam o indivíduo compulsoriamente à "prisão profilática".
Difícil imaginar agora algo que parece tão distante, mas os grandes
avanços da ciência geralmente podem ser acompanhados também por um lado
maligno e com grande poder de destruição da própria sociedade, como vemos
nos exemplos do raio laser (aplicação médica, em aparelhos sonoros e de
comunicação, mas também como arma de guerra), da energia nuclear (fonte de
energia mas também arma de destruição em massa) e agora de conhecimento do genoma e de suas implicações (poderemos saber de antemão que probabilidade cada indivíduo tem de ter determinada enfermidade e desta forma tratá-lo preventivamente de forma mais eficaz, mas também podemos usar isso para discriminá-lo).
As linhas anteriores nos fazem tirar conclusões bem claras: o
conhecimento, por princípio é bom, mau é o uso que fazemos ou podemos fazer
dele. Me assusta termos esse conhecimento tão profundo de nossa biologia sem
que antes tenhamos aprendido a viver como irmãos e filhos de uma só Mãe, a
Mãe Terra. Espero que, mais uma vez, a Natureza nos guie pelo melhor caminho
e nos faça trilhá-lo com serenidade e sabedoria, para que possamos
ultrapassar as grandes questões bioéticas que estamos prestes a enfrentar.

Rafael Luiz Reinehr

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2. Resenha do Texto "Antropologia Fílmica - Uma Gênese Difícil, mas
Promissora", de Claudine de France
Rafael Luiz Reinehr

Neste texto, Claudine de France propõe os fundamentos da Antropologia
fílmica, disciplina relativamente nova, e as principais questões que
permeiam sua existência.
A primeira constatação que é feita é a necessidade de planejamento, através
da observação e da escrita, do cinema antropológico. Claudine chega à
conclusão que muitos antropólogos-cineastas, por fugirem da escrita, limitam
a Antropologia fílmica ao simples ato da realização de filmes etnográficos.
Na apresentação de tais filmes, ocorrem descobertas, comparações que geram
então debates orais que são os responsáveis por teorizar sobre o utensílio
da investigação audiovisual. Segundo ela, sem o apoio da escrita, essas
discussões jamais atingirão o estágio de um verdadeiro exame analítico,
subsistindo apenas algumas intuições esparsas.
Com suas próprias palavras: "Cada nova apresentação de filme, tributária do
grau de conhecimento que tem da matéria um público heterogêneo, aborda
apenas questões espontaneamente levantadas por esse último, e retoma as
coisas em seu ponto de partida. O que resulta disso é a impressão de que, em
nível teórico, sempre se está marcando passo.'
Qual é o objeto dessa nova disciplina? O homem e a imagem do homem?
Poderíamos ser mais precisos? Bem, talvez: seria o estudo da cultura humana
através dos registros em imagem da mesma, sendo cultura entendida como tudo
que o homem acrescenta ou substitui à Natureza. Assim, a inesgotabilidade e
a diversificação dos seus objetos de estudo estendem ao infinito as
fronteiras da disciplina.
Interessantes são os casos em que as câmeras são voltadas para aspectos de
nossa sociedade que por várias razões jogamos para a periferia de nossas
preocipações, o que conservamos no "abismo do não-dito e do não-visto", como
por exemplo as minorias étnicas ou culturais que ficam à margem da cultura
dominante. Assim, encontramos uma função por vezes de "redenção social" de
um grupo, através da identificação de problemas de ordem social em uma
determinada cultura.
De France também revisa rapidamente a evolução ta tecnologia no cinema
antropológico, desde as primeiras câmeras mecânicas sem possibilidade de
gravação simultânea de som até a revolução tecnológica do pós-guerra e
principalmente após 1960, com a diminuição do peso das filmadoras e a
possibilidade de gravação de som e imagem simultâneos. Fala da antropologia
participante, onde é dada a palavra e a câmera para aqueles que antes
tiveram apenas papel passivo na cena: os filmados passam a filmadores -
mais uma revolução.
Após a década de 60, ocorreu o "boom" do cinema antropológico, com seus
participantes mais ativos dividindo-se em estudos sobre as consequências
das modificações sociais, outros retomando a tradição da descrição
etnográfica, outros ainda registrando a trama de fatos e gestos cotidianos e
banais da própria sociedade em que viviam, e assim por diante.
Uma constatação importante salientada pela autora é o fato de que pouco
importa se o tempo de inserção preparatório em uma cultura seja curto ou
longo; o que importa realmente é que o pesquisador esteja pronto para
enfrentar o tempo de inserção que as pessoas filmadas lhe impõem, às vezes
necessitando longas esperas para que os fatos a serem registrados apareçam.
No final, a antropologia fílmica pode ser visualizada como uma disciplina
com um campo de estudo amplo, com um controle imperfeito de seu objeto de
estudo, encontrando alguns problemas como uma tendência à rejeição da
escrita e as necessidades de ajuste do status da linguagem e da imagem (como
fazer algo novo usando coisas antigas [como integrar e repensar a linguagem
no contexto da apreensão audiovisual] e fazer algo antigo usando coisas
novas [ como integrar a apreensão audiovisual no contexto de uma pesquisa
clássica estruturada pela linguagem]).
O filme antropológico, não só como registro de processos e acontecimentos
culturais, pode ser encarado como uma ferramenta muito útil para
historiadores, psicólogos e sociólogos, entre outros, no sentido de testar
hipóteses ou construir novas, servindo de base comum a essas e mesmo a
outras disciplinas.
Concluo, usando as palavras da autora: "Hoje, à medida que continuam a
filmar os seres humanos e a experimentar sus instrumentos, os
antropólogos-cineastas devem afrontar novas tarefas que solicitam, mais uma
vez, os serviçsd sua paciência e de sua imaginação. Eles devem, de fato,
elevar-se à altura de sua maneira de apreender os seres filmados, sua
maneira, ainda balbuciante, de confrontar e analisar as imagens dos seres
filmados. Mas, nisso também, convém apressar-se lentamente"

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3. Receita Artística - Pátina Provençal
Carolina Schumacher

Pois bem, aqui estou eu novamente a contribuir com este nosso jornal e,
sabendo do caráter pluralista desse, achei que seria válido apresentar-lhes
uma das últimas técnicas de artesanato aprendida recentemente durante minhas férias em POA. A técnica chama-se Pátina Provençal, e para quem nunca ouviu falar ou já ouviu falar mas não tem idéia do que seja trata-se de uma
técnica que produz um efeito envelhecido ou desgastado na pintura. É
bastante utilizado para remodelação, se é que posso chamar assim, de móveis
antigos dos quais sou fã. E para quem se interessou aí vai:

Pátina Provençal

Aplicação: madeira

Material:
Móvel de madeira escura
Lixa para madeira nº 100 e 150
Verniz incolor à base d'água
Multisselador aquoso à base d'água da Renner
Cera pastosa incolor
Tinta látex na cor branca
Pincel chato macio

Execução:

Lixe bem a peça com a lixa nº 100 e retire o pó. Aplique o multisselador por
toda a superfície utilizando para isso uma trouxa de pano. Lixe com a lixa
nº 150 no sentido do veio da madeira e remova o pó. Utilizando uma estopa ou
os dedos, aplique cera pastosa nos locais em que será criado o efeito
lascado (cantos, puxadores, quinas etc.). Passe a tinta látex por toda a
peça utilizando o pincel chato. Aguarde a secagem por no mínimo 1 hora
(dependendo do tamanho da peça e da espessura de tinta deve-se esperar
mais). Lixe com a lixa nº 100 os pontos em que foi aplicada a cera, criando
um aspecto desgastado. Finalize com o verniz incolor.

Essa técnica pode ser utilizada tanto para móveis como para a pintura de
objetos como porta-jóias, porta-trecos, porta-retrato e tantos outros
"porta-coisas". Para objetos pequenos não é necessário passar o selador.
Caso você tenha se interessado arrisque umas pinceladas, não custa nada
tentar libertar seu lado artístico, e de quebra ainda vai lhe ajudar a
trabalhar melhor sua ansiedade visto que é um trabalho de concentração sem
ser chato, muito antes pelo contrário, torna-se muito prazeroso admirarmos
nossas criações depois de prontas. Boa sorte a todos e mão na massa, digo,
na tinta.

Carolina Schumacher - entre outras coisas, aprendiz de artista plástica (o
que não fazem uns cursos gratuitos de artesanato hein?!).

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 26 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

LIção número 5

sino si Si

Tito é o pai da Ada.
Vovô é o pai do Tito.

O pai vê o sino.
O sino é da igreja.
O sino soa ao meio-dia.

pai pa Pa

O novêlo é nôvo.
O novêlo é da Ada.
O pai de Ada levou o novêlo.
Ada viu o novêlo na mala.

novêlo no No

pu pi pe po pa
su si se so sa
nu ni ne no na

O sino da vila soa ao meio-dia.
O povo da vila ouve o sino.
Davi ouve o sino.
Davi mudou-se da vila.
Êle vive no sítio.
De lá se ouve o sino.

A igreja é do povo.
É do povo da vila.
O povo vai à igreja.

Tito matou o pato.
Êle levou o pato à Ida.
Ida deu sopa de pato ao Tito.

pai nôvo sino pato nôvo sopa
vai povo sítio povo novelo soa

ponte pon

O menino vai pela ponte.
Na ponte êle vê o sapo.
Vê o sapo na ponte de pau.

pinto pin

O pinto saiu do ôvo.
O pinto piava: piu... piu... piu...
A pena do pinto é miúda.

pente pen

Êle pediu o pente do pai.
O pente é nôvo e lindo.

en in on
pen pin pon

O dente do Otávio doía.
Otávio sentia-se tonto.
- Ai! Ai! O meu dente!
O pai viu o menino e teve pena dêle.

Tio Paulo ia ao monte.
Todo dia êle ia ao monte.
Tio Paulo ia ao monte pela ponte.

O pai de Lina se sentia doente.
Êle se sentia tonto.
Lina levou leite ao pai.
O doente tomou o leite.
Ainda se sente doente.

en- on- in-
pente ponte pinto
dente monte ainda
sente tonto linda
doente
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5. Escrever por Escrever VI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{21/06/2000 - Quarta-feira - 22:49}

Foi Graham Bell professor de surdos e mudos? Ou terá ele sido professor de
Ciências? Se você respondeu a primeira, está certo!

Uma coisa que aprendi ontem: apesar de, para que possamos agir de acordo
com a ética deontológica (pregada por Kant) devêssemos agir completamente
apoiados pelo uso estrito e incondicional de nossa razão, sem influência de
nossos sentimentos e emoções, jamais poderemos fazer isso, por um simples
motivo: somos humanos! A luz que podemos vislumbrar então é agir a maior
parte possível do tempo sob a égide da razão (voltada para a virtude) para
que possamos tornar este um mundo melhor de se viver (e conviver), já que
nossos sentimentos e emoções dificilmente permitem que respeitemos o espaço
e a liberdade de nossos semelhantes. Essa moral deontológica, baseada no
dever e não na finalidade, como na moral teleológica, torna mais difíceis
nossas decisões no dia-a-dia, já que não são naturais boa parte das
conclusões a que chegamos quando usamos o imperativo categórico, quando
buscamos tornar nossa decisão uma lei universal que possa ser usada por
todas as pessoas em todos os lugares em situações semelhantes. Outro
problema que vejo ao meu redor, todos os dias ( e até comigo mesmo, por que
não), é o fato de que muitas pessoas não "alcançam" a razão necessária para

tomar a decisão correta acerca dos fatos e situações às quais são
confrontadas. Simplesmente não têm capacidade, juízo crítico, inteligência
suficientes para discernir o certo do errado ou o mais certo dentre os
certos. Isso acontece não somente entre pessoas humildes e sem instrução mas
também com juízes, presidentes, médicos, músicos, professores, religiosos e
com o tipo de pessoa que você imaginar. As conseqüências dessa constatação é
o caos que hoje se encontra instalado na comunidade humana.

Hoje me veio a idéia de escrever um texto com o seguinte título: "Fernando:
o sociólogo que esqueceu". O título por si já é interessante, pois faz o
leitor pensar: esqueceu o que ou de que? Esqueceu das leituras que fez na
faculdade, das coisas que aprendeu e com as quais cresceu. Esqueceu de todos
à sua volta, daqueles que nele confiaram. Esqueceu de si...

Matt Groening, o criador de "Os Simpsons" é do caralho!...

PS: Uma coisa boa disso que estou fazendo é que eu mesmo posso fazer
comentários das coisas que eu mesmo escrevi! Loucura!

PS2: Acho que às vezes deixo algumas pessoas com raiva pelos comentários que
faço (he-he-he!!!)... {21/06/2000 - Quarta-feira - 23:28}

{22/06/2000 - Quinta-feira - 13:55}

Sobre o que escreverei hoje? Escreverei sobre o plantão no qual estou,
aqui no Conceição? Ou sobre o belo dia de sol que está fazendo lá fora? Ou
sobre o novo videoclipe do Metallica que está passando na MTV? Ou sobre
assuntos sobre a terra, a água e o ar? Não sei... Acho que vou copiar alguma
coisa que escrevi há algum tempo atrás, mas que ainda está inacabado. Aí
vai:

(neste trecho, reproduzi um texto de minha autoria entitulado "Mais um", já
publicado na edição número 3 do Simplicíssimo)

"Toquem o meu coração e façam a Revolução..." É isso! Controlar as pessoas
pela razão é muito mais difícil, mesmo quando a própria razão está do nosso
lado do que controlar/convencer as pessoas através das emoções. Para que as
coisas mudem, como seres humanos, devemos mexer justamente com o lado
sentimental, o lado afetuoso, de compaixão e altruísmo que carregamos.
Quanto mais conseguirmos estimular esse lado nas pessoas, mais facilmente
podemos mudar as coisas para melhor (desde que saibamos, é claro, o que é o
melhor!).

Quando tentamos demonstrar algo a alguém e convencê-lo que estamos corretos
através da razão temos um empecilho básico: o fato de estarmos tornando
(pelo menos às vistas do interlocutor) esta pessoa menos inteligente por
estarmos "oferecendo" um conhecimento que esta não tem e que relutava até
então aceitar por princípios pessoais dos mais variados aspectos. Quando
usamos a sentimentalidade, isso se torna mais fácil, pois podemos criar um
motivo e dar uma justificativa "humana" para a realização ou compreensão
daquilo que estamos propondo e determinar uma punição sentimental, oferecida
pela "Consciência" da pessoas caso não exista entendimento entre a parte
demonstradora e a que se está demonstrando. (Bah! Nem eu entendi direito o
que eu escrevi! Acho que está na hora de parar!)

"Eu ainda lembro como era fácil viver... (Norwegian Wood)"... {22/06/2000 -
Quinta-feira - 14:29}

{02/07/2000 - Domingo - 16:54}

Depois dessa pausa de mais de uma semana, estou de volta. Muitas coisas
aconteceram, muitas delas inesquecíveis mas não registráveis aqui, devido à
extrema pessoalidade de seu conteúdo. Ontem eu estava de aniversário. Vinte
e quatro anos. Muita história pra contar. Muita ainda para fazer.

Imagine um caçador numa ilha deserta. Sempre viveu sozinho, da caça, pesca
e coleta, sendo a sobrevivência e o domínio do seu território seus únicos
objetivos. Sempre viveu bem em sua ilha até que um dia descobriu que não
estava sozinho. Encontrou um outro caçador que como ele sempre viveu na ilha
e tinha os mesmos objetivos. Nesse momento, eles começam a brigar pois para
garantir o domínio e a sua sobrevivência somente pode existir um. Depois de
uma longa briga um encontra-se rendido e o outro está pronto a dar-lhe uma
machadada fatal. Nesse momento, o caçador vencido olha nos olhos do vencedor
e este tem um sentimento e uma decisão a tomar: ao ver a si mesmo nos olhos
do outro caçador, dá ele o golpe final e cumpre aquilo que sempre foi seu
objetivo e continua vivendo da forma como sempre viveu (acabando com a
dialética da narração) ou muda radicalmente dando uma chance para o vencido?
Suponhamos que ele tenha dado uma chance, mas agora a situação é diferente.
Ele ganhou a briga. A situação inicial de igualdade entre os dois caçadores
já não existe mais. O vencedor será o senhor e o perdedor seu escravo. O
caçador vitorioso vai descansar e viver do trabalho do derrotado, que vai
sustentar suas necessidades. O tempo passa. O escravo vai literalmente
enchendo o saco, até que um dia ele realmente se irrita e se dá conta de uma
coisa: Espera aí, eu estava em situação de inferioridade naquela época. Já
trabalhei demais para esse vagabundo e não recebi nada em troca. Agora sou
forte. Enquanto ele engordou às custas do meu trabalho eu, graças ao mesmo
trabalho sou forte e resistente.
Chegando a essa conclusão ele domina seu antigo senhor, transformando-o em
seu escravo, invertendo a situação até então estabelecida. Através dessa
metáfora, chegamos a um exemplo de como se sucede a alternância histórica da
dominação social nas diferentes culturas.

Eu me pergunto: será que os caçadores poderiam, ao invés de lutar para a
sobrevivência de apenas um, juntar forças para sobreviverem juntos,
dividirem as terras que já habitavam anteriormente e assim viver
harmoniosamente sem conflito de qualquer espécie? (fim da dialética)

Sobre a relação entre senhor e escravo, eu também me pergunto: No caso de
um carvoeiro, dono de uma mina de carvão, de onde ele tira todo seu
sustento, empregador de vários mineiros, quem é o senhor e quem é o escravo?
É o senhor o carvoeiro que manda seus empregados em más condições e
arriscando sua saúde e vidas no seu trabalho insalubre com um mau pagamento
(provavelmente) e são eles os escravos ou são eles, os mineiros os senhores
e ele, o carvoeiro, o escravo, já que este depende totalmente daqueles para
sua sobrevivência? Resposta algum dia desses quando eu chegar a uma
conclusão... Mas já vá tirando a sua... {02/07/2000 - Domingo - 17:29}

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livros que te chamaram atenção, citações, resenhas, resultados de pesquisas
científicas, teses de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou
pós-pós-doutorado, opiniões, sugestões, insultos e ofensas, redações e
composições do tempo da infância, etc., ou seja, qualquer forma de expressão
cultural na forma escrita que possa ser reproduzida nestas páginas.
Ressalta-se que, preferencialmente sejam enviadas em formato .txt (pois
ocupa menos espaço). Caso seja enviado em .doc ou .htm, podem haver perdas
significativas na formatação."

AO ENCAMINHAR UM ESCRITO, MANDE TAMBÉM SEU NOME OU PSEUDÔNIMO E UMA BREVE
(OU EXTENSA) APRESENTAÇÃO DE SUA PESSOA (IDADE, O QUE FAZ DA VIDA, E TE CÉ
TERÁ)

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Rafael Reinehr 6:37 PM

Simplicíssimo - Jornal Virtual de peridiocidade almost semanal
07/02/2003 - Edição número 9 - Editora SuperJazz7 - The Brains Corp.

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"Flúor e Fio Dental"
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1. Editorial.......................................Rafael Luiz Reinehr

2. Crônica de Amor..............................Roberto Freire, enviado por
Quéli C. Giuriatti

3. Escovas de Dentes....................................Rafael Luiz Reinehr

4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 27 lições)..................Rafael Luiz
Reinehr

5. Escrever por Escrever V (excertos)....................Rafael Luiz Reinehr

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1. Editorial

Se eu tivesse o poder de eliminar uma pessoa da face da terra, hoje essa
pessoa seria George W. Bush. Esse meu sentimento é compartilhado por muitas
pessoas em todo mundo. E isso não é coragem de alguém que sabe que o dito
sujeito não vai ouvir minha ameaça. Em primeiro lugar, não é uma ameaça. É
simplesmente um desabafo. É o resultado de uma angústia. Um sentimento de
opressão difícil de conter quando somos bombardeados dia após dia com
notícias de brutalidades, fraudes, manipulações absurdamente maquiavélicas
(no mau sentido da palavra) que vêm lá dos lados do "Império" comandado pelo
tenebroso Darth Bush Wader, como convencionou-se após o III Fórum Social
Mundial.
A estagnação das economias dos países subdesenvolvidos ou em
desenvolvimento (caso do Brasil) causada pelo monopólio econômico e até de
certa forma político dos países mais ricos, subsidiando suas já polpudas
(mas mesmo assim insuficientes) fontes de produção é somente uma das
numerosas facetas desta crise que se abate sobre a sociedade humana atual. A
crise de percepção, como afirmam Capra, Morin, Deleuze e Foulcault, entre
outros, assume o papel primordial, é o ponto de partida para a reconstrução
do mundo a partir das migalhas fragmentadas e multicompartimentadas que
temos hoje. Desconstruimos para entender mas não soubemos construir
novamente. É mister que reconheçamos nossos erros e nossas limitações, mas
temos que nos voltar para o lado certo.
A primeira frase do primeiro parágrafo se justificaria pelo mesmo
argumento usado pelo senhor ali que queremos "eliminar": "O fim justifica os
meios". Concordando ou discordando da sentença, é justamente isso que os
Estados Unidos da América, ou melhor, o seu presidente e os seus comandados
e a Inglaterra, ou melhor, seu primeiro-ministro e alguns de seus
subordinados querem: justificar que as ações no Afeganistão, no Iraque e
sabe lá onde mais em um futuro breve são uma forma de proteger a humanidade
do terrorismo, do cataclisma nuclear, do extermínio da humanidade. Só que
são eles mesmos, os filhos do "Império" que são atualmente os maiores
contribuintes para o fim da humanidade. São esses mesmos f.d.p. que largam
na atmosfera milhares de milhões de toneladas de CO2 e outros gases
poluentes todo ano, e é por causa deles (principalmente) que ano após ano o
calor se torna mais difícil de suportar ( ou vocês já se esqueceram que as
previsões de aumento da temperatura global para 50 anos estão se realizando
até com superação das expectativas?) . Tratado de Kyoto? Nãããããã... Pra quê?
Desenvolver (?). Destruir a Natureza para construir mais, maior, mais
rápido... Mais petróleo, mais dinheiro... Melhores condições para os nossos
filhos (os filhos deles) - enquanto os nossos continuam a morrer de fome...
Então, justifico eu, deves ser eliminado sim, senhor George W. Bush,
para o bem de toda a humanidade, para um bem maior que a sua singela e única
vida. Para o bem de milhões, ou melhor, bilhões de entes humanos vivos e por
vir, deves ser erradicado da face deste planeta o quanto antes, para que a
sua maldade (ou incompetência, ou loucura, ou desajustamento, ou falta de
juízo crítico, ou falta de visão ecológica - como quer que chamemos) seja
eliminada juntamente com você. Por que não pegas uma carona na próxima
missão da Columbia (se é que vai existir?)? Quem sabe na volta você se
transforme em estrelinha?
Vamos fazer a coisa certa. Digo isso há algum tempo... Creio fielmente
que aquilo que fazemos para o mundo retorna a nós, de forma justa, com o
passar do tempo. Essa é minha fé, e juntamente com minha confiança em mim
mesmo, ela me leva a trilhar, ou pelo menos tentar trilhar, o caminho da
verdade, da justiça e do bem (com um pouco de preguiça e alguma intolerância
ainda, mas sou jovem e posso corrigir isso!).
Para concluir, peço só mais duas coisinhas: leiam a piadinha abaixo mas
principalmente, leiam com atenção a Declaração da Independência dos Estados
Unidos da América, de 4 de julho de 1776, e veja se não está na hora de
mandarmos essa carta ao nosso opressor, o atual presidente do "Império",
pois para mim ela está perfeitamente atual.

Rafael Luiz Reinehr

"Nossos pés deixam pegadas na areia do tempo. Se estivermos no caminho
errado, muitos nos seguirão, desviando-se do que é correto. Quando pensamos
que uma ação é só por aquele momento e esquecemos que ela deixa um rastro
atrás de si, não estamos sendo responsáveis. Todas as nossas ações afetam os
seres humanos, dando-lhes alívio ou tristeza. Podemos fortalecê-los ou não.
Podemos causar ferimentos ou curas. Podemos gerar conflitos ou resolvê-los.
Podemos criar cataclismas ou algo nobre para a sociedade."
B.K.Jagdish

Segue abaixo uma pequena "piadinha" que está rolando pela Internet:

O presidente George Bush está querendo aumentar sua
popularidade. Chega a uma escolinha e explica sua
plataforma de governo. Pede, então, às crianças que
façam perguntas.

O pequeno Bob toma a palavra:

- Senhor, tenho três perguntas:

1. Por que o senhor mesmo perdendo nas urnas ganhou a
eleição?
2. Por que o senhor quer atacar o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o
maior ataque terrorista da história?

Neste momento, soou a campainha do recreio, e todos os
alunos saem da sala.
Na volta, Bush mais uma vez convida as crianças a
perguntarem e o Joey lhe diz:

- Tenho cinco perguntas:

1. Por que o senhor mesmo perdendo nas urnas ganhou a
eleição?
2. Por que o senhor quer atacar o Iraque sem motivos?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o
maior ataque terrorista da história?
4. Por que o sinal do recreio soou 20 minutos mais cedo?
5. Cadê o Bob?

Declaração da independência dos Estados Unidos da América (04/07/1776)

Em 1776, os representantes das 13 colônias se reuniram no 2º Congresso
Continental, realizado na Filadélfia, onde Thomas Jefferson chefiou um
comitê que redigiu a declaração que separava as colônias norte-americanas da
Inglaterra.

Em Congresso, 4 de julho de 1776

Declaração unânime dos Treze Estados Unidos da América

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário para um
povo dissolver o vínculo político que o mantinha ligado a outro, e assumir
entre as potências da terra a situação separada e igual a que as leis da
natureza e o Deus da natureza lhe dão direito, um decoroso respeito às
opiniões da humanidade exige que ele declare as causas que o impelem à
separação.
Consideramos as seguintes verdades evidentes por si mesmas, a saber, que
todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos
inalienáveis, entre os quais figuram a vida, a liberdade e a busca da
felicidade.
Que, para assegurar esses direitos, entre os homens se instituem governos,
que derivam seus justos poderes do consentimento dos governados.
Que, sempre que uma forma de governo se dispõe a destruir essas finalidades,
cabe ao povo o direito de alterá-lo ou aboli-lo, e instituir novo governo,
assentando seu fundamento sobre tais princípios e organizando seus poderes
de tal forma que a ele pareça ter maior probabilidade de alcançar-lhe a
segurança e a felicidade.
Quer a prudência, com efeito, que governos estabelecidos há muito tempo não
sejam modificados por causas ligeiras e transitórias; e, de acordo com tudo
o que a experiência tem mostrado, a humanidade está mais disposta a tolerar,
enquanto os males forem toleráveis, do que a corrigi-los, abolindo as formas
a que está acostumado. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações,
perseguindo invariavelmente o mesmo objetivo, indica o propósito de
submetê-lo a um despotismo absoluto, é seu direito, é seu dever, derrubar
esse governo e providenciar novos guardas para sua futura segurança.
Esse tem sido o paciente sofrimento destas colônias; e esta é agora a
necessidade que as obriga a alterar seus sistemas anteriores de governo.
A história do atual rei da Grã-Bretanha é uma história de danos e
usurpações repetidos, todos os quais têm tido por objetivo direto o
estabelecimento de uma tirania absoluta sobre estes Estados. A fim de
prová-los, seja-nos permitido submeter os fatos à apreciação de um mundo sem
preconceitos.
Ele recusou sua anuência às leis mais salutares e necessárias ao bem
público. Proibiu seus governadores de sancionar leis de importância imediata
e urgente, a menos que lhes suspendessem os efeitos até à obtenção do seu
consentimento; e depois que elas foram suspensas, negligenciou-lhes de todo
a aplicação. Recusou-se a sancionar outras leis para a acomodação de grandes
distritos de pessoas, a menos que essas pessoas renunciassem ao direito de
representação no Legislativo, direito inestimável para elas e formidável
apenas para os tiranos. Convocou corpos legislativos em locais inusitados,
desprovidos de conforto e distantes do depósito de seus registros públicos,
com o único propósito de obrigá-los, pelo cansaço, a anuir às suas medidas.
Dissolveu repetidamente câmaras de representantes, por se haverem oposto com firmeza viril às suas violações dos direitos do povo. Recusou-se por muito
tempo, depois de tais dissoluções, a permitir que outras fossem eleitas; em
razão do que, os poderes legislativos, incapazes de aniquilamento, voltaram
ao povo em geral para exercitá-los; permanecendo o Estado, entrementes,
exposto a todos os perigos de invasões vindas de fora e de convulsões vindas
de dentro. Tentou obstar ao aumento da população desses Estados; com tal
propósito, obstruiu as leis de naturalização de estrangeiros; recusou-se a
sancionar outras que lhes incentivassem a migração para lá, e multiplicou as
condições de novas destinações de terras. Estorvou a administração da
Justiça, recusando seu consentimento a leis que estabeleciam o poder
judiciário. Fez que os juízes dependessem exclusivamente da sua vontade,
para a posse dos seus cargos, e para o montante e pagamento dos seus
salários. Criou uma multidão de cargos novos, e para cá mandou enxames de
funcionários a fim de apoquentar o nosso povo e comer-lhe a substância.
Manteve entre nós, em termos de paz, exércitos permanentes sem o
consentimento de nossas legislaturas. Simulou haver tornado o poder militar
independente do poder civil e superior a ele. Combinou com outros
sujeitar-nos a uma jurisdição alheia à nossa constituição e não reconhecida
pelas nossas leis; dando sua anuência aos atos deles de pretensa legislação.
Por aquartelar grandes grupos de soldados armados entre nós; por
protegê-los mediante um arremedo de julgamento, do castigo por quaisquer
homicídios que viessem a praticar contra os habitantes destes Estados; por
cortar o nosso comércio com todas as partes do mundo; por impor-nos tributos
sem o nosso consentimento; por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios
do julgamento pelo júri; por transportar-nos para além dos mares a fim de
julgar-nos por pretensos crimes; por abolir o sistema livre de leis inglesas
numa província vizinha, estabelecendo ali um governo arbitrário, e
alargando-lhe as fronteiras de modo que a tornasse, ao mesmo tempo, exemplo
e instrumento apropriado para introduzir a mesma regra absoluta nestas
colônias; por tirar-nos as nossas cartas, revogando nossas leis mais
valiosas, e por alterar fundamentalmente as formas de nossos governos; por
suspender nossos próprios legislativos e declarar-se investido do poder de
legislar por nós em todos os casos, sejam eles quais forem; abdicou este
governo, declarando-nos excluídos da sua proteção e movendo guerra contra
nós. Saqueou nossos mares, talou nossas costas, queimou nossas cidades e
destruiu as vidas do nosso povo. Neste momento, está transportando grandes
exércitos de mercenários estrangeiros a fim de completar as obras de morte,
desolação e tirania, já começadas em circunstâncias de crueldade e perfídia
que dificilmente encontrarão paralelo nas épocas mais bárbaras e totalmente
indignas do cabeça de uma nação civilizada. Obrigou nossos compatriotas
aprisionados em alto mar a pegar em armas contra seu país, a tornar-se
algozes de seus amigos e irmãos, ou a ser mortos por eles. Instigou
insurreições internas contra nós, e tentou açular os habitantes de nossas
fronteiras, os impiedosos selvagens índios, cuja conhecida regra de guerra é
a destruição indistinta de todas as idades, sexos e condições. Em cada frase
dessas opressões, requeremos o nosso desagravo nos termos mais humildes:
nossas repetidas petições foram respondidas apenas com danos repetidos.
Um príncipe, cujo caráter é assim marcado por todos os atos que definem um
tirano, está despreparado para governar um povo livre. Nem deixamos de
atender aos nossos irmãos ingleses. Temo-los advertido periodicamente das
tentativas do seu legislativo para estender uma injustificável jurisdição
sobre nós. Recordamos-lhes as circunstâncias da nossa emigração e da nossa
instalação aqui. Temos apelado para a sua justiça e magnanimidade naturais,
e conjuramo-los, pelos laços do nosso parentesco comum, a repudiar tais
usurpações, que interromperiam inevitavelmente nossas conexões e
correspondência. Eles também se têm mostrado surdos à voz da justiça e da
consangüinidade. Precisamos, portanto, aceitar a necessidade, que denuncia
nossa Separação, e considerá-los, como consideramos o resto da humanidade,
inimigos na guerra, amigos na paz.
Nós, portanto, representantes dos ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, em congresso geral, reunido, pedindo ao Juiz Supremo do mundo que dê testemunho da retidão das nossas intenções, solenemente publicamos e declaramos, em nome do bom povo destas colônias e pela autoridade que ele nos conferiu, que estas Colônias Unidas são, e por direito devem sê-lo, ESTADOS LIVRES E INDEPENDENTES; que estão liberadas de toda e qualquer Lealdade à coroa britânica, e que toda conexão política entre elas e o Estado da Grã-Bretanha é, e deve ser, totalmente dissolvida; e que, como Estados livres e
independentes, elas têm plenos poderes para fazer guerra, concluir a paz,
contratar alianças, instituir o comércio e fazer todas as outras leis e
coisas que os Estados independentes têm o direito de fazer.
E em abono desta declaração, com firme confiança na Proteção da Divina
Providência, mutuamente hipotecamos uns aos outros nossas vidas, nossas
fortunas e nossa honra sagrada.
Assinado por ordem e em nome do Congresso
John Hancock

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2. Crônica de Amor
(enviado por Quéli Giuriatti)

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem,
caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes
teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O
amor não é chegado a fazer contas, não obedece a
razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por
magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada,
veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só
referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela
paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos
piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se
espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de
cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela
deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho,
você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você
abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio
vocês combinam.Então?

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa
imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD,
você adora brigar com ela e ela adora implicar com
você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga,
ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.
Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre
duro, e é meio galinha. Ele não tem a maior vocação
para príncipe encantado, e ainda assim você não
consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua
nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de
boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara? Não pergunte para mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais.
Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas
sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu
valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido
num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas
no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no
banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por
computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você
tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desse, criatura, por que diabo está
sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um
sentimento, mas uma equação matemática:
eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não
funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio
nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor
tem de indefinível. Honestos existem aos milhares,
generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais
de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do
jeito que o amor da sua vida!


Roberto Freire

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3. Escovas de Dentes
Rafael Luiz Reinehr

Dia desses estava eu escovando os dentes quando me dei conta de algo
extremamente importante: na realidade, existem 2 tipos (e somente dois) de
mulheres: as que deixam a escova de dentes quando larga você e as que a
levam.
É claro que existem também aquelas que nunca chegaram a levar uma
escova de dentes para sua casa e ficam usando a sua, ou mesmo aquelas
(blãrgh!) que nunca usam nem a sua escova de dentes... Mas estamos falando
aqui de relacionamentos que chegaram a tal ponto de intimidade e
estabilidade em que é impossível deixar de ter uma escova de dentes própria.
Podemos saber muito acerca da personalidade de uma pessoa analisando a
sua escova de dentes. Sua cor, a forma e o tamanho do cabo, a disposição e o
estado de conservação das cerdas, enfim, são muitas variáveis que na sua
complexa teia de funções e significados delineiam com perfeição a índole do
ser amado.
Imaginem uma escova de dentes roxa, suja, com as cerdas todas tortas e
a base das cerdas toda preta, além de um cabo enorme e largo. Agora imaginem
uma escova branquinha, desde o cabo, bem delineado, com curvas bem
desenhadas, cerdas em formato arredondado, branquinhas, limpinhas... Outra
coisa, né?
Mas, voltando ao que interessa, disse antes que só existem dois tipos
de mulheres. Em primeiro lugar, é bom saber que os dois tipos têm o
potencial de largar você a qualquer momento, independente de quanto amor
elas julgam (e dizem) ter por você.
Aquelas que deixam a escova de dentes no seu banheiro apresentam um
perfil mais narcisista. Têm o desejo de deixar uma marca na sua casa. Uma
espécie de agulha cravada em baixo da sua unha. Querem que você se lembre
delas. São as conquistadoras, que mesmo depois de deixarem o território
ainda querem tê-lo demarcado com um objeto delas. Algumas dessas ainda
querem você, nutrindo uma esperança secreta de que a escova exerça um poder
mágico sobre você, que o faça ir correndo de joelhos atrás dela, implorando
pela volta da mesma. Ora, senão, que história romântica ela vai contar à
filha ou às netas sobre o pai (ou avô) delas? Claro, tem também a minoria
que só vai se lembrar que deixou a escova de dentes na sua casa dali a uma
semana (ou nunca mais, se tiver outra escova em casa).
Têm também as que levam consigo a escova de dentes. Essas tem um perfil
decidido. Dominadora, sabe o que quer e o que não quer muito bem. Sabe que
não quer deixar a você nem um traço da sua existência naquele lugar (na sua
casa). Geralmente também leva todas as fotos nas quais está junto, todos CDs
que levou para a sua casa e, se bobear, pede de volta os presentes que lhe
deu e lhe devolve os que você deu (às vezes também pode estar levando junto
a escova de dentes somente por questão de economia ("É uma escova novinha em folha pô, e eu não vou comprar outra!") ou de estima ("É minha escova
predileta: foi com ela que escovei meus dentes pela primeira vez depois
daquele tratamento de clareamento dos dentes!).
Desta feita, escovas vão, escovas ficam, assim como os dedos, os dentes
e, porquê não, os amores. Escutando Barry White, "Thank You" e escrevendo
estas linhas, depois de mais um dia "normal", em que cheguei a cogitar a
"inexistência da linguagem", discutir sobre girafas azuis, chego à conclusão
que devemos trabalhar menos e ter mais lazer. Todos deveriam. Assim, sigo
com meu plano de trabalhar apenas um turno por dia daqui a alguns anos. Quem
sabe vou poder dedicar-me mais à arte que tanto prezo e valorizo. Dar mais
atenção à imagem, ao som, à palavra, às cores e à luz, às pessoas enfim... O
que isso tem a ver com escovas de dentes? Ora, não torra!

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4. A Cartilha do Simplicíssimo (em 27 lições) - O seu curso de
aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

LIção número 4

Tito viu o tatu.
Tito matou o tatu.
Êle levou o tatu à Ida.
Ida viu o tatu.
Ida viu o dedo dêle.
Ida viu o ôlho dêle.
O tatu dá mêdo à Ida? Duvido.

Ida viu a lima do Tito.
Ida levou a lima?
Ida levou a lima ao Tito.

Vovô mudou.
Êle levou a mala?
Tito levou a mala do vovô.

e ou a
mêdo matou tatu
êle levou muda
dêle mudou mala

O tatu me dá mêdo.
Meu avô mata o tatu.

eu deu meu

Ida viu a lua.
Tito viu a lua.
Êle viu a ave?
Viu.
Êle viu tudo.

tatu lua tudo

O tolo viu a lua.
Êle viu a lua de dia,
e teve mêdo.
Tudo dá medo ao tolo.

eu vi êle viu eu vou êle vai

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5. Escrever por Escrever V (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{14/06/2000 - Quarta-feira - 23:53}

Hoje o dia foi corrido: acordei cedo, tomei banho, fiz a barba e fui para o
Hospital. Durante a manhã, a Emergência estava tranqüila. Deu até para fazer
uns fluxogramas de exames para o Hospital. Ao meio dia teve reunião na
AMERGHC (Associação dos Médicos Residentes do Grupo Hospitalar Conceição), onde apresentei as decisões do XXXIV Congresso Nacional De Residência Médica e discutimos a paralisação nacional dos residentes de 20 de julho próximo.
Depois voltei para a Emergência. Atendemos uma parada cardíaca ( o paciente
acabou indo a óbito) e fui correndo discutir os fluxogramas que fiz com o
Dr. Sério: vamos padronizar novos fluxogramas de exames no Hospital. Fui de
lá em um pulo para o Ambulatório, atendi meus pacientes e fui para o meu
médico para retirar os pontos da minha cirurgia (eu nem contei da cirurgia
que fiz no dia 3, mas tudo bem...). De lá passei em casa só para dar um oi
para mamãe, me penteei e fui correndo para a AMRIGS para a criação do
Departamento de Médicos Residentes - D.M.R. ou DEMENTES - da AMRIGS, da qual tornei-me sócio-fundador e provável membro do Conselho Consultivo (ainda
faremos uma Assembléia para decidir isso). Agora, acabei de vir da
Churrascaria Schneider, onde tinha uma janta oferecida pelo laboratório
Sanofi, pelo medicamento Clopidogrel.

Tenho que voltar a escrever minhas poesias. Acho que estou meio sem tempo
para mim. Não estou conseguindo nem tocar violão ou guitarra direito. Acho
isso ruim... Agora, assim que acabar "Os Simpsons", vou dormir. Tchau!
{15/06/2000 - Quinta-feira - 0:09}

{16/06/2000 - Sexta-feira - 22:04}

Caros colegas leitores, estou teclando diretamente de Agudo, capital
mundial do terceiro milênio, direto para o Mundo. É incrível como lidamos
com nossos sentimentos... Na fase em que estou, não tem nenhuma guria da
qual eu goste especialmente. Tem uma que eu gosto de estar com, tem outra
que eu gosto de conversar com, tem mais outra que eu gosto de transar com,
tem uma que eu gosto de pensar em, tem uma ainda que vive a me ligar, e
assim por diante... No meio desses amores práticos, platônicos, patéticos e
passionais, minha cabeça e meu coração não conseguem se encontrar. É uma
lástima. Mas as coisas vão se ajeitar, estou tendo um pressentimento.

Agora estou a ver o Show do Milhão no SBT. Incrível como algumas pessoas
não sabem algumas coisas ridiculamente fáceis. "Defenestrar" : jogar algo
pela janela. À pouco, vi uma casa com piscina, muito linda na TV, que nunca
poderei comprar trabalhando como médico. Talvez conseguisse se fosse
participar do Show do Milhão. Daqui a pouco vai passar o filme "Mentes
Perigosas" com a Michelle Pfeiffer. Vou comer um milho cozido e volto já...

...já voltei! Uma coisa interessante que vou experimentar hoje é escrever
de acordo com o livre pensar: simplesmente vou escrevendo coisas que vêm à
minha cabeça, não importando nexo entre as sentenças nem regras da Língua
Portuguesa. Vamos tentar.

Mentes perigosas são aquelas que pensam perigosamente ou que pertencem à
pessoas que são de alguma forma perigosas? Certas músicas conseguem encaixar perfeitamente em uma cena ou situaç